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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Um dia de tensões

O nível da tensão entre certos Estados membros da NATO e a Rússia continua a aumentar. Sobretudo com alguns países europeus. Agora estamos na fase das expulsões de um lado e do outro. E a Rússia decidiu acompanhar as expulsões com um novo tipo de restrições internas, que visam muito especialmente as organizações ligadas a Alexei Navalny. A partir de agora, ficam equiparadas a organizações terroristas, o que é um cúmulo em termos de repressão e de ataque às liberdades cívicas.

Ao mesmo tempo que isto acontece, os contactos diplomáticos com Vladimir Putin continuam. Hoje foi a vez de Emmanuel Macron. Falou ao telefone com Putin, nomeadamente sobre a situação de Navalny, mas não só. A questão iraniana está igualmente na agenda, bem como a possibilidade de um encontro sobre a Ucrânia. Mas a verdade é que estes assuntos estão todos num impasse. Não há nem prevejo qualquer tipo de progresso nessas áreas.

Ao mesmo tempo, a China continua as suas incursões no espaço de Taiwan. E é cada vez mais óbvio que há uma coordenação política entre Beijing e Moscovo. Essa coordenação provoca um outro tipo de relação de forças na cena internacional. E enquanto isso acontece, assistimos a um crise humana e política profunda num outro grande rival da China, a Índia. Estava prevista uma cimeira entre a União Europeia e a Índia, que deveria ter lugar dentro de poucos dias em Portugal. O primeiro-ministro indiano já disse que não poderá estar presente. E não vejo que existam condições para que a cimeira tenha lugar. António Costa havia apostado imenso nessa iniciativa, mas os factos baralharam-lhe as voltas.

Estamos com tudo isto, e com as incertezas em relação à pandemia, numa encruzilhada muito incerta.

A escalada russo-americana

Estamos num momento de grande tensão entre a Rússia e os Estados Unidos. Os países europeus, membros da Aliança Atlântica, entram neste conflito crescente por arrasto. A escalada tem muito a ver com a presença militar russa ao longo da fronteira com a Ucrânia. Segundo certas estimativas mais fiáveis – nestas coisas nada é verdadeiramente fiável – a Rússia terá enviado para a região mais de 80 mil soldados e um arsenal muito importante. Moscovo adianta, de seguida, que nada disso é excepcional, que as tropas são destacadas dentro das fronteiras nacionais segundo os planos de treino.

Não convém, no entanto, ignorar a realidade. Há, de facto, um novo patamar de crise entre ambos os lados. Um patamar que apresenta perigos reais.

Por isso, o telefonema desta tarde, entre Biden e Putin, foi uma iniciativa positiva, iniciada pelo presidente norte-americano. Falaram da tensão existente, da necessidade de voltar a um sistema que não promova a corrida aos armamentos, da questão nuclear iraniana, do Afeganistão e das mudanças climáticas. Ambos acharam que seria importante que se encontrassem pessoalmente num futuro próximo. Também o creio. A diplomacia exige contactos pessoais frequentes entre os líderes. Esses contactos são ainda mais necessários quando as divergências estão a crescer a olhos vistos.

Vladimir Putin, um vizinho incómodo

https://www.dn.pt/opiniao/o-infinito-vladimir-putin-13547084.html

O link acima leva o leitor para o texto que hoje publico no Diário de Notícias. Assim tem acontecido todas as sextas-feiras. 

Desta vez volto a escrever sobre Vladimir Putin. Escrevera um outro texto sobre ele em finais de janeiro. Na minha opinião, o presidente russo deve constituir um tema central nas preocupações de política externa da União Europeia. Somos vizinhos, ele é um vizinho hostil, mas ninguém escolhe os vizinhos que tem. O essencial é manter a paz na vizinhança, mesmo quando isso não é fácil. 

Como de costume, cito abaixo o último parágrafo do meu texto. E peço a quem achar que vale a pena que envie o link para outros possíveis leitores.

