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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Ucrânia: as duas faces da moeda

Apesar de ambas as partes terem dito, no final da reunião de ontem em Genebra, que continuariam o diálogo, estou convencido que será muito difícil conseguir um desanuviamento no futuro imediato. Por isso mesmo, a promessa americana de submeter um conjunto de respostas por escrito na próxima semana é esperada com muita apreensão. Esse documento tem de permitir que haja uma clarificação das posições, uma identificação das medidas que cada lado deverá levar a cabo e propor um processo de negociações.

Entretanto, o fornecimento de armas e equipamento militar à Ucrânia, por parte dos Estados Unidos, deve ser visto como a outra face da moeda: por um lado, investe-se na diplomacia, por outro, não se perde de vista a dimensão militar.

É evidente que tudo isto agrava uma situação extremamente delicada. Mas não há condições, neste momento, para apostar apenas na diplomacia. O reforço da capacidade de defesa da Ucrânia é absolutamente essencial. A liderança russa tem de compreender que qualquer violação da fronteira ucraniana terá enormes custos militares, para além de todo o pacote de medidas que possam vir a ser tomadas contra os interesses económicos e financeiros da Rússia. Na verdade, perante uma situação de força deve-se responder com meios civis e militares. De modo completo, compreensivo. 

O presente e o futuro

https://www.dn.pt/opiniao/de-davos-a-genebra-do-futuro-a-premencia-do-presente-14511070.html

Este é o link para a minha coluna de hoje no Diário de Notícias. Não podia deixar de falar de Davos, cuja reunião anual (virtual) terminou hoje. Como também não podia deixar de referir o encontro, em Genebra, entre os americanos e os russos, ao nível dos responsáveis máximos dos Negócios Estrangeiros. 

Agora que já se conhecem as grandes linhas que sairam desse encontro, voltarei ao assunto, num post seguinte. 

A intimidação de Vladimir Putin

Na véspera do encontro entre Antony Blinken e Sergey Lavrov, vive-se um elevado nível de preocupação, quer na Ucrânia quer na nossa parte do continente europeu.

As movimentações observadas nos últimos dias só podem levar à conclusão que Vladimir Putin está a preparar uma operação militar de grande envergadura. Mesmo que acabe por não a levar a cabo, as manobras actuais são um exercício de intimidação e de instabilidade inaceitável nos dias de hoje na Europa.

Essa é, para já, uma das grandes conclusões que convém tirar. Não podemos aceitar, em 2022, que uma superpotência europeia ameace os seus vizinhos. Só isso já nos deve fazer reflectir sobre que tipo de resposta se deverá dar a essa intimidação.

Toda a narrativa propalada por Putin é uma simples fabricação, criando uma falsa realidade para depois poder justificar as suas intenções bélicas. Nenhum país europeu, a começar pela Ucrânia, tem qualquer plano de agressão contra a Rússia. Essa é verdade. Ninguém, no interior da NATO, pensa invadir um milímetro que seja do território russo. Quando Putin diz o contrário, sabe que está a mentir ao seu povo para poder justificar o seu poder absoluto e as muitas perdas que uma ação militar russa acabaria por acarretar. Em caso de conflito, provocado por Putin, seria sempre o povo russo o grande perdedor. E ninguém do lado europeu quer que isso aconteça

Russos, americanos, tambores de guerra e mercados de capitais

A geopolítica continua a ter como preocupação número um a situação à volta da Ucrânia. A reunião prevista para sexta-feira, em Genebra, entre Antony Blinken e Sergey Lavrov, é esperada com alguma ansiedade. É difícil, neste momento, prever o que poderá resultar desse encontro. Creio saber, no entanto, que não há muito optimismo do lado americano.

Entretanto, os mercados bolsistas parecem ignorar este risco geopolítico. Estão sobretudo preocupados com os níveis de inflação, em particular nos Estados Unidos, e com os aumentos das taxas de juro. Vivem numa outra realidade. Também é verdade que tem havido um fluxo de desinvestimento nos mercados russos. E quem ainda lá está investido está agora preocupado em sair. Não se nota, no entanto, um movimento de pânico.

Guerra na Europa do Leste?

Depois dos encontros em Genebra, Bruxelas e Viena, que decorreram ao longo da semana, a tensão entre Rússia, os Estados Unidos e a NATO piorou. Cada delegação expôs os seus pontos de vista e as suas linhas de actuação, sem que tivesse havido diálogo entre as partes. Antes pelo contrário. As reuniões mostraram que o fosso que as separa é enorme e que as exigências vindas de Moscovo são claramente inaceitáveis, quer em Washington quer na Europa. Pensa-se que o objectivo da posição russa era o de obter um não. E foi isso que aconteceu.

Existe um risco real de confrontação. O ministro dos Negócios Estrangeiros da Polónia disse-o sem ambiguidades em Viena, na reunião da OSCE, a Organização para a Segurança e a Cooperação na Europa. Utilizou, mesmo, a palavra “guerra”, uma expressão que não pode ser dita de ânimo leve.

No lado russo, afirma-se claramente que as negociações foram um fracasso. Insistem na questão da expansão da NATO para o leste europeu. Esta questão da adesão à NATO de países como a Ucrânia e Geórgia, que tem a oposição frontal de Moscovo, parece ser a mais importante, a mais delicada.

