Portugal é grande quando abre horizontes

07
Out 16

Hoje encontrei alguém que me disse que a procura da imortalidade o está a matar. Achei curioso. Na realidade, o que queria dizer é que nada de importante se consegue sem um grande esforço, muita dedicação e uma focalização obsessiva no alvo a atingir e no trabalho para aí chegar.

publicado por victorangelo às 20:54

11
Set 16

Numa altura em que se fala tanto das admissões às faculdades, lembro-me que o Quirguistão, um país de menos de 6 milhões de habitantes, tem 56 universidades. Todos os anos produzem um número elevado de licenciados, mestres e doutores, que depois não encontram emprego. O nível da frustração entre os jovens é alto. A emigração para a Rússia e o Cazaquistão é a saída mais frequente. 

Por outro lado, quase não existem cursos de formação técnico-profissional no país. Os poucos rapazes e raparigas que frequentam esses cursos têm trabalho garantido, uma vez terminados os estudos. Mas não têm o prestígio profissional que as universidades ainda parecem dar.

 

publicado por victorangelo às 20:47

27
Mai 16

Dizem-me que a comunicação social portuguesa destinada ao cidadão comum não tem prestado grande atenção à enorme e caótica agitação social que se vive actualmente em França. Assim, poucos terão uma ideia, mesmo aproximada que seja, das razões que estão na base das muitas greves, bloqueios, manifestações de rua, e alguma violência, que têm ocorrido nos dias que passam.

A título de exemplo, refira-se que mais de 20% das estações de serviço estão secas, sem combustível, e as que o têm só permitem um abastecimento reduzido. Por outro lado, o fornecimento do carburante destinado aos aviões vai começar a ser racionado este fim-de-semana e as centrais eléctricas só trabalham parcialmente. Nos próximos dias deverá ter lugar uma paralisação dos transportes aéreos, de 3 a 5 de Junho, e assim por diante. Tudo isto acontece nas antevésperas do Euro de futebol, que começa dentro de duas semanas.

A causa imediata destas vagas de manifestações tem que ver com uma nova lei do trabalho, que ainda está na fase de aprovação, mas que deverá ser imposta com base num artigo da Constituição que permite a aprovação de leis, em condições excepcionais, por decisão expressa do governo. Se fosse votada na Assembleia Nacional em condições normais, a lei não passaria. A nova legislação introduz, ao nível das empresas, uma grande flexibilidade negocial, que colocará muitos contractos de trabalho fora das regras colectivas que possam ter sido negociadas pelos sindicatos ao nível do sector de actividade económica. Em grande medida, o conselho de trabalhadores de empresa passará a ter poderes que acabarão por enfraquecer as organizações sindicais.

Existem, no entanto, causas mais profundas. De ordem política, de natureza sindical, com a Confederação Geral dos Trabalhadores a perder influência à medida que o tempo passa, bem como causas económicas e sociais. A reflexão sobre essas causas que vão além do imediato parece-me fundamental. Tem que ser feita. Para mais, ajudar-nos-á a entender melhor o que nos espera, também a nós, numa Europa cada vez mais integrada na competição global.

 

 

 

publicado por victorangelo às 20:07

01
Mai 16

Num dia como o de hoje, quando se celebra a festa do trabalho, permito-me lembrar que os sistemas educativos europeus precisam de levar uma grande volta. Têm que estar orientados para a economia de ponta, de alta tecnologia, de conhecimento e de criatividade e preparar as novas gerações para os desafios de amanhã. Não podemos ter um ensino inspirado nos métodos do passado, na repetição cega, na produção uniforme de diplomas que nada significam.

A educação tem que ter um cariz pessoal, capaz de dar a cada um o máximo de possibilidades, com flexibilidade e através da promoção do espírito criativo e da vontade de vencer. A ambição e a competitividade devem fazer parte dos currículos.

