Portugal é grande quando abre horizontes

04
Mai 19

Fui criticado por um seguidor porque não escrevo muito sobre o dia-a-dia da política portuguesa. Mais ainda, disse-me que deveria pegar, com alguma regularidade, no que se escreve como opinião ou no que se debate na televisão, e tomar partido.

Fiquei a pensar no assunto.

publicado por victorangelo às 16:51

24
Mar 19

Estima-se que apenas pouco mais do que 10% da população adulta francesa leia um jornal diário. E uma boa parte dessas pessoas fá-lo pela internet, sem qualquer tipo de contacto com o papel. A maioria informa-se através da televisão, ou então, ao ouvir as rádios, nas suas viaturas, enquanto se desloca na prossecução dos seus afazeres quotidianos. Porém, na verdade, a televisão é que conta.

Estas constatações obrigam a uma interrogação muito séria sobre o futuro da imprensa escrita. E não apenas em França, onde um jornal de referência como Le Monde está endividado até ao nariz, mas também em Portugal e noutros países.

publicado por victorangelo às 17:16

09
Jan 19

A maior parte dos que escrevem e partilham opiniões políticas em Portugal são dogmáticos. Têm opiniões de pedra e cal. Cada opinião é apresentada como a última expressão da sabedoria do autor sobre o assunto que o momento o leva a tratar. Não deixam espaço para o debate, nem querem deixar aperceber as outras dimensões que a questão possa levantar. É tudo a preto e branco. A verdade de um lado, o erro do outro. Escreve-se e fala-se de tal maneira que as frases parecem facadas e golpes de espada.

Mesmo quando os autores são apresentados como “académicos”. Não são académicos, são intransigentes e de ideias feitas, que é o contrário do que a universidade deveria ser. Uma boa parte dos nossos “cientistas sociais” é apenas um propagandista da fé, politicamente dogmáticos, em vez de inquisitivos.

Ora, a realidade da nossa vida colectiva é muito mais matizada. E nas questões políticas e sociais não existem respostas simples. Antes pelo contrário.

O dogmatismo é um tique ditatorial. Extremista. Esmagador das opiniões não concordantes. É antidemocrático. E também é uma prova de grande burrice mental. De quem o pratica e, infelizmente, de quem dele se alimenta.

publicado por victorangelo às 17:21

07
Jan 19

Tem-se falado muito de televisão, nos últimos dias. É um debate sem fim porque a programação televisiva é antes de tudo um negócio. Existe uma competição feroz entre os diferentes canais generalistas, que depois se traduz em vendas de anúncios. O preço da publicidade depende do número de telespectadores, das chamadas audiências. Cada canal está constantemente à procura do que possa ser popular e diferente do que a porta ao lado apresenta. A diversão pura e simples, fácil de entender e com a participação – passiva ou activa – do público alvo, parece ser a via mais segura para captar telespectadores. Nestas coisas, os únicos limites, as linhas vermelhas que não deverão ser ultrapassadas, são as que se referem à promoção da criminalidade, da ilegalidade e das ideias intolerantes, atentatórias da dignidade das pessoas.

Este não é um fenómeno tipicamente português. Assim acontece noutros países da UE.

O que é muito nosso, e muito mau, é a qualidade dos telejornais. Sobretudo, os da hora do jantar. Aí, estamos de longe na categoria do péssimo. Uma hora, ou mais, de banalidades, é inaceitável. Qualquer crítica dos canais generalistas portugueses deveria começar por uma análise demolidora do lixo que define os telejornais de maior audiência. São uma vergonha que precisa de ser constantemente denunciada.

publicado por victorangelo às 15:41

06
Abr 18

Por que digo, quando se fala sobre o tema, que a democracia portuguesa é fraca?

A resposta completa daria para uma tese académica. Uma tese que deveria começar por analisar a maneira como funcionam os partidos políticos em Portugal. Incluindo, muito especialmente, o modo como são seleccionados os dirigentes, os quadros políticos e as pessoas escolhidas para assumir lugares públicos. A vida interna dos partidos tem muito mais que ver com a intriga e os golpes do que com a capacidade e a qualidade dos protagonistas.

Depois, seria preciso discutir o papel bastante medíocre que a comunicação social desempenha em termos do debate público e do interesse geral. Sobretudo, os canais abertos de televisão. São uma lástima, que empobrece a compreensão dos problemas que são os nossos e em nada contribui para o enriquecimento cívico dos cidadãos. Ainda, para além das televisões, acrescentaria que a imprensa com um mínimo de qualidade tem hoje um alcance francamente limitado. Os jornais de referência não tocam as pessoas. São folheados por meia dúzia de fiéis e nada mais.

