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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Traição

Enquanto cidadão da União Europeia e democrata, não posso ser neutral em relação ao regime de Vladimir Putin. Trata-se de uma ameaça real para a nossa segurança. A agressão contra a Ucrânia e as declarações de Putin, Lavrov e outros mostram a verdadeira natureza do regime. A repressão interna, contra o povo russo, também o mostra.

Nestas circunstâncias, não só não se pode ser neutral como é igualmente importante fazer tudo o que seja possível para enfraquecer Putin e os seus.

Quem no nosso país ou na nossa parte da Europa apoia ou tenta justificar o regime de Putin não entende o que está em jogo. Ou então, prefere alinhar-se, durante esta crise tão perigosa, com o inimigo. A isso chama-se traição.  

Parabéns, Emmanuel Macron e muita sabedoria

Vista de onde me situo, não sendo francês, considero a vitória de Emmanuel Macron uma excelente notícia para a Europa. Macron sabe que o reforço da União Europeia é um objectivo estratégico essencial e que a contribuição da França é indispensável.

Não foi uma vitória fácil, depois de cinco anos de mandato que conheceram várias crises: os enormes desafios migratórios, o relacionamento conflituoso com a América de Donald Trump, a pandemia, nos últimos dois anos, e o confronto com a Rússia de Vladimir Putin. Tudo isso teve um impacto enorme na política interna francesa, na economia e nas condições de vida, bem como na criação de profundas fracturas sociais e culturais.

Até ao último momento, fiquei na dúvida sobre o que poderia ser o resultado desta eleição. As imensas complexidades que a sociedade francesa – e outras, na Europa – vive preocupam-me. E não sabia que impacto poderiam ter nas escolhas eleitorais.

Vivemos um período de incertezas e de confusão ideológica. Não o reconhecer, parece-me um erro significativo. As lideranças precisam de tratar estas questões com uma coragem e clareza que têm faltado. Veremos que tipo de segundo mandato Emmanuel Macron irá desempenhar.

Entretanto, desejo-lhe os maiores êxitos e a compreensão que este é um tempo que exige a construção de consensos.

A Europa e os arautos da crise

Não há motivos para uma leitura pessimista da situação política e económica da União Europeia, para além do confronto aberto com a ditadura russa. É verdade que esse confronto pode levar a um choque militar. Mas, para já, não me parece que tal venha a acontecer. As medidas tomadas contra o regime de Vladimir Putin deverão ter um impacto muito profundo, sobretudo se o embargo em matéria de petróleo for decidido. Estas medidas são a maneira moderna de combater um Estado hostil, sem qualquer recurso a uma simples bala de pistola ou bola de canhão. São eficazes, se atingirem os sectores vitais do poder do adversário. Não devem ser referidas como fazendo parte de uma guerra contra o outro lado. São sanções, às quais a outra parte pode responder, se tiver capacidade para isso, com medidas equivalentes e proporcionais. O que não é exactamente o caso da Rússia.

Mas, repito, não há razões internas que justifiquem o alarmismo e o toque a finados da democracia europeia. Já não direi o mesmo se Emmanuel Macron perder a eleição presidencial no próximo domingo. E como já aqui o escrevi, e apesar das sondagens, esta eleição é de alto risco. Quem pensa o contrário, em França ou noutras terras da Europa, não estará a ver bem o que está em jogo.

Ucrânia: o sumário do dia

Questões de hoje, relacionadas com a agressão contra a Ucrânia: fiz a lista, e conto pelo menos 15 grandes questões. E a reflexão sobre essas questões leva a quatro conclusões, numa espécie de sumário de aspectos particularmente relevantes: o agravamento contínuo da crise; a hostilidade crescente em relação aos países ocidentais, por parte da Rússia; a fragilidade das forças armadas russas, quando se trata de operações militares clássicas; e o controlo absoluto da narrativa pelo Kremlin, quando se trata de contar à audiência doméstica o que se está a passar.  

Emmanuel Macron e nós

https://www.dn.pt/opiniao/macron-tem-de-saber-ganhar-14771451.html

Link para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. Transcrevo, de seguida, esse texto. 

Macron tem de saber ganhar

Victor Ângelo 

Na primeira volta da eleição presidencial francesa, cerca de 56% dos eleitores votaram de modo radical, contra o sistema. Um resultado assim revela um mal-estar social profundo, num país que é um dos pilares da UE e membro permanente do Conselho de Segurança das Nações Unidas. É preocupante. Uma análise mais fina reforça a nossa inquietação – em cada três cidadãos, um votou pela extrema-direita. Ou seja, optou por uma visão retrógrada do que deverá ser a França de amanhã, pelo ultranacionalismo xenófobo e a favor de um líder prepotente, que se considera um salvador da pátria. E fê-lo com a convicção intransigente de quem vê o mundo a preto e branco, sem matizes nem respeito por ideias diferentes das suas. Os radicais são assim.

A primeira volta sublinhou, de novo, a fragilidade das democracias. Quando Donald Trump chegou ao poder, acreditou-se que a ameaça que ele personificava era muito própria do sistema institucional americano. Uma situação similar, na Europa, parecia improvável. Entretanto, agora a 3 de abril, o autocrata Viktor Orbán voltou a ser reeleito, pela terceira vez, como primeiro-ministro da Hungria. Mas esse facto foi mais ou menos varrido para um canto, com a desculpa que a Hungria pesa pouco no xadrez das relações europeias e que Bruxelas saberia como responder. Desta vez temos a França, uma peça-chave no nosso tabuleiro, e Marine Le Pen a bater à porta do Palácio do Eliseu.

