Portugal é grande quando abre horizontes

31
Ago 19

Continuo a pensar que o maior problema político que o país enfrenta, neste momento de rentrée política, reside na fraqueza da oposição. Sobretudo da oposição à direita do governo actual. Aquilo a que chamaria a oposição com moderação, peso e medida. A oposição que deveria representar uma parte importante e indiscutível do país que somos.

Sem contrapeso, a política de quem está solidamente no poder perde o sentido de equilíbrio. Com o tempo, fica entregue a um agrupamento de interesses, que, sob uma capa ideológica vagamente definida, se auto-protege e se convence que o país só tem uma visão do futuro, aquela que eles mais ou menos promovem. E, ainda, sem crítica organizada quem manda ganha um sentimento de impunidade que não é bom para a gestão saudável dos recursos públicos. O poder passa a ser uma pirâmide, personaliza-se em torno de um político forte e perde a forma multifacetada que uma sociedade moderna exige.

Nesta realidade, é evidente que o PSD e o CDS/PP estão em crise. Têm lideranças incapazes de responder às necessidade presentes e ao desafio que representa um António Costa hábil e experiente. As intervenções e os cartazes desses dois partidos espelham bem a falta de estratégia, a incapacidade de definir os ângulos de intervenção, a desconexão entre eles e os cidadãos da vida de todos os dias. São dois fantasmas, que parece que existem mas que não são perceptíveis, que o olho comum não consegue enxergar. Como todos os fantasmas, arrastam-se penosamente nos corredores da vida pública, sem ânimo nem expressão definida.

Os outros partidos da mesma área, recém-criados, não têm credibilidade. Também não têm uma marca política que os distinga no nevoeiro que existe à direita do PS. São fantasias pessoais, meras brincadeiras idiotas de quem gostaria de ter protagonismo. Não convencem ninguém, para lá de um grupo de amigos e de outros medíocres da vida.

E assim estamos, nesta rentrée 2019. Falta acrescentar que não cabe neste escrito falar do BE e do PCP. Reconheço, todavia, que vale a pena analisar o fenómeno político que é o BE.

 

 

publicado por victorangelo às 19:07

28
Ago 19

É óbvio que a oposição política ao governo de Portugal não sabe fazer oposição. E que isso contribui para enfraquecer a nossa democracia. Uma oposição medíocre deixa o governo à rédea solta. Com o tempo, perdemos todos.

publicado por victorangelo às 14:01

12
Ago 19

Hoje foi o meu gato quem começou a conversa. Normalmente, não é assim, eu falo e ele finge que ouve. Mas esta tarde, foi diferente. Fez-me saber que está a chegar à conclusão que é uma injustiça antidemocrática não deixarem os gatos votar nas legislativas.

Fiquei a olhar para ele, à espera do resto. Que veio de seguida, sem demoras. É que, tendo em conta a maneira hábil e progressiva como o governo está a responder a uma greve tão séria e por tempo indeterminado, como é a dos combustíveis, ele gostaria, em Outubro, de votar por António Costa. E faria campanha junto dos outros gatos, para que assim fosse.

Como é um gato esperto, primeiro promete, com prudência. Depois vê como evoluem os próximos dias. Se o governo continuar assim, o bicho acabará por confirmar a intenção. Se não conseguir chegar às urnas, pensa que muitos eleitores poderão fazer a mesma análise que ele. Isso dá-lhe algum consolo.

Entretanto, espero que os meus amigos do PSD continuem de férias e não tenham disposição, e maneira, de ler este meu blog de hoje. Incomodar os amigos durante Agosto, não se faz.

 

publicado por victorangelo às 21:09

10
Ago 19

Neste estranho sábado de Agosto, noto duas observações.

O maior partido da oposição – o PSD – não tem uma linha clara sobre a greve dos camionistas de combustível. O comunicado oficial que publicou sobre o assunto tem a clareza própria de quem não sabe o que dizer ou fazer. É um comunicado mal cozido em águas de bacalhau. Nada propõe de concreto, para além do adiamento da acção sindical para depois das eleições legislativas de Outubro e de uma vaga referência a uma mediação com “mais recato”, por parte do governo. É assinado por um dos vice-presidentes, quando deveria ser assumido abertamente pelo presidente do partido, dado o impacto estratégico desta greve.

Talvez alguém pudesse lembrar a Rui Rio que situações como estas definem a qualidade da liderança.

Mas isto de liderança é outra conversa.

A segunda observação refere-se à posição de apoio que vários sindicatos anunciaram. Não seria de esperar outra coisa, apresso-me a acrescentar. Mas também digo que há aqui matéria para reflexão sobre a maneira de agir de uma parte do movimento sindical português. Sobre os direitos e os deveres dos sindicatos, sobre a subordinação das reivindicações sectoriais aos interesses estratégicos nacionais, sobre a politização do movimento, o respeito das instituições e das autoridades legitimamente constituídas, e assim sucessivamente.

