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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Nós e os nossos farsantes

Uma boa parte da nossa política é uma farsa triste. E uma das habilidades dos farsantes é a de nos fazer acreditar em trapaças e falácias. Uma delas é que eles andam nisto por causa do bem comum, por dedicação. Quantos portugueses haverá que acreditem nisso?

Quando falo da nossa farsa triste, não pensem que fico resignado. A política praticada dessa maneira é inaceitável e cada um deve procurar ajudar a mudar a coisa. Poderíamos ter um país formidável, se a classe política sentisse que há pressão, a vários níveis, para que as coisas funcionem melhor e com mais visão.

Haverá, também que desmascarar algumas falácias, que eles conseguiram meter na cabeça dos cidadãos. Quais? Deixo, para já, a pergunta.

Você disse "ordem liberal"?

Não entendo o que querem dizer certos intelectuais, quando falam da “nossa ordem liberal” e que esta estaria a ser atacada em vários países da União Europeia. Liberal é um conceito americano, para caracterizar quem é mais progressista, perante a massa conservadora, tradicionalmente Republicana.Na Europa, liberal é uma espécie de filosofia política, mal definida, mas que pretende indicar uma opção por governos menos intervenientes nas esferas económicas e sociais. Mas, fora de tudo isso, a “ordem liberal” é o quê?

Para além da resposta que possa ser dada, quero desde já acrescentar que o que me interessa é a democracia, a liberdade de opinião, o respeito pelas minorias, o equilíbrio de poderes, o bom funcionamento das instituições e a existência de uma sociedade civil dinâmica e diversa. É por essas bitolas que meço a qualidade da governação em cada um dos Estados da UE.

Chamo a isso democracia participativa, por oposição à democracia de fachada. É a democracia participativa que está sob ameaça em vários países europeus. A democracia de fachada utiliza o voto popular, manipula as eleições, infiltra a comunicação social, para garantir a perenidade de alguns dos nossos pequenos ditadores e das suas cliques de clientes.  

 

 

 

Combater o radicalismo

A radicalização de posições faz mal à política. Um país, Portugal, por exemplo, tem sempre um tecido social diverso, por muito forte que seja a identidade nacional. Aliás, o próprio conceito de identidade nacional, em vários dos Estados da Europa Ocidental, é cada vez mais difícil de definir. Voltarei a essa reflexão um destes dias. Agora, concentro-me na diversidade de interesses e de opiniões que existe em cada sociedade. E que deve ser respeitada.

O papel dos actores políticos só pode ser o de tentar encontrar áreas de entendimento entre os diferentes segmentos da sociedade.  Nenhum país medra se passa o tempo em guerra civil consigo próprio. Apostar na divisão e no ataque sistemático contra os que pensam de outra maneira é má política, é coisa do passado. Liderar é saber construir consensos, erguer as bandeiras que contam para a maioria e ter a coragem de propor plataformas abrangentes. Liderar é unir e garantir o progresso colectivo.

Este blog não se cansará de repetir a mensagem da convergência. Como também não deixará de criticar os radicais que andam nas praças públicas e que se acham senhores da verdade. Infelizmente, temos uma boa colecção deles. E vemos, com preocupação, que fazem mais ruído e captam mais atenção do que lhes seria devido. Mas não há razões para hesitar nem para que nos deixemos atemorizar.

Um radical é um simples de espírito, uma pessoa de uma ideia só. Não creio que seja difícil demonstrar que essa simplificação do argumento não é resposta que se possa aceitar.

Também existe uma política limpa

As notícias dos últimos dias, sobre corrupção em larga escala e todas as suas ramificações, têm levado alguns dos meus amigos e conhecidos a dizer que os políticos são todos uma boa porcaria. Uns mãos sujas, de tanto as meterem no saco dos dinheiros públicos.