"Uma outra área de preocupação imediata diz respeito à coesão da União Europeia. Putin anda há muito empenhado em estilhaçar a unidade europeia. Vê na eleição presidencial francesa de 2022 uma oportunidade ímpar. Marine Le Pen tem, pela primeira vez, uma possibilidade elevada de vencer. É visceralmente ultranacionalista e contra o projeto europeu. A sua eleição representaria um risco muito sério para a continuação da UE. Putin sabe-o. Tudo fará para intervir no processo eleitoral francês e arruinar quem possa ser um obstáculo à vitória da candidata que melhor serve os seus interesses. É fundamental travar essa intromissão e, ao mesmo tempo, ter presente a lição que o líder russo nos recorda diariamente: as disputas vitais entre os grandes blocos já não se fazem apenas à espadeirada ou com tiros de roquetes."

A tempestade

Dia de tempestade nos mercados financeiros.

Primeiro, por causa dos novos números da pandemia. O Outono ainda não chegou, mas os casos estão a crescer muito rapidamente. Os próximos seis meses vão ser muito problemáticos. O impacto sobre a saúde pública e sobre vários sectores económicos será enorme. O endividamento de muitas famílias e dos estados deverá atingir proporções inéditas e prolongadas. A experiência recente mostrou que os dirigentes políticos não têm uma linha de resposta coerente e coordenada. Assistir-se-á, de novo, a ziguezagues e a medidas que tratam a crise à maneira antiga, levantando as pontes levadiças e trancando as portas de cada nação ou de parte da nação.

Segundo, por causa das práticas de certos grandes bancos globais. Os casos já eram do conhecimento das autoridades financeiras há alguns anos. O consórcio de jornalistas de investigação conseguiu ter acesso aos registos das autoridades e divulgou todo um conjunto de acções ilegais de transferências de capitais de origem duvidosa – vindos da droga, da corrupção na Rússia, na Ucrânia e em vários países menos desenvolvidos. É verdade que essas práticas passaram a ser mais difíceis nos últimos três ou quatro anos. Há mais controlos, internos e externos. Mas aconteceram até então e foram levadas a cabo por instituições bancárias muito conhecidas e de grande peso nos mercados de capitais. Londres foi uma das praças que mais lavou.

Venenos e diplomacia firme

Comprar a edição do Diário de Notícias de hoje é gastar 3 euros bem gastos. O jornal está muito bem feito e tem uma série de histórias humanas bem contadas bem como um excelente naipe de opiniões com interesse. A minha coluna de opinião desta semana tenta responder à questão do relacionamento da União Europeia com a Rússia, numa altura em que várias questões – e não apenas o envenenamento de Alexei Navalny – estão em cima da mesa. Faço, igualmente, uma breve referência à China, por comparação com a Rússia.

O link para o texto:

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/05-set-2020/para-alem-do-veneno-12624386.html

Notas adicionais sobre o Irão

Ao longo do dia, muito se tem dito sobre o avião ucraniano que foi abatido pelas Forças Armadas do Irão. Quero apenas acrescentar duas observações.

A primeira, para sublinhar que o erro cometido mostrou, novamente, que existe uma oposição interna muito corajosa. Esteve na rua hoje, para pedir a demissão do líder religioso do Irão, o Aiatolá Ali Khamenei, e de outros dirigentes. Tais manifestações, num regime totalitário como o que esse país sofre, exigem de quem nelas participa uma coragem à prova de bala.

A segunda nota é sobre a colheita de informações. O disparo contra o voo comercial foi captado em vídeo pelos serviços secretos dos Estados Unidos. Isto lembra-nos que Washington tem uma capacidade ímpar, quando se trata de espiar um outro país. Mesmo um país como o Irão, que investe de maneira excepcional na protecção das suas informações de segurança.

 

 

Segurança trata-se em Munique

A edição de 2019 da Conferência de Munique sobre a Segurança começou hoje e decorre até domingo. Este encontro é um dos momentos altos do calendário anual das grandes conferências internacionais.

