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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

O ano novo e as velhas lições

Neste começo de ano, lembro a mim próprio o que a experiência me ensinou. Ou seja, perante a adversidade e os grandes reptos da vida, é fundamental manter a calma e ser guiado pelo bom senso na análise das soluções ou respostas possíveis.

Com todos os desafios que temos pela frente, parece-me importante não perder de vista essa linha de acção.

Um momento de passagem

Já cheira a fim do ano. Os meus amigos passam agora mais tempo a enviar mensagens de felicidades do que a tratar dos seus negócios. E dizem que acreditam que 2021 será um ano melhor do que este que está a acabar. Ainda bem que há esperança. Mas a verdade é que 2020 tem sido um ano histórico. Não por boas razões, mas histórico apesar de tudo. E temos a felicidade de o haver vivido e completado. Vamos, no futuro, poder falar do que aprendemos em 2020.

Entretanto, desejo a todos e a todas uma boa passagem de ano.

Uma campanha que não o é

Uma campanha de interesse nacional exige uma mobilização excepcional de meios. As razões são fáceis de entender: por ser vital para a protecção da saúde e a salvaguarda da vida dos cidadãos e por ser essencial para a restauração das actividades económicas.

Assim deveria ser com a campanha de vacinação contra a covid que agora deu o primeiro passo.

Mas aparentemente não está a ser tratada coma prioridade que deveria ter. Não vemos, como acontece noutros países da União Europeia, nenhuma logística especial a ser erguida. A decisão de pôr os centros de saúde no centro da campanha não inspira confiança alguma. Alguns desses centros pouco mais são do que vãos de escada, sem condições, sobrelotados, com funcionários que não têm mãos a medir, mesmo quando se trata de um funcionamento de rotina.

Pessoas de idade avançada, com mais de 75 anos, ao fazerem a simulação de quando poderá chegar a sua vez, receberam como resposta que serão vacinadas a partir de abril… Ou seja, um dia, no futuro longínquo, já depois do inverno e se tiverem sorte, que o vírus anda por aí aos pulos.

Acho surpreendente que os candidatos à eleição presidencial não façam cavalo de batalha deste tema. Há aqui, por parte do governo, uma muito séria falta de sentido de urgência. Um candidato presidencial não pode ignorar essa falha.

 

Hoje, 25 de Abril

Feliz Dia da Liberdade para todos.

Por mim, aprendi que os povos têm como grandes aspirações, acima de tudo, a liberdade, a dignidade e a segurança.

A liberdade permite voos ao sabor da vida e das ambições de cada um.

A dignidade significa o respeito pelos direitos individuais, incluindo a aceitação das diferenças.

A segurança começa pela igualdade de oportunidades, pela protecção perante os riscos, sejam eles de natureza económica, sanitária ou o resultado da violência de outros, bem como pela prática da justiça.

 

O debate entre a vida e a economia

Começou o debate que muitos temem: como encontrar a mancha de equilíbrio entre a luta contra a pandemia da Covid-19 e a preservação da economia? Estas são as duas grandes equações do momento.

A pandemia ameaça a vida de muitos. Quem sabe dessas coisas de surtos epidémicos diz-me que este ainda tem muita dimensão que permanece desconhecida. Pode evoluir num sentido ou no outro, segundo as oportunidades de contágio. Enquanto não houver vacina – uma perspectiva para 2021, dificilmente antes – teremos que recorrer ao distanciamento social e ao isolamento, para que o flagelo não se transforme numa calamidade geral.

Ora, tudo isso tem um impacto vastíssimo na economia. Sobretudo em certos sectores, que estão completamente paralisados e não têm perspectivas de recuperação visíveis no horizonte. Sem produção e sem comércio, sem rendimentos nem emprego, com os sistemas sociais a rebentar por todas as costuras, que modo de vida nos espera, durante um tempo relativamente longo? Como sobreviver numa economia de mercado, em que não há nem mercado nem dinheiro?

Trata-se de escolher perante um desafio que não tem paralelo na história da humanidade. Não se pode comparar à gripe de 1918 ou a outras epidemias, por um razão muito simples: o mundo é hoje, para estas coisas, uma simples aldeia, em que todos são vizinhos de todos.

