Portugal é grande quando abre horizontes

22
Fev 19

As pessoas que podemos considerar como pertencendo às elites gostam de repetir que vivemos numa época muito interessante e estimulante. Os que vivem de rendimentos dos sectores financeiros, ou estão ligados às actividades das grandes multinacionais, dizem-no ainda com mais entusiasmo. É aí que encontramos os grandes defensores da internacionalização das economias e da liberalização do comércio mundial. E da revolução digital, que traz ao seus mundos ganhos de eficiência, de flexibilidade e de tempo.

As elites são gente que sorri.

Na sua euforia, esquecem-se dos outros. De quem não tem as qualificações necessárias para acompanhar as transformações científicas e tecnológicas. Dos que ficam para trás. Dos que olham para o presente e antevêem o futuro com imensa preocupação e uma grande dose de pessimismo.

Os outros. As pessoas que perdem, ou sobrevivem, apenas. Gente que quando ouve globalização lhes soa a exclusão. Gente com dúvidas e muito medo.

Cabe aos líderes políticos responder a esses receios. Ou seja, encontrar o equilíbrio entre um mundo mais aberto, e em renovação acelerada, e a salvaguarda dos interesses e da dignidade de todos os cidadãos. Em particular os que a vida, por uma variedade de razões, foi deixando à beira do caminho do futuro.

O ponto de partida, para os políticos, deve ser simples. Dito em poucas palavras, isso significa ter claro, nas suas mentes, que a transformação tecnológica da economia, a inovação acelerada com base na Inteligência Artificial e a abertura ao mundo não podem ser feitas à custa da marginalização de camadas significativas das nossas populações europeias. O discurso político e os planos de acção, aos níveis nacional e europeu, têm que se concentrar nas questões de inclusão. Para além da educação e da formação contínua, e da informação inteligente, as políticas devem promover novas formas de estar em sociedade, de se ser socialmente respeitado. Tem que se ganhar um novo entendimento do que significa ser-se socialmente útil. Isto inclui o engenho de novas maneiras de assegurar um mínimo de rendimento mensal aos que possam ter mais dificuldade em inserirem-se no mundo novo.

Tudo isto, sem tirar a cada pessoa a responsabilidade individual, que é sua, perante o seu destino.

A ideia é clara. O futuro constrói-se à força de braços, indivíduo a indivíduo, família a família, mas não só. Precisa de um quadro político que tenha em conta as variáveis do mundo de agora. Aí, entram as lideranças políticas e os seus deveres.

 

 

publicado por victorangelo às 11:51

19
Fev 19

Tenho um amigo chegado que é um verdadeiro caçador de vírgulas. Passa o tempo a tratar de minudências. Somos muito diferentes, mas gosto de estar com ele de vez em quando. Nessas alturas, volto a lembrar-me que na vida e na política, a falta de uma vírgula altera o sentido e a forma. Ora, o sentido e a forma são fundamentais para que não surjam equívocos. E para manter o respeito.

publicado por victorangelo às 20:32

31
Dez 18

Foi um tempo complicado. Há anos assim. Apesar de tudo, termino a coisa com calma, lendo umas notas sobre o taoísmo. Que se podem resumir muito simplesmente em três pequenas frases: continuar a viver os dias que passam; manter uma conexão positiva com as pessoas que contam; procurar sorrir perante o que a vida nos vai trazendo.

Bom fim de ano.

publicado por victorangelo às 17:45

21
Jan 18

Em matéria de política, a noção de “consenso” parece-me pouco dinâmica. Creio que será sempre melhor falar em acordos, em plataformas negociadas, em compromissos convergentes, em pactos programáticos que sejam o ponto de encontro das maneiras de ver os vários interesses que definem a sociedade portuguesa. Assim, cada um luta pelo que lhe parece mais apropriado, mais próximo das causas que defende, e depois chega-se a um equilíbrio entre duas ou mais partes. Passa-se, então, a um pacote de acções concertadas ou comuns.

publicado por victorangelo às 20:40

16
Jul 17

Na semana que passou, o Tribunal Europeu de Direitos Humanos aprovou de modo unânime uma sentença que reconheceu ao governo da Bélgica a legitimidade para proibir o Niqab – o véu que cobre a cara e só deixa ver os olhos das mulheres que o utilizam – nos lugares públicos.

A argumentação teve em conta questões de segurança, de igualdade entre os homens e as mulheres e o imperativo da integração de cada pessoa na sociedade a que pertence. Se a sociedade não aceita, como é o caso da Bélgica, o Niqab, o Tribunal achou que haveria que ter esse facto em linha de conta.

