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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Os telejornais

Devo ser dos poucos residentes em Portugal que nunca vê um telejornal. Nem à hora do almoço nem ao jantar. Alguns pensarão que é por falta de patriotismo, depois de quarenta e dois anos de ausência do país. A verdade é que considero errado o formato que os telejornais seguem. São demasiado longos, repetitivos e muito pouco completos, no que respeita ao panorama que deveriam dar sobre os acontecimentos que passam. Claro que se trata de opinião pessoal. Cada um terá a sua.

Pensei nisto ao ler no Público uma Carta Aberta dirigida às televisões generalistas. A carta levanta algumas questões sobre o estilo de jornalismo televisivo que se faz. É um ponto positivo, uma questão pertinente. Mas a carta perde força quando parece querer, acima de tudo, atacar os que, nas televisões, atacam ou interrogam com demasiada vitalidade o governo. Claro que está no direito dos autores da missiva defender a acção governativa. Mas se o ponto principal era o de contribuir para uma informação televisiva de melhor qualidade, o aparente alinhamento partidário dos signatários tem um efeito contraproducente. E os opositores à carta não deixam escapar essa fraqueza.  

 

As televisões e a ideia que se fazem do povo

As redes sociais contêm vários comentários sobre as entrevistas televisivas dos candidatos presidenciais. Devo confessar que ainda não tive a oportunidade – esta é uma maneira diplomática de pôr a coisa – de ver nenhuma dessas entrevistas. Mas pelos comentários que vou vendo parece que os entrevistadores não têm estado à altura. A ser verdade, é uma pena. Uma campanha presidencial deveria ser o momento para levantar algumas das grandes questões sobre o futuro do país. E para perceber se os candidatos têm uma visão nacional. Perder tempo em questões da hora e navegar na espuma do tempo que passa não será a melhor maneira de tratar os candidatos. Mostra falta de inteligência, de respeito pelos candidatos e pelos eleitores.

A verdade é que temos jornalistas muito bons. Mas não são esses que têm acesso aos ecrãs. Quem manda nas televisões parece pensar que os jornalistas mais intempestivos, mais primários, mais arrogantes são os que atraem audiências. Isso significa que os patrões das televisões vêem os portugueses como uma série de brutos que apenas querem circo político e violência verbal.

Ser poupado no uso dos média

Conviria lembrar aos dirigentes do Estado – e aos políticos em geral – que a banalização e o uso muito requente das intervenções mediáticas acabam por minar a autoridade de quem o faz. Comunicar é importante, nos dias de hoje, é mesmo essencial saber fazê-lo bem, de forma clara e acessível. Mas vir à televisão ou aparecer nos jornais por dá cá aquela palha tem um impacto negativo sobre o simbolismo que deve estar associado ao exercício do poder.   

Tratar a imprensa com aspirinas

No jornalismo, como em muitas outras áreas, a concorrência é enorme. É fácil encontrar um semanário ou um diário que se transformou num poço sem fundo, a perder dinheiro, leitores e jornalistas a olhos vistos. Os poucos que medram fazem-no graças às assinaturas digitais e à qualidade dos conteúdos. The Economist é um desses raros exemplos de sucesso. Cada texto é escrito com seriedade, bem assente em pesquisas sólidas e sabe combinar informação com opinião. Tem poucas fotos, que custam caro, mas sabe jogar com a apresentação gráfica, de modo a evitar a impressão de páginas demasiado densas. Tem servido de inspiração a outras revistas, que procuram seguir um modelo semelhante.

À questão da concorrência junta-se a profunda revolução na maneira de comunicar. Entre outros aspectos, as novas gerações perderam o gosto pelo papel. Só sabem manejar os telemóveis e as plataformas digitais. E querem coisas rápidas, com conteúdo resumido e contadas como se se tratasse de um filme de acção. A própria televisão está ameaçada por estes novos hábitos. Os telejornais e os programas genéricos começam a ser coisas de gente de idade.

Vem tudo isto a propósito de uma nota que me fizeram chegar sobre a escassez de leitores das colunas de opinião que aparecem nos nossos jornais e revistas. As soluções propostas eram de outra época. Como também seria de uma outra época pensar que os subsídios públicos salvariam a imprensa e a diversidade de opiniões. Seriam, isso sim, meras aspirinas. As dores de cabeça iriam continuar, mesmo com uma dose reforçada.

