Portugal é grande quando abre horizontes

14
Set 19

Como acontece noutros países europeus, a Suíça tem agora vários rostos. Tive uma vez mais a ocasião de o observar, ao longo de um par de dias de partilha de experiências com jovens suíços destacados no estrangeiro, ao serviço das suas embaixadas ou do sistema das Nações Unidas.

Falo de quem tem a nacionalidade, não dos imigrantes que vivem no país, que são muitos e diversos.

Uma característica evidente, comum a esse novo tipo de suíços, é que a a nacionalidade implica integração e aceitação das regras de vida e dos valores que a Suíça tradicional sempre considerou seus. Assim, existe um deve e um haver claro: a obrigação de um certo tipo de comportamentos cívicos é compensada por um Estado que protege e cria condições de vida de qualidade para os seus cidadãos.

 

 

 

publicado por victorangelo às 22:41

02
Mai 19

Sobre a Venezuela, repito que a saída da crise necessita de uma iniciativa de mediação internacional. A situação actual é muito grave e não permite que haja que vença e quem seja humilhado e possivelmente esmagado. A violência levaria a isso, a vencedores de um lado e vencidos, do outro. Seria uma tragédia nacional. E as divisões internas profundas ficariam por resolver. As causas do conflito não seriam resolvidas.

É preciso negociar. Com a ajuda de facilitadores externos e imparciais. A ONU está numa situação de fraqueza e não pode desempenhar o papel que deveria ser o seu. Infelizmente, assim é. A União Europeia também está excluída, por ter tomado posição, de modo inequívoco. E a América Latina encontra-se numa posição semelhante, de um lado ou do outro.

Quem, então?

A minha sugestão seria a de um triunvirato de países neutros, liderado pela Suíça e incluindo o México e o Vaticano. Com um mandato aceite por Nicolás Maduro e por Juan Guaidó. E com a aprovação silenciosa, tácita, sem discussão, do Conselho de Segurança da ONU. Se tal for possível, se o Conselho conseguir chegar a esse tipo de decisão. Mas não seria indispensável. O acordo de mediação que contaria seria o que comprometesse os líderes da Venezuela. É nesse sentido que se deve olhar em frente.

 

publicado por victorangelo às 19:53

22
Abr 17

Filipe tem pouco mais de trinta anos, mas já vive na Suíça há cerca de doze. É condutor numa empresa. A sua mulher, também de nacionalidade portuguesa, trabalha numa casa de repouso para a terceira idade, como técnica especializada em geriatria. Vivem bem.

Por razões profissionais, sempre que vou à Suíça estou com o Filipe. E pergunto-lhe como vai a presença portuguesa nas terras helvéticas. A resposta, nos últimos anos, tem sido sempre a mesma. Filipe não gosta de ver chegar à Suíça novos imigrantes, e isso também se aplica aos que vêm de Portugal. É a favor de uma política mais apertada, que torne a imigração mais difícil e leve a uma diminuição das novas entradas. Na realidade, vê em cada imigrante que vá aparecendo um competidor, alguém disposto a trabalhar por um salário mais baixo e que poderá pôr em causa o seu emprego ou pelo menos, o seu nível de vida.

Se pudesse votar, o seu apoio iria para o partido nacionalista suíço, gente que se opõe à entrada de novos trabalhadores estrangeiros, mesmo quando provenientes de países da UE. Isto apesar do acordo que existe entre a Confederação Helvética e a UE sobre a livre circulação das pessoas.

Em França há muito português que pensa como o Filipe. Um bom número desses lusitanos já tem a nacionalidade francesa. Irão votar, amanhã. Sabe-se que muitos apoiam Marine Le Pen. Votam, sem hesitações, pelo partido da xenofobia, eles que ostentam nomes de família que são obviamente de fora, sem raízes gaulesas. Mas votam contra a onda que poderá vir a seguir. E que estará disposta a trabalhar em condições que os portugueses da primeira geração conheceram em França, anos atrás.

 

 

publicado por victorangelo às 20:11

09
Fev 15

9 de fevereiro de 2015

HSBC, um dos maiores bancos do mundo, muito ligado aos interesses ingleses no Oriente, a começar por Hong Kong, está hoje nos cabeçalhos dos jornais. A razão é de peso. São milhares de milhões de dólares depositados em contas clandestinas, na filial suíça do mesmo. Essas contas foram agora reveladas por um grupo de jornalistas independentes que se dedica a estas coisas. Os titulares da massa são gente muito fina, embora nem todos muito sejam muito recomendáveis, antes pelo contrário. Alguns deles são conhecidos por terem ligações directas com o crime organizado ou com ditaduras da pior espécie.

Os dados são do período 2005-2007. HSBC diz-nos que essas coisas já não acontecem, nos dias de hoje. Será verdade, creio. E o motivo é simples. É que os controlos estão muito mais apertados. E a própria Suíça deixou de querer ser associada ao dinheiro sujo. Por isso, os bancos suíços têm estado a correr com os titulares não-residentes de contas na Suíça que não consigam demonstrar que estão em ordem com as autoridades fiscais dos seus países de residência. É uma boa medida. Embora haja quem diga, à boca pequena, que são apenas as contas menos gordas que caem nessa categoria. Quem tem muito cabedal acaba sempre por conseguir residir num país generoso do ponto de vista fiscal. E pode assim declarar aos banqueiros suíços que está tudo em ordem

publicado por victorangelo às 19:58

22
Jun 14

Passei os últimos dias em Genebra, por motivos profissionais. A cidade continua cara. Mas continua cheia de turistas vindos dos mais diversos cantos do mundo. Lembra-nos, assim, que não é o preço das coisas que traz ou afasta os visitantes ricos. Para quem tem dinheiro, o que conta é a qualidade de vida, a segurança e a ordem pública, o bom funcionamento dos serviços, um ambiente de prosperidade e uma maneira positiva de encarar a vida. E isso, Genebra tem com abundância.

publicado por victorangelo às 21:42

09
Mar 14

Passar dois ou três dias em Lauenen, a cinco quilómetros de Gstaad, nos Alpes suíços, com um Sol radioso, ajuda a perceber que tudo depende da capacidade de liderança. A localidade, com cerca de 800 habitantes e dezenas de chalés de madeira, era um buraco sem interesse há trinta anos. Hoje é um destino de turismo de luxo. Os habitantes, que outrora viviam ao sabor dos subsídios, são agora dos mais prósperos do país. As autoridades locais souberam dar a volta a uma natureza agreste e transformá-la numa fonte de riqueza. Para isso apostaram na conservação das belezas naturais, no ordenamento do território, na disciplina cívica e na segurança das pessoas e dos seus bens. Nada disto é excepcional. O que é excepcional é encontrar os políticos que tenham a coragem de o fazer.   

publicado por victorangelo às 21:07

12
Jun 13

Uma linda tarde de Sol, nas margens do Lago Leman, 30 Km a Oeste de Genebra. As águas do lago são de um limpidez e transparência que me deixam hipnotizado. Mas não serei o único com um ar perdido. Ao passar por uma rua desta aldeia de casas ricas, vi uma mulher jovem, encostada à parede, com um olhar vago e opaco. Tinha dois polícias à volta dela, que, sem dizer palavra, aguardavam instruções da chefia, sim ou não, é detida e expulsa, o chefe decide, que isto de não ter papéis que legalizem a presença na Suíça está novamente a ser levado muito a sério.

publicado por victorangelo às 16:00

05
Mar 13

Voltei hoje à Europa, depois de passar três dias em reuniões na Suíça. Como sempre, o choque cultural e político foi enorme. 

publicado por victorangelo às 20:24

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