Assistimos, nesta década, a uma proliferação de conferências de todo o tipo e sobre os mais variados temas, nas diversas regiões do globo. A maioria dessas iniciativas passa despercebida e não tem qualquer tipo de impacto na tomada de decisões estratégicas ou no diálogo internacional. Tal não é o caso de Munique. Munique tornou-se no Davos das questões de segurança, conflito e paz. Pesa e conta.

Este ano, como já é hábito, terão lugar uma série de encontros bilaterais entre os Estados Unidos, a Rússia e a China, bem como outros.

A situação na Síria, no Sahel, a questão do armamento nuclear e as dimensões de segurança que possam resultar das alterações climáticas estão na agenda. Como continua na agenda a crise na Ucrânia. Fora da agenda, como sempre, estará o conflito israelo-palestiniano. É de demasiado melindroso, para uns, insolúvel, na opinião de outros. Acho bem.

 

 

Escrevendo sobre Vladimir Putin

Um vizinho inconveniente

Victor Ângelo 

 

Nos últimos anos, na altura de fazer o balanço político da dinâmica internacional, Vladimir Putin tem repetidamente aparecido como uma das personalidades mais influentes.

Assim está a acontecer, de novo, neste final de 2016. E não é apenas ao nível da prestigiante revista Forbes, que voltou a considerar Putin, pela quarta vez consecutiva, como o líder mais poderoso do globo. A situação na Síria, as alegações de ciberespionagem e de interferência nas eleições americanas, a dopagem “patriótica” dos atletas russos, as incursões aéreas e marítimas das suas forças armadas no espaço de defesa da Aliança Atlântica, estas são algumas das grandes questões que aparecem ligadas às opções políticas do patrão do Kremlin. E que têm um impacto profundo nas relações internacionais.

À lista haveria ainda que acrescentar os esforços encobertos e multidimensionais que fazem parte de uma intenção deliberada de enfraquecer e, mesmo, fragmentar a UE. Na visão fantasmagórica de Putin, a Europa unida seria uma ameaça aos interesses e à capacidade de influência geopolítica da Rússia.

Mas a verdade é que a UE, para além das sanções relacionadas com a crise ucraniana, não tem sabido responder de modo coerente e estratégico aos desafios e às manobras de Putin. Nesta área, como em várias outras, a política externa comum precisa de mais coerência, de criatividade e, acima de tudo, de um diálogo mais corajoso e firme entre os estados membros.

Sou dos que advogam que é urgente definir uma política comum que responda às ações hostis que vêm de Moscovo. Essa deveria ser uma das primeiras prioridades da agenda externa europeia em 2017. Sei que não será fácil definir uma moldura que possa ser unanimemente aceite. Mas, apesar dessa dificuldade, é fundamental aprofundar a reflexão e definir uma resposta adequada, com tempo e não em cimeiras a fingir e a correr, à volta de um jantar fora de horas e de gente cansada. 

Essa resposta deverá ter em conta a linha que Donald Trump venha a seguir em relação a esse mesmo assunto. Ter em conta não quer dizer, no entanto, alinhamento. Antes pelo contrário. A Europa deverá ter a sua própria agenda política. Os sinais que nos chegam do outro lado do Atlântico são simultaneamente preocupantes e claros quanto à necessidade de uma posição que seja inspirada pelas preocupações europeias. E que sirva, igualmente, como um exemplo impossível de ignorar em Washington.

A estratégia deve ter como objetivos a promoção do respeito pelas normas internacionais e os princípios de boa vizinhança e afirmar sem ambiguidades que a UE considera como fundamental desenvolver um quadro de cooperação com a Rússia que seja mutuamente benéfico. A Europa quer ter na Rússia um parceiro privilegiado, não apenas nas áreas económicas e comerciais mas também em matérias de defesa e de segurança internacional. Espera, por sua vez, que Moscovo veja vantagens numa Europa unida e capaz de desempenhar um papel ativo no equilíbrio de forças ao nível internacional. Por isso, e perante os factos, acha que a política atual de Moscovo, sob a responsabilidade de Vladimir Putin, não vai no caminho certo nem responde às aspirações e aos interesses de longo prazo das populações europeias e russas.