O comentador sabe-tudo

Ontem foi a propósito do grave incidente na Ponte de Londres. Para além dos factos, as televisões passaram horas a comentar o ataque. Puseram, como de costume, câmaras e microfones à frente dos especialistas na análise do terrorismo – a malta habitual – que discorreram sobre o assunto quando nada de concreto se sabia sobre o autor, as possíveis motivações, as circunstâncias para além do que acontecera na Ponte, etc. Se tivesse paciência para os ouvir, ficaria certamente pasmado. Emitem tanta teoria sobre um assunto em relação ao qual falta toda a informação que é essencial. São uns criativos. E servem para encher espaço.

Livremente tolos

Somos, de facto, muito únicos. Nomeadamente, ao nível da comunicação social. Desde o início da semana, são múltiplos os artigos, comentários, textos de opinião, editoriais e notícias sobre o que se passa num partido minúsculo. Um partido que, nas eleições legislativas de Outubro, teve menos de 56 000 votos. Ou seja, uns pós acima de 1% dos votos expressos. Páginas e páginas a tratar da insignificância, que é um tema que habitualmente nos apaixona. 

Shakespeare diria “tanto alarido a propósito de nada”.

O vidente dos domingos

Voltando à questão da análise política, o fulano que aparece na televisão aos domingos ao serão tem pouco de analista. E ainda menos, em termos de seriedade. É mais uma simbiose, um ser híbrido, que mistura maneiras de pregador com hábitos de vidente. Quando olha para o espelho, para decidir o que irá desbobinar na exibição da semana, vê-se com a missão de educar os políticos, uma missão a que os políticos visados não prestam qualquer atenção. Combina isso com a leitura da sua bola de cristal, que deve ter sido adquirida numa loja de fantasias. Felizmente para ele, existem por aí uns escribas com carteira de jornalista que lhe dão alguma atenção. Devem ser os únicos.

Silêncio, que se está a tratar do Brexit

O Reino Unido está muito pouco unido. Para além dos comentários que se façam – e vi um ou dois nas televisões portuguesas que assentavam em premissas incompletas ou na compreensão insuficiente dos mecanismos parlamentares e constitucionais britânicos – , a verdade é que a situação actual constitui um rico campo de estudo para quem se interessa por questões de estratégia política e de jogos de poder. E assim vai continuar nos próximos dias e na semana que vem. Para já, que depois se verá.

Entretanto, penso que os dirigentes que mandam na política externa europeia e que pesam na questão do Brexit devem continuar calados e deixar os britânicos decidir para que lado vai a bola. Neste momento, comentários oficiais europeus sobre a situação de confusão que se vive no Reino Unido só poderão complicar ainda mais uma situação que já é bastante complexa e profundamente emocional. O silêncio é, tantas vezes, uma poderosa arma política, sobretudo quando anunciado como silêncio activo, deliberado.

O poder da imagem televisiva

A televisão tem muita força. O que se passou ontem e hoje à volta do processo de candidatura a líder do Partido Conservador foi mais uma ilustração desse poder.

Os cinco candidatos participaram ontem num debate televisivo, organizado e transmitido em directo pela BBC One. Vi o debate. Rory Stewart, o candidato com mais cabeça e que era visto pela comunicação social e pelos analistas políticos como uma estrela montante, capaz de fazer frente a Boris Johnson, teve uma má prestação. Sentou-se mal, na ponta da cadeira, mostrou enfado e uma linguagem corporal que parecia dizer que os outros candidatos não sabiam o que estavam a dizer, tirou a gravata a meio do debate, e deixou os outros ocupar uma boa parte do tempo de antena. Em resumo, deu a impressão que não queria debater, que não estava ali a fazer nada e que tinha pouca consideração pelos outros candidatos.

No fim da emissão, a minha conclusão foi clara: Rory colocou-se fora da corrida. Não mostrou aquilo que se espera de um futuro líder e futuro Primeiro Ministro, atenção, argumentação e presença.

E assim aconteceu. Na votação de hoje, perdeu uma parte do apoio que havia conquistado entre os seus colegas parlamentares e foi eliminado. Brilhante, sim, mas incapaz de passar na televisão. E, nestas coisas, a imagem conta imenso.

 

Escrever sobre a nossa política quotidiana?

Fui criticado por um seguidor porque não escrevo muito sobre o dia-a-dia da política portuguesa. Mais ainda, disse-me que deveria pegar, com alguma regularidade, no que se escreve como opinião ou no que se debate na televisão, e tomar partido.

Fiquei a pensar no assunto.

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