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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Não podemos aceitar que se baixem os braços

O fatalismo não pode ser uma filosofia de governação. Um governo a sério não pode baixar os braços e dizer apenas que as coisas vão estar muito difíceis nos próximos dias e nas semanas que aí vêm. Tem que propor soluções, fazer recomendações, liderar. É verdade que estamos à beira de um agravamento da crise pandémica. Mas há sempre maneira de mitigar as crises, no curto prazo. São essas medidas de aconselhamento, de prevenção e de mitigação que devem constituir o cerne da comunicação governamental. Constatar apenas que os casos irão aumentar e reconhecer que haverá um maior número de óbitos não é resposta. Um governo não se pode dar por vencido.

 

O momento e os dias que se seguem

A pandemia está, de novo, a paralisar a Europa. E estamos apenas no início do Outono. O que temos pela frente, nas próximas semanas e nos meses que se seguirão, é a continuação do abrandamento das actividades económicas, com vários sectores fechados ou a funcionar a lume muito ténue, com a saúde pública a ser incapaz de responder aos múltiplos desafios, bem como a um agravamento das crises psicológicas e mentais. Sem esquecer os riscos de crise política. A pandemia acabará por minar a credibilidade de muitos governos. Se eu estivesse no poder, daria uma atenção muito especial a esse risco. Numa situação de grande complexidade, é preciso manter uma liderança clara e saber falar aos cidadãos. Estamos num daqueles momentos em que a comunicação bem feita é essencial.

No meio da tempestade

Há neste momento uma conjugação de crises que não é de bom augúrio.

Na Europa, temos o plano de resiliência que está em risco. A posição da Polónia, que não quer ver as questões da democracia e do estado de direito incluídas no plano como condicionalidades para a atribuição de fundos, poderá atrasar a aprovação do pacote de emergência e mesmo do orçamento europeu. Para os dirigentes polacos, gente extremamente conservadora, a manutenção do seu controlo das alavancas do poder é mais importante do que o dinheiro que possa vir de Bruxelas.

Temos ainda o impasse com os britânicos. O período de transição está a terminar e não parece ser possível chegar a um acordo que trate das relações futuras entre a União Europeia e o Reino Unido. A questão da pesca é um obstáculo maior. Nessa matéria, o presidente francês não pode dar a impressão que não defende os interesses dos pescadores do seu país. Não sei como vão descalçar esta bota. Sei, no entanto, que a ausência de acordo entre as partes provocará uma quebra significativa nas relações económicas. Isto numa altura em que as economias já estão debaixo de um grande stress.

Temos o covid fora de controlo. Para além das implicações em termos de saúde pública, haverá que fazer frente a uma crise económica e social enorme. As medidas de mitigação que os governos europeus estão a adoptar têm custos financeiros enormes. O endividamento dos estados provocará, mais cedo ou mais tarde, um aumento inédito dos impostos bem como medidas extremas de contenção de outras despesas.

E para culminar, temos a crise política que se está a preparar nos Estados Unidos. Tudo poderá acontecer, uma vez conhecidos os resultados eleitorais. Incluindo uma enorme confrontação entre os dois lados. Alguém me dizia hoje que se sente mais insegura agora, em Nova Iorque, do que quando acompanhava eleições num ou outro país africano.

Tudo isto quando o outono é ainda menino.

A pandemia e os seus custos políticos

A pandemia volta a ser a preocupação número um dos governos europeus. Temos a questão da saúde pública. Temos igualmente a dimensão económica e a insegurança que provoca no dia-a-dia das famílias. Temos ainda a dimensão política. Vários governos parecem não ter uma resposta credível e eficaz.Navegam ao acaso. E isso tem custos políticos importantes. Para quem está no poder, essa dimensão é particularmente importante.

 

Preocupações e uma nova política

Neste final de agosto, uma sondagem realizada por encomenda do jornal Le Figaro revela que 8 franceses em cada 10 estão preocupados com a situação sanitária que existe no país e a maneira como está a evoluir. O mesmo número de inquiridos vê com inquietação o comportamento da economia, as dificuldades que as empresas têm pela frente e a crescente deterioração do poder de compra. Estas duas apreensões traduzem uma visão realista dos próximos tempos. Existem, igualmente, noutros países da UE. Na verdade, há que estar preocupado e pensar na política de uma forma diferente, uma política que una o maior número de cidadãos no combate às crises.

E em Portugal, que podemos dizer sobre isto?

 

Contingências

Continuo sem entender a razão que levou o Conselho de Ministros a anunciar que será declarado um estado de contingência para todo o país a partir de 15 de setembro. A isso acrescentou que ainda não decidiu que medidas estarão incluídas na contingência. Essas medidas só serão decididas uma semana antes.

Temos aqui várias questões.

 Primeiro, os dados actuais mostram que há um aceleramento do número de contágios. Conviria que houvesse um apelo público do Primeiro Ministro para lembrar as medidas e os comportamentos que se esperam dos cidadãos. Seria uma chamada de atenção, apresentada como um acto de confiança no sentido cívico dos cidadãos.

Segundo, o anúncio de um futuro regime de contingência é um desencorajamento para potenciais turistas que estariam a planear uma visita a Portugal para a segunda metade de setembro. O impacto disto na economia do turismo é evidente.

Terceiro, estas decisões precisam de ser bem explicadas à população. A senhora ministra não o conseguiu fazer. Não sei qual é a explicação. Mas fica a impressão que a coisa não foi discutida a fundo na reunião do Conselho de Ministros. Ou então, que se trata de uma jogada política e que não se quis abrir o jogo.