Perante isso, e aceitando que haja muito motivo para muita indignação, queria aqui pedir que não se generalizasse. Ainda há gente que anda na política por acreditar em ideais e por dedicação às causas públicas. Ainda há quem lute pelo bem comum.

O que é fundamental é que haja separação de poderes na vida política, instituições fortes e eficazes, e muita transparência. A corrupção começa a aparecer quando essas coisas falham e quando o poder é apropriado por caciques, por sociedades secretas e por oportunistas, os fulanos e as fulanas que vivem à sombra dos chefes eternos

O caos em muitas das escolas públicas

 

Os governos das últimas décadas deixaram a indisciplina instalar-se em muitas das escolas públicas. Muitos dos alunos fazem apenas o que lhes passa na real gana. Não se aplicam, não estudam, não sabem escrever e falar português, não respeitam nada nem ninguém. É o caos à solta. Serão, quando chegarem à vida adulta, incapazes de se adaptar às exigências do progresso e de uma vida social produtiva. Andarão por aí, a arrastar a sua indigência e o incivismo que aprenderam nas escolas.

 

O impacto de tudo isto no futuro de Portugal é imenso. A culpa terá que ser atribuída aos que assumiram responsabilidades políticas nos últimos vinte ou trinta anos e que não tiveram a coragem de agarrar o problema. A sua incompetência, falta de coragem, de patriotismo e o oportunismo político que os inspiraram irão custar muito caro ao nosso país.

 

A força da sociedade civil

Estamos a assistir a abusos sistemáticos do poder político. Mesmo em países com regimes democráticos. Essa é uma das dimensões da crise das democracias, um facto novo e verdadeiro..

O abuso do poder é claro. Uma vez eleitos, os líderes comportam-se de modo inaceitável. Como se estivessem acima das leis e de cada um de nós.

Uns, agem como se a sua eleição lhes permitisse um nível de autoridade absoluto, acima do normal funcionamento das instituições. Comportam-se como uma espécie de ditadores com cores democratas. A sua legitimidade é apresentada como sendo superior à usufruída pelas outras instituições da governação. Outros, aproveitam o poder para criar uma base populista. A posição que ocupam é permanentemente usada para alienar as massas populares, para mentir e criar ameaças e medos que não têm razão de existir mas que servem como base de consolidação do seu poder pessoal. É uma maneira moderna de dar um sentido divino ao seu papel de governantes.

Se os outros pilares da governação não conseguem responder a estas usurpações do poder – e a verdade é que o não conseguem, basta ver como os parlamentos se transformam em meras caixas de ressonância –, a resposta terá que vir da comunicação social e dos movimentos de cidadania. Mas esses líderes abusadores sabem que esse risco existe, que a contestação poderá provir dessas bandas. Por isso, tentam corromper uma parte da comunicação social. E há sempre quem, nos jornais e nas televisões, esteja pronto para desempenhar o papel de defensor intransigente de quem está no poder. Tentam, igualmente, criar barreiras que dificultem a acção das associações de cidadãos.

Nem sempre o conseguem. O que me faz dizer que, nesta altura de ataques directos ao bom funcionamento dos regimes democráticos, é indispensável dar força e asas aos cidadãos e às suas organizações. Uma cidadania activa, esclarecida e robusta torna uma nação mais livre e mais coesa. Deste modo, a resolução da crise da democracia passa pelo dinamização das associações da sociedade civil.

Política com mel

Custa-me ver gente amiga politicamente fanática. Falo de amigos que andaram pelos bancos das universidades, fizeram boas carreiras profissionais, venceram, mais ou menos, na vida, mas que são excessivos e desvairados, quando se trata da política. Sobretudo quando se faz uma pontinha de crítica ao partido com o qual se identificam. Ficam fora de si. E fazem-me pensar que a política é algo de profundamente emotivo, que pouco tem que ver com a direcção mais correcta que deve ser dada à vida colectiva de um povo. Esses meus amigos lembram-me, então, que a política tem que ser ganha nos corações dos eleitores, não simplesmente nas suas mentes. Por isso, a narrativa tem que ter calor e alma, para poder ganhar o âmago de cada eleitor. Um discurso político meramente cerebral não leva muito longe. Fazer política e ganhar votos exigem uma grande proximidade e empatia com uma boa parte da população. A política é sobre o mel, não é sobre o vinagre.

