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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Democracia avançada e não meramente formal

https://www.dn.pt/opiniao/grandes-problemas-pedem-grandes-solucoes-14488326.html

Este é o link para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. 

A tese essencial é a seguinte: perante os enormes desafios que temos pela frente, digitais, ambientais, pobreza, competição internacional, segurança, etc, as democracias devem ser governadas por coligações tão amplas quanto possível.

Convido-vos a ler o texto. 

O G7, a Rússia e a crise na fronteira da Ucrânia

A reunião de hoje dos ministros dos negócios estrangeiros do G7 foi convocada a título extraordinário. A ordem do dia tinha apenas um ponto, coordenar a resposta que será dada caso a Rússia venha a intervir militarmente na Ucrânia. 

O carácter excepcional e urgente deste encontro deixa entender a gravidade da crise.

As últimas declarações do Presidente Vladimir Putin, que afirmou que no Leste da Ucrânia estaríamos perante o desenrolar de um genocídio dos russo-falantes, acrescentaram um nível adicional de preocupação. A referência manipuladora e mentirosa a um genocídio que não existe é um primeiro passo para criar uma ficção e justificar a acção militar. Depois dessas palavras, ficou mais claro que Putin se prepara para invadir e anexar a região ucraniana de Donbas. Se isso se concretizar, teremos na Europa uma crise de grande envergadura. 

 

 

Os controlos idiotas, numa estranha concepção do trabalho policial

Um amigo meu conta hoje na sua página do Facebook que foi multado por ter no carro três bisnagas de aplicação de silicone sem factura. O valor das bisnagas, acrescenta, era de cerca de 6 euros. A multa foi de 340 euros. O absurdo tem um preço elevado, diria eu, como conclusão. O absurdo oficial, claro.

Além disso, trata-se de controlos inúteis, como muitos dos controlos que a GNR e a PSP fazem. Praticam ambas as corporações uma concepção do trabalho de polícia que é a de fazer operações stop à brava, perto das esquadras e dos aquartelamentos. É um policiamento barato, excepto nas multas. E não deixa tempo para um controlo mais rigoroso da segurança nos transportes públicos, nos bairros problemáticos, no patrulhamento das ruas e dos parques, etc. Ou nas estradas, no que respeita à velocidade, às manobras perigosas, à alta de respeito pelas passadeiras de peões, ao estacionamento que corta a visibilidade e traz perigo, etc.

A crescente criminalidade atinge os cidadãos mais pobres

Nas diferentes campanhas para as eleições autárquicas ter-se-á falado de muita coisa, mas não se falou da insegurança que muitos cidadãos experimentam, diariamente, em vários bairros das grandes cidades bem como nas periferias das grandes aglomerações urbanas. Uma leitura atenta dos incidentes que alguma comunicação social vai notando e depois de várias conversas com pessoas que vivem em zonas mais densamente povoadas – e mais expostas ao pequeno crime, a assaltos, a roubos de peças de automóveis, a vários tipos de vandalismo, a intimidações vindas de grupos violentos, etc – deixam claro que há um sério problema de criminalidade no país. E que a tendência das autoridades é a de varrer isso para debaixo do tapete que tudo esconde.

Temos, no entanto, um número elevado de polícias e de GNRs por 100 mil habitantes. Mas a questão não essa, nem apenas a falta de coordenação táctica entre estas duas forças. Há um problema de direcção política ao nível do Ministério da Administração Interna e um muito sério problema na área do funcionamento da justiça. Tudo isto leva o cidadão violento a pensar que o crime sempre tem algum grau de compensação, em Portugal.

O Bojador

Hoje, o novo navio da GNR, o Bojador, que tanta polémica tem levantado, andou a praticar navegação durante horas. Ora saía, ora entrava na Docapesca, depois viajava em direcção ao Mar da Palha e voltava de seguida para trás. Foram várias horas de manobras, claramente a aprender a mexer na máquina.

Publiquei as fotos no FB. Sem comentários.

 

Liderar é saber escolher entre opções difíceis

https://www.dn.pt/opiniao/horizontes-e-equilibrios-europeus-13499513.html

O meu texto de hoje - desta semana - no Diário de Notícias pode ser lido na página acima mecionada. 

Transcrevo de seguida o último parágrafo do meu texto.

"A redefinição do papel da NATO é necessária. O horizonte que temos pela frente é muito diferente do passado. Convém, no entanto, que nos interroguemos sobre qual deverá ser, na verdade, o nosso espaço prioritário de defesa. Também convirá debater qual é o ponto de equilíbrio entre uma Europa virada para um futuro euro-asiático e a história do nosso engajamento euro-atlântico. Vejo aqui duas variáveis que devem ser equacionadas. Uma tem a ver com o nosso relacionamento a prazo com a Rússia. Vladimir Putin não é eterno. A Rússia faz parte da nossa vizinhança estratégica, das nossas complementaridades económicas e das nossas referências culturais. A outra diz respeito à autonomia de defesa e segurança da UE. Deve ser objeto de reforço permanente, sem, todavia, pôr em causa os nossos compromissos históricos com a Aliança Atlântica. Tempos de incertezas exigem que saibamos claramente que equilíbrios manter, e que caminho escolher. Trata-se de combinar coragem com visão."