É no sistema de ensino que se manifesta e define a igualdade ou a desigualdade, que depois se irá aprofundar durante a vida activa. Um país que não invista a sério na educação é um país que está a preparar o seu próprio atraso. Está a criar os futuros trabalhadores de segunda. E igualmente, os frustrados de amanhã.

publicado por victorangelo às 16:08

06
Mar 16

A Finlândia fica ali mais para o Norte da Europa. E passa mais ou menos despercebida. Por exemplo, poucos notaram que esta semana o governo e as organizações sindicais chegaram a novo acordo que revê alguns aspectos do pacto social. O governo compromete-se a reduzir os impostos em cerca de mil milhões de euros por ano. Em compensação, os trabalhadores aceitam trabalhar mais três dias por ano e a contribuir mais 1,2% para as suas pensões. Além disso, os funcionários públicos terão um corte de 30% nos seus subsídios de férias, uma medida que será gradualmente aplicada ao longo de três anos. Do lado dos patrões, haverá uma redução de 1% da sua contribuição para a segurança social, por trabalhador empregue.

É sempre bom estar atento ao que os outros que vivem na casa comum chamada Europa andam a fazer.

publicado por victorangelo às 21:59

06
Jun 15

Várias firmas portuguesas, sobretudo na área da construção civil e ofícios afins, operam na Bélgica e fazem aquilo a que se chama “dumping social”. Os trabalhadores são recrutados em Portugal, com base na legislação do trabalho e nas leis sociais portuguesas. As empresas que praticam esse tipo de contratação são firmas lusas com acordos e encomendas de empreitada na Bélgica. Os operários portugueses ganham cerca de 1200 euros por mês, ou seja, em média, menos 600 euros que os trabalhadores belgas do mesmo nível. Dormem muitas vezes no local da obra, ou por ali perto, e vivem com muito pouco. O poupado volta com eles quando do regresso às terras de Portugal. As permanências na Bélgica são, aliás, de apenas alguns meses, no máximo.

Este é apenas um exemplo de uma prática que é pouco falada em Portugal mas que leva vários milhares de operários para vários cantos da Europa, para as Arábias e outros sítios. Muitas das empresas e dos trabalhadores vêm do norte litoral português.

 

publicado por victorangelo às 20:27

15
Dez 14

Hoje uma parte da Bélgica esteve parada. Nalguns casos, como aconteceu no aeroporto, a paragem foi total. O espaço aéreo havia sido fechado ontem à noite e só voltará a abrir às 22:00 horas de hoje.

Foi um dia de greve geral, que se fez sentir nas diferentes regiões linguísticas do país.

A maneira como foi organizada acarretou a paralisação de quase todos os sectores. Mesmo quem não queria fazer greve optou por ficar em casa, para evitar problemas de barragens de trânsito e outras confusões ligadas aos piquetes de greve. Como se costuma dizer, organização é tudo! E, hoje, a organização permitiu um impacto maior do que a participação efectiva e deliberada na greve.

As duas principais razões do movimento grevista têm que ver com a decisão do governo de não aceitar, em 2015, e apenas nesse ano, para já, que os salários sejam indexados à taxa de inflação – uma prática de indexação que existe há muitos anos e que tem ajudado a manter o poder de compra – e, segunda razão, com o aumento da idade da reforma.

Estas duas medidas transformaram-se nas bandeiras da mobilização social.

Curiosamente, os polícias não pararam hoje. Acharam que seria inoportuno estar em greve quando a ordem pública poderia precisar deles. Vão fazer, amanhã, das 07:00 às 08:30 horas uma acção sindical que é, na realidade, uma greve de zelo. Vão passar, durante essa hora, o trânsito a pente fino: documentos, controlos técnicos, extintores, tudo vai ser pretexto para reduzir a fluidez do trânsito, nesse espaço de tempo, a uma velocidade de caracol.

Depois, irão manifestar-se à frente do ministério, antes de voltar ao serviço habitual.