O Presidente, entretanto, fez um comentário de alinhamento total com o governo. Não parece bem. Deveria dizer apenas que se o governo decretar a emergência haverá que a cumprir. O Presidente fala demais e sobre matérias que são da exclusiva responsabilidade do governo.

Quem fala pouco ou nada é o chefe do PSD. É um exemplo de uma oposição sem posições.

A situação continua a ser muito grave

Os números de infectados pela pandemia estão de novo a subir, em vários países europeus. Estes surtos têm levado à adopção de medidas de controlo e a decisões sobre quarentenas que não estão a ser bem recebidas pelas populações. No Reino Unido, por exemplo, as alterações de um dia para o outro, no que diz respeito à necessidade de quarentenas, tem baralhado as pessoas, afectado os mercados financeiros e criado novas dificuldades para áreas importantes da economia. Também provocam tensões políticas entre Londres e outras capitais europeias.

A verdade é que a pandemia continua activa e que a prudência deve ser a linha mestra a guiar a actuação de cada um de nós. É igualmente verdade que os impactos ao nível económico e psicológico são enormes. Estamos a entrar num processo de ruína, para muitas empresas. A duração da crise torna a recuperação muito mais difícil. E acabará por ter uma influência muito negativa nas finanças públicas e na solvabilidade do sistema bancário. Os bancos estão a acumular créditos incobráveis. As garantias desses créditos são projectos inacabados e impossíveis de transformar em dinheiro.  

Ao nível psicológico, preocupa-me sobremaneira as crianças que não podem ir à escola e que estão isoladas nas suas habitações, com pouco ou nenhum contacto com outras crianças das suas idades.

Temos que estar cientes que o choque é enorme e que vai demorar um tempo longo para poder ser absorvido. Assim, quanto mais responsáveis e cuidadosos formos no nosso dia a dia e nas nossas actividades sociais melhor. É a contribuição que se espera de cada um.

É preciso formular um plano coerente

Vários países europeus já elaboraram um plano económico de recuperação e de transição. Não ficaram à espera da aprovação dos fundos e das modalidades propostas pela Comissão Europeia. Definiram as suas prioridades e aprovaram somas colossais para financiar as prioridades identificadas. Uma análise rápida desses planos mostra quais são os sectores considerados como merecendo uma atenção muito especial. São os chamados sectores estratégicos. Vejo seis, que aparecem de uma maneira ou outra na visão do futuro: a promoção da economia digital, o reforço da segurança cibernética, a modernização dos sistemas de educação, a expansão dos serviços de saúde pública, a revolução energética e a facilitação da mobilidade dos cidadãos, dos produtos industriais e dos serviços.

Os Estados membros que já definiram esses planos de acção colocaram-se na linha da frente. Para além dos recursos próprios, irão ser dos primeiros a beneficiar dos fundos europeus que venham a ser aprovados. Os outros, incluindo Portugal, andam a fazer politiquices em vez de planeamento. Confundem reuniões, incluindo as de alto nível, com a necessidade de definir políticas de retoma e de transformação. Esquecem-se, também, que sem planos coerentes não haverá acesso à nova facilidade europeia de financiamento.

Será que é difícil de compreender como se deve trabalhar, quando se trata de obter recursos excepcionais, susceptíveis de dar a volta à crise económica?

 

Abrir um postigo não é solução

Abrir as portas do espaço Schengen aos cidadãos de uma quinzena de países, como deverá ser decidido amanhã, é pouco. Não servirá para grande coisa, para além de mostrar que a crise irá continuar. O mundo não pode continuar fechado durante muito mais tempo. É fundamental aplicar outras medidas de prevenção, que não sejam o fecho das fronteiras e as quarentenas aplicáveis a todo e qualquer um. Testes expeditos, controlos de temperatura, seguimento dos casos suspeitos, promoção de comportamentos responsáveis, harmonização das políticas de saúde ao nível mundial, tem que haver maneira de encontrar um equilíbrio entre a pandemia e o funcionamento das relações internacionais, entre a prudência e a revitalização das economias. Cada dia que foge e que mantém a interdição de viajar para além da nossa vizinhança política é mais um passo para o abismo económico e social. O bloqueio sem esperança nem horizonte é um falhanço da comunidade internacional.

Andamos a fugir do problema

O governo de António Costa está ausente, na fase actual da pandemia em Portugal. Os comportamentos de risco têm estado a aumentar e nada é feito para lhes pôr termo. É preciso lembrar aos cidadãos que o perigo ainda não passou. Como também é necessário punir quem organiza festas como a que aconteceu em Lagos. A inacção governamental é baseada numa premissa idiota, a de que, se não se levantar a lebre, o país irá receber milhares e milhares de turistas. Só que a lebre é espantada por outros, nas terras que nos poderiam enviar alguns turistas. Aí, Portugal aparece pintado a vermelho.

Também foi de um absurdo sem limites dizer que a final do campeonato da UEFA, ao ser jogada à porta fechada em Lisboa, em Agosto, é um sinal de reconhecimento e um prémio dado ao pessoal do sector da saúde. Ao dizer-se isso, ou se está a gozar com esses profissionais ou se vende tudo o que brilha como se fosse um diamante. Na esperança, claro, de ganhar pontos. É o superficialismo como forma de fazer governação.

Isso é do lado do governo. Do lado dos outros, até parece que deixou de haver política. Os partidos e os seus líderes andam a apanhar bonés. Ou então, a preparar as férias do Verão. A verdade é que desapareceram do mapa.

Estamos bem entregues, como diria o outro.  

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