Seguir-se-ia uma avaliação da nossa sociedade civil. Encontraríamos aí algum dinamismo e boas vontades, mas também muito fogo de vista e pouco mais. E a grande fraqueza de termos uma sociedade civil com recursos financeiros miseráveis e, por isso, muito dependente dos dinheiros públicos, que dizer da política e dos partidos.

publicado por victorangelo às 17:25

11
Jul 17

Sou um telespectador acidental, no que respeita aos canais de televisão portugueses. Por várias razões, mas sobretudo pela má qualidade do que se mostra nos nossos ecrãs. Assim, mesmo quando me encontro em Portugal, passo ao lado.

Ontem, num momento de acaso, caí no debate que a RTP 1 chama “Prós e Contras”. Discutia-se Tancos, as Forças Armadas e os diferentes níveis de responsabilidade.

Dos presentes, apenas os dois generais sabiam da poda. O resto era conversa, académica, livresca ou simplesmente fora da substância. Confrangedor. Metiam-se os pés pelas mãos e confundiam-se conceitos básicos. Incluindo, como já vem sendo costume, defesa como se fosse segurança e vice-versa.

Para cúmulo, a moderadora mostrou uma vez mais o pouco jeito que tem para animar discussões que ultrapassem os temas de lana-caprina.

 

publicado por victorangelo às 22:10

17
Fev 17

O deputado é um insensato radical. Felizmente, a direcção do seu partido, o PS, veio pô-lo nos eixos. E o rapaz teve que dar o dito por não dito. E ele tem muito jeito para trocar os pés pelas mãos.

Para já, tudo bem.

Ou quase, pois esse radical do verbo continua a participar activamente e de modo regular em debates televisivos. Ou seja, tem uma plataforma adicional, para além da Assembleia da República. Quem o convida e lhe paga para que apareça todas as semanas num programa emitido por um canal de cabo, pratica uma política editorial com a qual não concordo.

Não há problema em dar tempo de antena a esse tipo de tresloucados políticos. Mas há, sim, quando isso é feito com o vedetismo que um programa semanal de debates lhes proporciona. 

publicado por victorangelo às 20:19

12
Fev 17

A minha neta disse-me, à hora do almoço, que tinha passado a noite sem dormir e a manhã deste domingo muito angustiada. A razão: tentara repetidamente bocejar, sem o conseguir. Disse-lhe, então, que a tentaria ajudar. E assim foi, o que lhe abriu o apetite e deixou a preocupação com os bocejos para trás.

Não lhe expliquei, no entanto, donde vinha a minha perícia em bocejos. Para quê dizer-lhe que a adquiri a ouvir discursos políticos de gente sem chama, ao ler textos de opinião nos jornais, escritos por uns fulanos especializados na pretensa ciência dos ecos palavrosos, ou nas inumeráveis reuniões intergovernamentais que o meu trabalho na ONU me obrigou a assistir?

Os intermináveis telejornais das televisões portuguesas também são uma excelente fonte de bocejos. Mas como eu tenho outras oportunidades de me enfadar, dispenso ver tais programas.

 

publicado por victorangelo às 20:40

03
Jan 16

Dizem-me que em Portugal o ano político começou com os debates televisivos entre os diferentes candidatos à presidência da República. Com as eleições à porta, não é de estranhar. Há que dar uma oportunidade a todos. Sobretudo porque os debates têm o condão de revelar a personalidade de quem neles participa. Ajudam também a compreender as intenções de cada candidato, mesmo quando alguns, mais hábeis e mais experientes nestas coisas das televisões, as procuram esconder.

Mas uma coisa parece certa. Os candidatos com mais hipóteses não podem cometer “gaffes” durante as discussões. Uma boa parte dos eleitores que olham para os debates já sabe mais ou menos em quem vai votar. Mas o candidato pode perder esse voto se disser barbaridades ou se projectar uma imagem passiva e pouca combativa.

Assim se compreende a postura do candidato que tem mais hipóteses de ganhar as eleições: não fazer ondas, não entrar em polémicas, não se enervar nem perder as estribeiras, dar a entender que tem uma atitude política abrangente, e ir dizendo umas coisas, para evitar ser acusado de não querer ir à discussão. E a verdade é que isso pega e que o homem tem, neste momento, todas as hipóteses. Sabe, no entanto, que tem que ganhar na primeira volta. Ir à segunda seria um risco enorme.

 

 

publicado por victorangelo às 20:30

10
Set 15

Cheguei a Riga já depois do fim do famoso debate nas televisões portuguesas. Mas, pelo que tenho ouvido, parece que António Costa passou melhor este importante teste. E acrescento que assim não poderia deixar de ser. Jogava ao ataque, não tinha contas de governação recente para prestar e à sua frente estava um oponente que não percebe o impacto nefasto das lengalengas, das explicações intermináveis que nada esclarecem. As pessoas querem respostas directas e claras. É assim que se faz política nos dias de hoje. Grandes conversas não levam água a nenhum moinho, não convencem. Nem dão a impressão de sinceridade. Só servem para aumentar a desconfiança e os anticorpos.

 

publicado por victorangelo às 20:12

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