Entretanto, a questão se coloca é muito clara: é preciso negociar. Em democracia, tudo se deve resolver pelo diálogo.

publicado por victorangelo às 19:57

02
Set 14

Disse hoje a uma jovem minha conhecida que as migrações são e sempre foram uma opção para quem procura melhores oportunidades. E lembrei-lhe, em duas palavras, que não vale a pena estar a dar grandes lições aos jovens portugueses de hoje – estou cada vez mais convencido que muitos sabem bem o que querem – que, no meu caso, saí de Portugal aos 28 anos. E até tinha emprego, um trabalho que para a época, era relativamente bom e promissor. Não me arrependi da decisão dessa altura. É verdade que tudo tem os seus custos. Mas o custo maior é o de ficar parado, à espera que o céu nos caia aos pés. E hoje, já ninguém está longe. Quando eu saí, se queria telefonar à família tinha que marcar a chamada de véspera. Muitas vezes a linha era um caos e a conversa uma frustração, para ambos os lados da linha. Agora, com as redes sociais, é uma ligação instantânea e gratuita, com imagem e tudo. Emigrar é como estar apenas do outro lado do ecrã.

publicado por victorangelo às 22:34

01
Mai 14

O Primeiro de Maio foi comemorado no Cambójia com manifestações contra os salários baixos e a favor da independência do sistema judicial. Não terão sido mais de 700 os que ousaram trazer essas reivindicações para a praça pública, na capital, Phnom Penh. Diferentes serviços de polícia intervieram sem demoras e sem dó nem piedade, batendo em tudo e todos.

 

Falo de um país longínquo para que nos lembremos que existem muitos trabalhadores, por esse mundo fora, que estão longe de ter uma vida minimamente decente e de poder usufruir de liberdade. Mesmo num país como o Cambójia, que está a crescer economicamente a taxas anuais superiores a 7%. Um país com uma indústria têxtil baseada numa mão-de-obra que trabalha ao preço da miséria. 91% dos trabalhadores desse sector são mulheres. E os têxteis representam 80% das exportações do país.

 

Creio que lembrar estas coisas é uma maneira de celebrar o dia dos trabalhadores tão válida como outras. Tem, além disso, a vantagem de nos ajudar onde nos situamos no mundo de hoje. 

publicado por victorangelo às 21:43

01
Nov 13

Dia feriado em Bruxelas, como aliás numa grande parte dos países da UE. As ruas dos bairros residenciais estão desertas e os comércios fechados. Com excepção, claro, das ruas e praças onde se concentram os homens imigrantes. Passar por lá é uma oportunidade de ver grupos de indivíduos na cavaqueira, a aproveitar o feriado. É, igualmente, uma maneira de constatar quanto pesa a imigração numa cidade como esta. Pesa bastante.

 

Por outro lado, se havia alguma loja aberta, era certamente propriedade de imigrantes. Esses não fecham. Estão aqui para trabalhar e ganhar o futuro. Não há, por isso disposição para dias feriados.

 

Como vou viajar no domingo, tentei ver se encontrava uma barbearia aberta, nas ruas da imigração, não muito longe de casa, que me pudesse dar um jeito ao cabelo. Sim, as da imigração, de gentes originárias de fora da Europa estavam a trabalhar. As belgas e as dos outros europeus, essas estavam encerradas. O meu barbeiro habitual, um italiano de idade respeitável que corta o pelo a gente fina, como ele diz, e que só aceita clientes com marcação prévia, tinhas as portas bem trancadas. Leva 16 euros por cada corte. O preço nas barbearias dos “árabes”, como por aqui se diz, varia entre os 5 ou 7 euros, podendo chegar aos 9. Só que o tempo de espera é grande. Hoje, como sempre estavam a abarrotar. Que isto de ser barbeiro é um bom negócio.

 

Não tive paciência para ir para a fila. E assim escrevo este blog com o cabelo por aparar.

publicado por victorangelo às 21:45

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