Esta semana, a diplomacia não serviu para desanuviar o clima de hostilidade. Mas não há melhor solução do que continuar a insistir nas conversações diplomáticas. Têm, no entanto, que assentar em concessões concretas, vindas de ambos os lados.

 

 

 

Americanos e russos

As delegações americana e russa reuniram-se ontem em Genebra, durante mais de sete horas. No final, a única coisa concreta que puderam referir foi que tinham estado reunidos e que cada parte tinha explicado as suas posições.

E mostraram satisfação com esse “resultado”. O que provou uma vez mais que os contactos pessoais ao mais alto nível são importantes. Permitem desanuviar um pouco a tensão existente e abrem a porta para novos encontros. Possibilitam, igualmente, a cada delegação falar para o seu público doméstico para mostrar firmeza e louros.

O essencial é que o processo continue. Ao mesmo tempo, é fundamental não diminuir o nível de alerta e estar preparado para tudo. A situação continua muito perigosa

O diálogo americano-russo

Joe Biden e Vladimir Putin falaram por videoconferência a 7 de Dezembro durante duas horas. Voltaram a falar hoje durante 50 minutos. Foram duas longas conversas em menos de um mês. Se por um lado é bom que os dois líderes discutam, por outro o curto intervalo entre ambas mostra a seriedade das tensões existentes.

Entretanto, esta semana, os EUA realizaram duas missões de recolha de informações militares ao longo da fronteira entre a Ucrânia e a Rússia. Os resultados não são obviamente do domínio público. Mas as indicações conhecidas mostram que existem razões para temer uma possível ofensiva russa. A conversa de hoje deve ter sido à volta disso.

E em preparação para as negociações americano-russos que começarão em Genebra dentro de duas semanas. As delegações partem para Genebra com posições muito diferentes. Há um fosso enorme entre elas. É assim, tantas vezes, quando existe um conflito entre as partes. Mas o diálogo entre os presidentes e o facto das delegações americanas e russas serem dirigidas por personalidades muito próximas dos respectivos líderes são dois aspectos positivos.

 

De novo sobre as ameaças russas

O texto que ontem publiquei no Diário de Notícias foi considerado por alguns leitores – os que me contactaram – como pessimista. Nomeadamente, no que respeita a uma possível acção armada da Rússia contra a Ucrânia. A questão iraniana não toca tanto os leitores portugueses. O Irão encontra-se num mundo distante, que parece não fazer parte do nosso. Já a Rússia desperta grande interesse, atitudes emocionais mesmo.

Claro que não posso ter a certeza, quando se trata das intenções russas. Mas a verdade é que o Kremlin fez saber quais são as suas exigências em relação à NATO e ao Ocidente. Ficou assim claro que Vladimir Putin e os seus apenas querem negociar com os americanos. Os estados europeus não contam, não fazem medo aos russos. São os EUA quem conta. E quando os russos falam da NATO, estão novamente a falar dos americanos.

As exigências anunciadas são, à partida, inaceitáveis. Querem fazer recuar o relógio da história cerca de vinte e cinco anos. Para o conseguir vão aumentar a pressão sobre a Ucrânia – e não só –, de tal maneira que leve o Ocidente a ceder. É aí que está o risco. Este jogo de confrontação só tem duas saídas: ou um lado cede ou então há um choque. Ora, estamos muito perto de assistir a um choque.  

 

As grandes ameaças internacionais a curto prazo

https://www.dn.pt/opiniao/uma-epoca-de-festas-sem-treguas-14415083.htm

Este é o link para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. Escrevo sobre as ameaças mais imediatas: o Irão, a Rússia e o Ómicron. Deixo outras, que considero um pouco mais distantes, mas igualmente muito sérias, para uma outra ocasião. Aí estarãoTaiwan, os mercados financeiros e os impactos que vão ocorrendo das alterações climáticas. 
Cito de seguida umas linhas do escrito de hoje.

"Por outro lado, o novo governo iraniano tem estado a acelerar o seu programa de enriquecimento de urânio, em clara violação do Plano de Ação de 2015. Neste momento, já acumulou suficiente material físsil para poder produzir várias armas nucleares. Em simultâneo, acelerou a produção de mísseis balísticos e de meios aéreos capazes de transportar uma carga nuclear. Tudo isto é muito grave e levanta muitas bandeiras vermelhas nos sítios do costume."

O G7, a Rússia e a crise na fronteira da Ucrânia

A reunião de hoje dos ministros dos negócios estrangeiros do G7 foi convocada a título extraordinário. A ordem do dia tinha apenas um ponto, coordenar a resposta que será dada caso a Rússia venha a intervir militarmente na Ucrânia. 

O carácter excepcional e urgente deste encontro deixa entender a gravidade da crise.

As últimas declarações do Presidente Vladimir Putin, que afirmou que no Leste da Ucrânia estaríamos perante o desenrolar de um genocídio dos russo-falantes, acrescentaram um nível adicional de preocupação. A referência manipuladora e mentirosa a um genocídio que não existe é um primeiro passo para criar uma ficção e justificar a acção militar. Depois dessas palavras, ficou mais claro que Putin se prepara para invadir e anexar a região ucraniana de Donbas. Se isso se concretizar, teremos na Europa uma crise de grande envergadura. 

 

 

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