 

Uma cimeira para fingir que sim

O Primeiro-Ministro fez hoje uma intervenção, por videoconferência, na cimeira dos cinco países do Sahel que procuram, juntos, responder aos problemas do terrorismo e da violência na região. Falou porque Portugal ocupa a presidência rotativa da União Europeia. Foi uma comunicação breve, de pouco mais de sete minutos, diplomaticamente acertada. Foi uma oportunidade de pôr em evidência o interesse que Portugal tem pela região.

O problema é que estas cimeiras públicas não vão direitas aos problemas. Mesmo quando se faz referência às questões de contexto, que estão na base destas crises, a referência é feita de passagem, sem as interrogações que deveriam provocar um debate a sério. Cada discurso é apenas isso, um discurso, e depois cada um vai à sua vida e tudo continua na mesma. Ou seja, no caso do Sahel, muito mal, quer para os que sofrem os ataques quer ainda para os seis milhões de pessoas que foram empurradas para a pobreza e os dois milhões de deslocados, tudo por causa da insegurança, da falta de respeito pelos direitos humanos e pela indiferença que os líderes manifestam em relação aos cidadãos mais fracos.

As lanchas e os políticos a boiar

As “lanchas da GNR”, como os jornais lhes chamam, têm provocado muita polémica nestes últimos dias. O Diário de Notícias tem procurado tratar o assunto de maneira equilibrada. Não é fácil. É um tema que levanta grandes emoções, de um lado e do outro. Se se pedir a opinião de um almirante, os argumentos são a favor da Marinha. Se o entrevistado for um general do exército, a conversa vai para a defesa do papel da GNR. Ou seja, falta objectividade à discussão. Uma discussão que deve ser sobretudo política. Os almirantes e os generais devem ser ouvidos com muita atenção. Mas quem precisa de se fazer ouvir são os políticos.

É verdade que o Ministro da Defesa já publicou, no DN do sábado passado, 21 de novembro, a sua posição sobre o assunto. Mas é apenas um ponto de vista. Enquanto ministro da área da Marinha, não podia escrever outra coisa para além de um apoio a um serviço que tutela. O texto, se fosse dissecado a sério, levantaria um certo número de questões.

O Ministro da Administração Interna, que tem a responsabilidade política relativa à GNR, nada disse, até agora. Parece que só o fará em janeiro de 2021. Não sei se será capaz de se manter silencioso durante tantas semanas.

Não me parece boa política manter a polémica por muito tempo.

Este é um assunto estratégico, pois tem de ver com o nexo que deve existir entre as forças militares e os serviços de segurança. Além disso, é delicado porque temos muitos anos de prática de certos hábitos operacionais que levaram as instituições a ocupar o espaço de acção, com mais ou menos sucesso, com mais ou menos habilidade mediática. É também delicado porque existe uma grande dispersão e fragmentação ao nível das forças de segurança. Muitos políticos têm fugido a uma discussão a sério do papel de uns e dos outros. Têm medo dos custos eleitorais de uma tomada de decisão clarificadora. Por isso, têm deixado andar.

Há uns anos, num seminário nacional sobre as polícias, emiti a opinião, apoiado em exemplos de outros países europeus, que era necessário racionalizar a organização da segurança nacional e equacionar a sério uma conjugação institucional de esforços. Ou seja, repensar o modelo existente, que é composto por vários tipos de forças de segurança.

Ia sendo comido vivo pelos que achavam e continuam a defender que a actual dispersão de funções, recursos e esforços é que está bem. Custa um fortuna, não é a maneira mais eficaz de proceder, mas está bem e não se deve falar de mudanças.

Foi aí que percebi que o campo está minado. Deveria caber aos dirigentes políticos proceder à desminagem. Não acredito que o façam nos tempos mais próximos.

A Europa e os Estados Unidos: pensar o futuro

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/07-nov-2020/estados-unidos-depois-da-confusao-13008375.html

Este é o link para o texto que hoje publico no Diário de Notícias, edição em papel. 

Foi um texto difícil de escrever, pois na altura da escrita ainda não era claro o que iria acontecer. Agora, com Joe Biden declarado vencedor, o texto torna-se mais actual. O debate sobre o futuro das relações entre os Estados Unidos e a Europa não se deve resumir a declarações ocas de amizade mútua. Tem que ser visto numa perspectiva de longo prazo e não esquecer que os Estados Unidos estão cada vez mais afastados da realidade europeia. 

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