A decisão procurou assim fazer o equilíbrio entre os direitos individuais e as exigências que decorrem da vida em sociedade. E deu, em grande medida, muita importância à questão do “viver com os outros”.

Estamos perante um contributo importante para a questão da diversidade de culturas na Europa. Esse assunto precisa, cada vez mais, de ser encarado de modo aprofundado, nas suas diferentes facetas e tendo em conta o que significa, nos dias de hoje, pertencer a uma nacionalidade europeia.

publicado por victorangelo às 21:51

20
Out 15

O crescimento económico é a única ambição que conta, quando o país é pobre, quando a economia é insuficiente para financiar um nível de bem-estar social aceitável. Falar em repartir o que não existe em quantidade suficiente é pura demagogia, poeira lançada aos olhos dos crédulos.


Num modelo económico como o nosso, o crescimento da economia passa, acima de tudo, pela promoção do investimento privado e pela qualificação dos trabalhadores, de modo a que possam responder às exigências de um sistema produtivo moderno e competitivo.


O investimento tem que ver com a confiança política e a previsibilidade. Ninguém investe num clima de incertezas políticas, de ameaças ao sector privado. Também não se investe a sério quando a linha política é feita de ziguezagues e sustentada com base em acordos com correntes políticas contrárias ao bom funcionamento do sector privado.
Por outro, a competitividade não pode ser entendida nem funcionar com base em salários desvalorizados e em relações laborais precárias. Competitividade em 2015 significa conhecimentos, preparação profissional, aptidões académicas, estabilidade de emprego.


Assim se constrói o futuro. E assim se denuncia quem tem ideias erradas e anda a tentar enganar a opinião pública.

 

publicado por victorangelo às 22:19

29
Set 15

Fui hoje ao mercado da Ajuda, aqui em Lisboa, a dois ou três passos do sítio onde moro.


Vou lá de vez em quando. Hoje notei que várias das bancas estão livres, abandonadas, por já não haver quem esteja interessado no seu aluguer. Estimo que cerca de metade do mercado esteja nesse estado, como se fosse um projecto em vias de desaparecimento. Há menos vendedores e a clientela é relativamente idosa e com pouco poder de compra.


E também há, nas redondezas, uma proliferação de pequenos supermercados, que ajudam a dar uns tiros na sobrevivência do mercado tradicional.

publicado por victorangelo às 22:22

07
Set 15

A comunicação social marca a agenda política, define as prioridades. Mesmo nestes tempos que são de vésperas de eleições. E, ao que parece, a questão fundamental, neste Portugal de setembro de 2015, centra-se numa interrogação profunda: o homem vai falar antes ou depois das legislativas?


Abençoado o país que tem essa questão como o foco das preocupações.


Por isso, ontem ao fim do dia, recebi uma chamada de um diário de referência que queria saber a minha opinião sobre o assunto. E ela lá está, com todas as letras, bem impressa, ao lado de mais uma série de opiniões de gente mais ou menos ilustre.


Isto, mais o Sol do dia de hoje, faz de nós um povo no caminho certo.

 

publicado por victorangelo às 22:03

21
Jul 15

Alguém da família mais directa precisava de renovar o cartão de cidadão. Tinha agendado uma hora, esta tarde, para o fazer. E assim foi. Deslocou-se aos serviços de Registo e Notariado na Avenida Fontes Pereira de Melo, em Lisboa. Há hora prevista, foi chamada pelo nome e a renovação foi efectuada, sem demoras nem complicações.

Fiquei surpreendido como a eficácia. E satisfeito, porque é assim que os serviços públicos devem funcionar.

publicado por victorangelo às 22:05

17
Jul 15

Fora dos meses de Estio, a minha vida não me permite ver os canais de televisão portugueses. Tal só é normalmente possível a partir de finais de junho de cada ano.

Estamos, pois, na altura em que espreito umas coisas nos nossos ecrãs.

E chego facilmente a uma conclusão: os patrões dos programas televisivos portuguese tratam os portugueses como sendo burros.

Nos canais generalistas, o nível da programação é meramente imbecil. E nos canais sujeitos a pagamento, os chamados de cabo, ou se fala horas a fio de futebol, no sentido mais rasca deste desporto, ou então aparece uma sucessão de comentadores, uns mais exaltados do que os outros, mas tudo da mesma estirpe intelectual, ou seja, um conjunto e uma séria de fala-baratos a repetir as mesmas coisas e os lugares comuns habituais, sem qual sombra de profundidade, de ponderação, enfim, uns analistas que não passariam nenhum teste de habilidade numa maneira mais séria de encarar a opinião pública.

Por isso, espreito apenas. E desligo poucos minutos depois.

 

publicado por victorangelo às 13:01

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