A partir destas linhas estratégicas, e apesar de conhecermos vários exemplos de negociações com representantes de Putin que não têm levado a parte alguma, convém insistir no diálogo. Quem advoga que se cortem as pontes com o Kremlin está equivocado. Os conflitos resolvem-se com paciência, persistência e muita conversa com os adversários. Mas isto não chega. Será ainda necessário enveredar por uma comunicação mais esclarecedora e coerente, que denuncie, junto dos cidadãos europeus e russos, as práticas que consideramos inaceitáveis. O futuro comum, o deles e o nosso, exige, para além do diálogo, que se ganhe a batalha da opinião pública.

 

(Texto que hoje publico na Visão on line)

A nossa resposta a Vladimir Putin

Nos últimos anos, na altura de fazer o balanço do ano que termina, Vladimir Putin tem repetidamente aparecido como uma das personalidades mais influentes na cena internacional.

Assim está a acontecer, de novo, neste final de 2016. A situação na Síria, as eleições americanas e as alegações de ciberespionagem e de interferência, o doping “patriótico” dos atletas russos, as incursões aéreas e marítimas das suas forças armadas no espaço geoestratégico da Aliança Atlântica, estas são algumas das grandes questões que aparecem ligadas às opções políticas do patrão do Kremlin. E que têm um impacto profundo nas relações internacionais.

Para além das sanções relacionadas com a crise ucraniana, a UE não tem sabido responder de modo coerente e estratégico aos desafios e às manobras assinadas por Putin.

Sou dos que advogam que é urgente definir uma posição política comum que responda às acções hostis que vêm de Moscovo. Sei que não será fácil definir um quadro que possa ser aceite por todos os aliados. Mas, apesar dessa dificuldade, é fundamental aprofundar a reflexão e propor uma resposta adequada.

Essa resposta deverá ter em conta a linha que Donald Trump venha a seguir em relação a esse mesmo assunto. Ter em conta não quer, no entanto, dizer alinhamento. Antes pelo contrário. A Europa deverá ter a sua própria posição política. Os sinais que nos chegam do outro lado do Atlântico são claros quanto à necessidade de uma resposta que seja inspirada pelos interesses europeus. E que sirva, igualmente, como um exemplo que não possa ser ignorado em Washington.

 

Começa a época dos balanços

Terminada que está a minha última viagem de um ano de muitas viagens, começa agora o período dos balanços. E, em certa medida, a preocupação é a de encontrar o ângulo positivo das coisas.

Não será fácil. Mas não é uma luta perdida.

Em termos da cena internacional, tem sido um ano de muitas decepções políticas e de grande instabilidade geoestratégica. Em termos mais terra a terra, foi um período de grande sofrimento para muitos, no Médio Oriente, no Norte de África e no Sahel, no Afeganistão e noutros sítios. Aqui, mais perto da nossa porta, foi mais um ano de crise na Ucrânia e no Mar Mediterrâneo, entre os imigrantes e os candidatos ao refúgio. Foi igualmente um tempo em que virou moda atacar o projecto europeu e botar as culpas em cima de Jean-Claude Juncker e de Donald Tusk.

Acabou, acima de tudo, por ser o ano de Donald Trump e o que isso significa em termos de agravamento das intolerâncias nos EUA e das tensões internacionais.

Para além de tudo isto, 2016 surgiu como um período que nos deixa uma enorme interrogação: qual deve ser o nosso desempenho público, que papel assumir, enquanto parte da Europa privilegiada e da elite que tem beneficiado da globalização das relações internacionais?

De imediato, a maneira positiva de ver essa interpelação deve passar pela coragem das opiniões expressas, pela continuação da luta pelo progresso social de todos os que o procuram e pela defesa dos direitos humanos e de liberdade de cada um de nós. Mais ainda, há que estar atento para não se cair nem no pessimismo que nos fecha os horizontes nem na crítica fácil, cínica e demolidora.

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