Para mim, a opção primeira e absoluta é a da saúde pública. A vida de cada pessoa é um bem único, insubstituível. Deve ser preservada a todo o custo. Uma mobilização extrema de meios de combate à pandemia poderá fazer baixar a curva. É essencial. Mas não resolverá o risco. Para tratar do risco, a cooperação internacional em matéria de investigação laboratorial e de testes é fundamental. É preciso insistir nesta matéria da cooperação. Tem que se constituir uma aliança mundial que faça avançar a pesquisa a passos de gigante. Essa deveria ser umas das mensagens mais salientes que a OMS deveria repetir a todo o momento.

A economia tem que ser aberta aos poucos. Existem vários sectores que agora estão encerrados que poderiam ser autorizados. Voltarei ao assunto.

Boris Johnson, um caso preocupante

O Primeiro Ministro britânico, Boris Johnson, foi internado este serão nos cuidados intensivos. A notícia foi recebida como se fosse um terramoto político. Mas para além da política, o simbolismo que esse acontecimento gera é imenso e muito preocupante, para a generalidade das pessoas. Trata-se do dirigente de um país altamente desenvolvido. Se isso acontece a uma personalidade desse calibre, com todos os meios de tratamento à sua disposição, então, sim, estamos perante um vírus muito sério.

Cada um deve reflectir sobre este exemplo e procurar seguir as recomendações sanitárias escrupulosamente.

Fique em casa

Tinha marcado para hoje uma segunda injecção no joelho que não fora operado. A preocupação do médico especialista era bem clara. Não queria que eu fosse ao hospital onde opera, um hospital novo e tecnologicamente muito avançado, nem à clínica onde normalmente me recebe. Estes são agora locais perigosos para quem tem a minha idade. Devem ser evitados a todo o custo. Pediu-me, depois de dois telefonemas pessoais, que fosse a um determinado consultório, que é desinfectado a toda a hora. E eu lá fui. Recebeu-me de imediato, para me poupar uma permanência demasiado longa no local, e insistiu que eu deveria voltar para casa e ficar entre as quatro paredes. Não saia de casa, foi a frase de despedida. E eu fiquei uma vez mais convencido que a minha cara revela bem o peso da minha idade.

 

A minha luta contra o vírus

O termómetro cá de casa passou os últimos anos na gaveta dos remédios, em perfeito isolamento. Hoje, lembrei-me de pegar nele, não para matar saudades, mas para fazer um teste de temperatura. Não resultou. O termómetro havia transitado para o mundo dos objectos recicláveis.

Peguei em mim e fui à farmácia da esquina, para comprar um outro. A jovem ajudante farmacêutica olhou-me com um ar de quem olha para um ser vindo de um planeta distante e disse-me que termómetros, não há. Estão esgotados há semanas e nem sabe quando chegará uma nova remessa. Acrescentou, com a simpatia que lhe conheço de há muito, que não vale a pena que eu ande pelos cantos de Bruxelas à procura da coisa. Estão esgotados em toda a cidade.

Voltei para casa, e ao longo dos duzentos metros que me separam da farmácia, fiquei a pensar que o meu combate contra o famoso vírus fica agora em desvantagem. Também pensei que é difícil de perceber a razão para que uma coisa tão banal esteja indisponível. Isto do comércio da saúde tem que se lhe diga.

Ver e aprender

Os eleitores do Partido Democrata no Estado do Nevada estão, neste momento, a votar para escolher quem poderá ser o candidato presidencial do partido. Os resultados só serão conhecidos amanhã, em virtude da diferença horária com Lisboa. Mas já é claro que um dos temas que mais mobiliza é o que diz respeito à protecção na doença. O acesso a serviços de saúde é uma questão fundamental para os cidadãos, ali, noutros estados e noutras partes do mundo. Incluindo em Portugal. Nenhum político pode ignorar esse assunto.

O frio que por aí anda

Uma parte dos meus amigos em Portugal está com gripe. Alguns, com broncopneumonia. Sem contar, claro, com os que tremem de frio. Aqui, nestas terras mais gélidas do Norte da Europa, não tenho, nas minhas relações, quem esteja em situações similares.

Só posso desejar boa e rápida recuperação aos que dela precisam, nas terras lusas.

 

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