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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Portela, um teste de paciência

Independentemente do que se diga sobre a decisão de construir um novo aeroporto de Lisboa no Montijo – e há muito para dizer, incluindo uma melhor explicação por parte do governo sobre as razões desta escolha – , não convirá esquecer que um dos principais estrangulamentos do aeroporto actual, na Portela, tem que ver com a falta de agentes do SEF em número suficiente, às horas de ponta. Os passageiros provenientes de países exteriores ao espaço Schengen são confrontados, a certas horas do dia, com longas, longuíssimas, filas de espera, que enchem o hall que dá acesso ao controlo de passaportes. Depois de muitas horas de voo, entram na etapa final, que é um exercício que parece destinado a testar a paciência de quem quer entrar em Portugal. Um teste que pode demorar uma hora, ou mais, antes de se conseguir passar a barreira do SEF.

Na Torre de Belém

Nesta altura do ano, as minhas caminhadas diárias passam pela esplanada da Torre de Belém. E mesmo agora, já tarde em setembro, a zona está cheia de turistas. Neste momento, são sobretudo gente da terceira idade, vinda até Lisboa nos navios de cruzeiros. E todos os dias lá estão cerca de duas dezenas de gente nossa, cigana, os homens a tentar impingir aos turistas paus para tirar selfies, uns sticks de plástico barato, e as mulheres, xailes de fibras artificiais, fabricados num qualquer país da Ásia, e comprados aos quilos, num qualquer canto mais escuro do mercado informal em que os nossos concidadãos ciganos se movimentam bem. Quando recentemente indaguei como ia o negócio, um dos homens disse-me que este tipo de turistas dos cruzeiros não compra paus nem panos. Mas a verdade é que ele e os outros e outras lá estão, persistentemente. Por vezes, nem deixam os turistas tirar as suas fotos em paz, tal é a ânsia de vender. Ainda hoje assisti a uma cena dessas, com o velho turista a implorar que o deixassem em paz, para poder tirar uma ou duas fotografias à Torre. Por vezes, a PSP aparece no local. E nessa altura, pode tirar-se toda a fotografia que se quiser, na maior das tranquilidades. Os meu amigos vendedores desaparecem da esplanada, num segundo, como que levados por uma rabanada de vento frio. Nessa altura, não há pau nem xaile para ninguém.

Tudo gente boa

Foi curioso ver uma vez mais, esta manhã, a ar despreocupado de todos, turistas, nativos, vendedores de óculos de sol e, mesmo, dos polícias. Como de costume, o espaço junto à Torre de Belém estava cheio de gente. E incluía um destacamento de jovens polícias, homens e mulheres. Conversavam entre si, de modo descontraído e alheio ao resto dos presentes. Dois deles dormiam tranquilamente na carrinha de serviço. E, apesar do calor e das filas para entrar na Torre, os turistas sentiam-se em paz. Sobretudo ao ver que os agentes da autoridade não revelavam qualquer tipo de tensão. Nem mesmo nenhuma atenção especial ao movimento das pessoas. Tudo muito calmo e bonacheirão.

Pensei: que diferença, comparado com a França.

Serpa

Almoço e início da tarde em Serpa e a constatação que essa parte do Alentejo está a mexer e acredita que é possível trabalhar para um futuro melhor.

Deu também para notar a influência dos sítios da internet de conselho aos turistas. Os locais que aparecem mencionados no Trip Advisor, por exemplo, atraem clientes. Mesmo numa terra como esta, que está longe dos circuitos nacionais e internacionais de turismo.

 

Ainda estamos em crise?

Gastei a tarde toda a planificar a minha próxima viagem de carro de Bruxelas a Lisboa. Queria passar pela Normandia e ficar um fim de tarde e uma noite em São Sebastião, no País Basco. Para além do trabalho que tive, que não foi pouco, apercebi-me que os principais hotéis em França e no Norte de Espanha, nos últimos dias deste mês, já estão esgotados. Mesmo os mais caros, como o famoso Maria Cristina, em São Sebastião, que pede por uma noite, nesta estação que ainda não é a mais cara, quase 800 euros.

Nunca tinha encontrado tantas dificuldades de marcação. Fiquei, por isso, a matutar se ainda haverá crise, por esses cantos da Europa.

Portugal e um euro mais barato

Neste momento, os meios financeiros e de negócios com influência no centro da Europa acreditam que o euro irá continuar a perder valor em relação ao dólar americano. Um número significativo – estimado em mais de 60% dos líderes económicos europeus – acredita que o euro vai chegar a uma situação de paridade com o dólar.

Um euro mais barato traz novas oportunidades económicas para os países da moeda única. Abre, além disso, novas possibilidades de criação de emprego.

Como vai Portugal aproveitar esta nova conjuntura?

Fica aberto o debate.

A França, a China e nós...

Laurent Fabius, o ministro francês dos Negócios Estrangeiros, está em Xangai com dois objectivos.

Primeiro, tentar convencer o patrão do gigante comercial chinês Alibaba a estabelecer em França a sua base logística para a Europa. Isto faz parte de um plano francês de atracção de novos e maiores investimentos vindos da China.

O segundo motivo da sua visita tem que ver com o turismo francês. A França quer ver o número de turistas chineses passar dos actuais 1,5 milhões por ano para 5 milhões. Cada visitante chinês gasta em média 1600 euros, durante a sua estada em França. Um aumento significativo do número de visitantes teria um impacto positivo enorme sobre a economia francesa.

A Nacional 125 atravessa o caos que somos

Já aqui o disse há dois anos e volto a escrevê-lo hoje, com outras palavras mas com o mesmo sentido. Percorrer a Nacional 125, no Algarve, é como arranhar os olhos contra cactos selvagens e poeirentos. As bermas da estrada mostram a paisagem de um Algarve caótico, sujo, confrangedor na sua pobreza. Sem contar com os comércios às moscas, o trânsito intenso nesta altura do ano e as rotundas mal sinalizadas e perigosas.  

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