 

A nossa maneira intolerante de fazer política

A luta política portuguesa ainda está debaixo da influência de escolas de pensamento totalitárias. Em ambos os lados, à esquerda e à direita, não estamos preparados para aceitar outros pontos de vista, para ver qualquer tipo de mérito nas opiniões de outras famílias políticas.

A maioria dos defensores das ideias de esquerda vê as outras correntes de opinião como inimigas do povo. Só eles é que têm razão, cada um na sua capela ideológica e entre os seus fiéis amigos. Se tivessem o poder, um poder absoluto, praticariam aquilo que Estaline e outros praticaram, quando se tratava de lidar com pessoas com um pensar diferente. Talvez a uma escala menor, que nós somos uns meia-tigelas, mas o princípio seria o mesmo: esmagar quem não pertence à nossa família política.

À direita, também se faz política assim. Os adversários são vistos como inimigos e os inimigos só podem ter um destino.

A intolerância e a incapacidade de dialogar e de chegar a compromissos têm muitos adeptos entre nós. Fomos formatados pelo fascismo e pelo outro lado da medalha, pelas ditaduras que invocavam em vão a classe operária e o proletariado. Ou seja, a nossa cultura política é uma cultura que procura excluir e derrotar, em vez de construir e harmonizar. É uma maneira de ver que não deixa espaço para um equilíbrio de interesses e para uma inclusão inteligente dos cidadãos, sobretudo daqueles que menos sabem de política e que, por isso, andam mais indefesos.

Toda esta intolerância revela uma grande imaturidade política. Sobretudo, ao nível de quem manda na política, dentro ou fora do governo, nos jornais, nas assembleias, na praça pública. Os actores políticos são infantis, apenas pensam na imagem da sua pessoa e na maneira de bater nos outros, forte e feio.

Há aqui uma revolução cultural que precisa de ser levada a cabo. O problema é que não vejo como se pode iniciar o processo.

 

Ninguém fica indiferente

O meu escrito sobre Greta Thunberg bateu o recorde de visualizações. E provocou vários tipos de reacções. Não estranhei, por ter visto nos jornais de hoje, um pouco por vários países, o tipo de comentários que Greta suscita. A verdade é que a jovem activista não deixa ninguém indiferente. Nem todos os comentários serão positivos. Alguns são mesmo cínicos e ofensivos, mal-criados num ou noutro caso. As redes sociais são assim e cada um oferece o que pode e expõe-se como melhor entende.

Mas que estamos num período de grandes movimentos de cidadania, nomeadamente sobre a crise do clima, não haverá maneira de o negar. Esses movimentos estão a mudar a maneira como se faz política. A democracia representativa, que tem sido o nosso modelo de democracia, tem que se adaptar às novas formas de expressão da vontade popular, ter em conta os líderes informais que vão surgindo – Greta é um exemplo desse novo tipo de liderança que brota para além das instituições tradicionais – bem como o poder das redes sociais.

A democracia representativa está no meio de uma grande transformação. Não tenhamos dúvidas.

No perguntar é que está o ganho

O SAPO anda por aí a perguntar a certas pessoas qual seria a sua prioridade número um, se fossem o próximo Primeiro-Ministro, após as eleições legislativas de Outubro. Acho que é uma boa iniciativa. Mais ainda, creio que cada português – homens e mulheres – se deveria interrogar da mesma maneira. Daí resultaria, certamente, um sentido mais apurado do que falta fazer no nosso país. Todos ganharíamos com esse exercício.

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