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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Onde está a direcção política da coisa?

Surgem cada vez mais queixas sobre a maneira pouco eficaz de execução da nossa campanha de vacinação contra a covid-19. A ineficiência traduz duas coisas. Uma, refere-se à maneira como funciona o Sistema Nacional de Saúde quando se trata de respostas organizadas – e não de tratamento de urgências. Por isso, muitos dos cidadãos com mais de 80 anos continuam por vacinar, sobretudo os que têm menos acesso a médicos de família ou a clínicos amigos. Como também continuam por vacinar muitos dos maiores de 50 com doenças crónicas, mas pouco ou nenhum seguimento médico.

Por outro lado, a definição dos grupos profissionais prioritários continua a não incluir os professores e o pessoal de apoio ao sistema de ensino. E as escolas permanecem encerradas.

Para além das questões organizacionais, há aqui uma questão política que precisa de ser encarada de frente. A covid não é apenas um problema de saúde pública. É uma emergência nacional. Tem várias dimensões. Por isso requer uma direcção política de topo.

Vacinar, vacinar, vacinar

O meu texto de ontem voltava a sublinhar a urgência das campanhas de vacinação. E a importância de se utilizarem todas as vacinas disponíveis. É óbvio que não me esqueço das dificuldades que existem em termos de produção de quantidades astronómicas de vacinas, desde a vacina a tudo o resto – frascos, embalagens, sistemas de refrigeração, a logística da distribuição, as seringas, etc. Mas todas as atenções devem estar focadas nisso. Andar a falar de passaportes vacinais quando uma grande parte da população não deverá estar vacinada no início do verão – se continuarmos ao ritmo a que vamos agora – parece-me uma distracção. Uma mais. E uma nova fonte de tensões, de desilusões e de perda de credibilidade.

A Europa e as vacinas russas e chinesas

Os líderes da União Europeia reuniram-se hoje por videoconferência. A principal conclusão que tiro da reunião é que eles compreendem que a campanha de vacinação não está a avançar ao ritmo que deveria. Uma das razões é certamente a falta de vacinas. As farmacêuticas ainda não têm capacidade para produzir vacinas em quantidades que correspondam à procura. Mas há outras questões. E não são apenas relativas ao atraso nas encomendas feitas por Bruxelas. Estão relacionadas com a fraca aceitação da vacina produzida por AstraZeneca – os governos criaram confusão nas cabeças dos europeus sobre a eficácia desta vacina –, bem como com questões políticas. Os europeus deveriam encomendar as versões russas e chinesas. É uma decisão de saúde pública. Não o querem fazer, não querem dar o braço a torcer, o que é um erro. A política não deve ser mais importante do que a vida das pessoas. A Hungria está a aplicar a vacina chinesa, à revelia da política europeia em relação ao assunto. Desta vez, tenho de dar razão a Viktor Orbán.  

Esta seria uma tarefa para o G20

https://www.dn.pt/opiniao/uma-vacina-contra-as-rivalidades-geopoliticas-13366109.html

O link acima abre o meu texto de hoje no Diário de Notícias. 

A mensagem fundamental é que o combate à pandemia deve ser global, incluir todos os que tenham meios para nele participar. Os países do G7, ao tentarem excluir a China e a Rússia de um processo coordenado de vacinação nos países mais pobres, estão a cometer um grande erro. Um erro que tem duas frentes: torna mais lenta e menos eficaz a imunização de todos; e não aproveita uma oportunidade de estabelecer uma plataforma de cooperação com essas duas potências. 

No final, perdem os povos que precisam e perderão os ocidentais,em termos de presença no mundo. A China, em particular, não vai esperar por nós. Irá fazer, sozinha, a sua diplomacia com base em campanhas de vacinação em África e noutras partes do globo. 

Confinadissimos

Vamos continuar confinados por mais e mais semanas. E com duas grandes ameaças: a falta de vacinas, com quantidades muito abaixo do que fora esperado; e o aparecimento de novas estirpes da pandemia, que poderão ser mais contagiosas e resistentes às vacinas disponíveis. A estas ameaças junta-se o impacto negativo de tudo isto sobre a economia. Por muito que se

diga, para menorizar a dimensão desse impacto, a verdade é que a economia está a trabalhar a meio gás. Sectores importantes continuam fechados e sem perspectivas de voltar a abrir nos próximos tempos. Por muita folga que a economia possa ter – que não tem – a realidade é que estamos a construir uma crise.

Na verdade, ninguém sabe ainda quando tempo irá durar este período de excepção. Há quem diga que o último trimestre do ano já será melhor, mais próximo do normal. Esta é uma suposição e nada mais, neste momento.

Entretanto, é fundamental aproveitar todas as vacinas disponíveis. A vacina russa, se se confirmar a sua eficácia, não deve ser excluída. Não há nenhuma outra razão para excluir excepto as razões científicas. A única prioridade é vacinar o maior número de pessoas tão rapidamente quanto possível. Ligada a esta prioridade está a questão da credibilidade de cada uma das vacinas disponíveis. É preciso manter a confiança das pessoas nas vacinas. Não se deve esquecer essa dimensão.

Tempos muito difíceis

Estes são os dias do cerco. As notícias sobre a epidemia – as novas estirpes, os níveis de contágio, a mortalidade, as histórias de muitos sobre as sequelas, as restrições à mobilidade, o impacto sobre a vida das pessoas e a economia, a lentidão na execução dos programas de vacinação, e mais e mais – estão a deixar muitos de nós profundamente alarmados. E cada dia que passa dá a impressão de que a epidemia está cada vez mais próxima do nosso círculo.

A verdade é que as semanas que aí vêm serão muito difíceis. A comunicação social tem um papel fundamental à sua frente. Há que contar a história, mostrar que um comportamento responsável vale a pena e, ao mesmo tempo, procurar manter um clima de serenidade.

A Suíça e Portugal

A minha colega Louisa C., cidadã suíça residente em Montreux, enviou-me uma mensagem este serão. Está contente, porque irá receber a primeira dose da vacina contra a covid a 26 de janeiro. A segunda será administrada 25 dias mais tarde. Tudo sem demoras, claro e certinho.

Louisa não tem qualquer problema de saúde. Tem apenas a mesma idade do que eu. Por isso, está no grupo prioritário.

Perguntava-me duas coisas. À primeira, disse que sim, que aceitarei ser vacinado. À segunda, respondi que não, que não tenho indicação alguma de quando será a minha vez. E mais não disse, pois ela sabe que eu vivo em Portugal.

A passo de caracol, com resignação

Uma das minhas vizinhas contou-me hoje que a sua mãe faleceu na semana passada por causa da pandemia. Faria 79 anos por estes dias. Esteve internada um pouco mais de uma semana no hospital aqui do bairro, o S. Francisco de Xavier. Internada é uma maneira de falar, pois passou mais tempo num dos corredores do que na enfermaria, por razões de sobrelotação.

Vi na maneira de me contar o acontecimento um certo grau de fatalidade. Aconteceu. Foi a covid-19. E pronto, como se morrer tivesse passado a fazer parte dos dias de agora.

A verdade é que os números diários são assustadores. E que a campanha de vacinação não é campanha nenhuma. 82 mil vacinados até agora faz pensar num ritmo de caracol. Como se isso não fosse a tarefa mais urgente que o serviço público deveria ter pela frente.

Os próprios candidatos à presidência passam ao lado desta urgência. Parecem não ter entendido que o nosso mundo mudou.

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