A liberdade exige uma visão madura e equilibrada da democracia. O debate desta equação parece estar por fazer, conforme nos lembram os sindicatos agora apoiantes.

 

publicado por victorangelo às 22:14

13
Jul 19

Numa sondagem de opinião que hoje veio para os jornais, fica claro que a direita tradicional portuguesa está em crise. Representada pelo PSD e CDS, não conseguiria hoje mais do que 28% dos votos. 23% para o PSD e o resto para o CDS, que sofre uma queda acentuada. A agremiação de A. Cristas anda mais às aranhas do que a de Rui Rio, o que é muito significativo.

Estes resultados mostram que não há uma mensagem política à direita que cative. Não há fôlego nem bandeiras.

É evidente que a responsabilidade cai, acima de tudo, nos ombros dos líderes primeiros desses dois partidos. Num mundo a sério, ambos deveriam reconhecer que não têm garras para a música que se lhes pede que toquem. Isto é ainda mais evidente se se tiver em conta o desgaste político que caracteriza o governo de António Costa.

Do outro lado, quem aproveita são o BE e PAN. As razões serão motivo para outra conversa.

publicado por victorangelo às 18:05

11
Jan 19

Já aqui escrevi, há uma semana, sobre a liderança do PSD. Não vou repetir o que então afirmei.

Hoje, digo apenas que Luís Montenegro não esteve bem. Passou o tempo a atacar, com violência, o Presidente actual do seu partido, sem nada dizer sobre quais seriam as ideias programáticas chave por que se bateria, caso fosse ele o líder do PSD. Ora, é isso que está em causa. Ideias. Não se trata de substituir um líder fraco por outro sem ideias, para além do rancor e da ambição pessoal. E que, além disso, não tem uma imagem muito nítida – cada um verá nesta palavra o que melhor lhe parecer – junto da opinião pública portuguesa.

Assim, a sua declaração desta tarde, sem direito a perguntas, foi um tiro de pólvora seca. Veremos se alguém se assusta.

publicado por victorangelo às 17:24

04
Jan 19

O Público de hoje inclui um texto arrasador de Teresa Morais. A deputada do PSD escreve sobre a liderança actual do seu partido. Revela, de uma maneira serena e corajosa, a incompetência de Rui Rio, enquanto cabeça nacional de um partido que representa uma boa parte da opinião democrática portuguesa. Diz que Rio não ouve, não aceita opiniões críticas e não é capaz de definir uma política clara, que possa servir como contraponto às escolhas do governo actual.

Sendo assim, não deverá sobreviver para além das eleições legislativas deste ano, que se anunciam como uma derrocada para o PSD que dirige.

O que Teresa Morais não disse, é que Rui Rio deveria sair antes das eleições de 2019. Não o disse porque essa opção não está em cima da mesa. Ninguém parece disposto a iniciar um movimento interno que leve à contestação do líder.

Teremos, deste modo, um PSD que continuará em crise, mesmo depois da saída de cena de Rui Rio. O novo ou a nova líder encontrar-se-á numa situação complexa, com um grupo de deputados escolhidos de entre os fiéis de Rio. O costume, aqui como nos outros partidos, quando se trata de deputados: tudo a mandado do líder que estava no poder antes das eleições. De qualquer modo, parêntesis à parte, podemos esperar um cenário pós-eleitoral de conflito entre esses deputados e a nova liderança. Ou seja, o PSD, ou leva uma grande volta, ou está condenado a uma longa travessia do deserto.

 

publicado por victorangelo às 18:07

09
Mai 15

Sobre a mediocridade patente da política portuguesa, não há nada melhor do que prestar atenção às palavras de quem conhece os podres da coisa por dentro. Assim, não resisto à tentação de mencionar o que Rui Rio afirmou ontem, em público, em Famalicão.

Passo a citar Rio: "Continua a haver muita gente de qualidade na política, mas a quantidade dos que não têm qualidade é cada vez maior. Os de fraca qualidade são cada vez mais e os de qualidade são cada vez menos"

publicado por victorangelo às 17:01

10
Dez 13

Rui Rio tem sido mencionado na comunicação social e em iniciativas de amigos como um possível substituto de Passos Coelho à cabeça do PSD.

 

Hoje, veio dizer que não é candidato. Que acha que não é altura de pôr em causa a liderança actual do seu partido. Que isso iria destabilizar a governação, a execução das reformas em curso.

 

Fez-me pensar em António Costa. Também ele era dado como candidato à substituição de António José Seguro, no PS. Respondeu que esta não seria a altura de abrir uma rivalidade.

 

Ou seja, vamos continuar com Passos Coelho e Seguro, por um lado, e com rivais, por outro, que continuarão a personificar as respectivas oposições internas, mas sem dar o passo em decisivo, para já. Assim destabilizam de modo continuado por não quererem destabilizar num só dado momento, agora.

 

Com líderes assim, o PSD e o PS andam de facto com os nervos à flor da pele, sem que nada se clarifique de vez.

publicado por victorangelo às 19:57

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