Le Pen percebeu, ao longo dos últimos cinco anos, que não é com vinagre que se apanham moscas. Moderou o discurso, arquitetou promessas sociais aliciantes, embora irrealistas, e, acima de tudo, apostou na empatia, no contacto pessoal com os eleitores. Vestiu a pele de uma democrata, mas continua, na sua essência, a ser uma extremista primária e perigosa. E, como todos os extremistas, é incapaz de ter uma visão de conjunto, de saber interpretar a complexidade dos problemas, reduzindo tudo a duas ou três ideias simplistas, que servem de pau para toda a obra.

É um erro considerar que Orbán ou Le Pen, ou gente da mesma prática política, são apenas uns democratas iliberais. São, isso sim, cada um à sua maneira, verdadeiras ameaças contra a democracia. Ponto final.

Certos intelectuais gostam de falar de “democracia liberal”. Mas esse é um conceito bacoco, utilizado apenas para soar a erudito. Ou há democracia, sem outros qualificativos, mas com tudo o que isso implica em termos das liberdades, da diversidade de opiniões e da separação dos poderes, ou não há. É isso que hoje se não vive na Hungria e que amanhã poderá acontecer em França. O mesmo se deve dizer da exaltação do nacionalismo populista e étnico, que é um atentado contra a consolidação da UE. Esses exaltados têm uma visão meramente oportunista e mercantil do projeto comum. No caso de Le Pen, as medidas que propõe levariam fatalmente à saída da França da UE, se fossem levadas a cabo.

No interesse da democracia em França e da unidade europeia, é fundamental que Emmanuel Macron ganhe a eleição. Pensar que a sua vitória são favas contadas poderá levar à derrota. Vive-se, em França, como noutros países, um período de incertezas, de frustrações e de crítica vulgar das elites. O frente-a-frente televisivo de 20 de abril será certamente muito importante. Mas poderá não ser tão decisivo quanto o foi o debate equivalente, há cinco anos, quando Macron pôs a nu a ignorância que Le Pen trazia na bagagem. É agora preciso ir mais longe. Macron tem de falar de modo concreto e evitar as ideias vagas e a verborreia. O fluxo palavroso é uma das suas fraquezas. Ele, como outros políticos que conheço, confundem loquacidade com boa comunicação. É um erro. A política hoje faz-se falando a pessoas reais dos seus problemas e das suas aspirações, das dificuldades do presente e do futuro com otimismo. Tudo isso, com serenidade e um profundo toque humano. Barack Obama mostrou ser um mestre nessa arte. Esperemos que Macron o consiga igualmente fazer. É vital barrar Marine Le Pen.

 

Falemos de petróleo

Os ministros dos Negócios Estrangeiros da UE reúnem-se amanhã, no Luxemburgo, para discutir um novo pacote de sanções contra a Rússia. O embargo das importações de carvão é um tiro para o ar, sem qualquer peso real, para além do mero simbolismo vazio que poderá representar. A UE importa cerca 5,2 mil milhões de euros por ano de carvão russo. É valor relativamente insignificante. O que na verdade conta são as importações de petróleo e de produtos derivados do petróleo. Foram 74 mil milhões de euros em 2021. É aí que tem de se fechar a torneira. O petróleo poderá vir de muitos outros sítios. Não deverá continuar a ser importado da Rússia. É isso que se pede aos ministros que decidam amanhã. A pressão pública, a nossa pressão sobre os ministros e os governos europeus tem de incidir nessa área.  Se assim acontecer, a Rússia não terá condições financeiras para prolongar a agressão contra a Ucrânia por muito mais tempo.

 

A palavra que não se pronuncia

Ninguém quer uma confrontação armada com a Rússia. As medidas económicas e financeiras mais as sanções políticas devem ser suficientes, se bem administradas e suficientemente estratégicas. Hoje, não se fala de guerra. Essa é uma palavra que não deve ser pronunciada. Mas toma-se todo o tipo de medidas não-bélicas que levem o adversário a perceber que as suas acções são um erro, um crime, e que devem cessar.

Manter a pressão política

De Bruxelas a Beijing e Nova Deli, em tempo de atrocidades

Victor Ângelo

 

 

Na nossa parte do mundo, esta foi uma semana de viragem para pior. Estamos hoje numa situação bem mais delicada e perigosa. As atrocidades cometidas em Bucha, nos arredores de Kyiv, e noutras localidades, chocaram quem delas tomou conhecimento e prejudicaram gravemente a possibilidade de um diálogo entre os países ocidentais e o regime de Vladimir Putin. Agora, e sem se pronunciar a palavra que todos temem, poderemos estar numa confrontação decisiva entre os dois lados.

Um dos dois terá de ceder. Seria um engano não pensar assim. E, claro, o recuo não pode ser do nosso lado. Mas seria um erro ainda maior não agir de modo consequente. Isto quer dizer que as sanções precisam de entrar num novo patamar, que vise minar de modo determinante a capacidade económica e financeira do Kremlin. É fundamental ir mais além do carvão e deixar de importar todo o tipo de produtos petrolíferos. As estatísticas são claras: em 2021, a UE importou da Rússia 74 mil milhões de euros de petróleo e de produtos derivados do petróleo, enquanto as importações de gás natural somaram 16,3 mil milhões. Há quem na UE se oponha a esse tipo de sanções, dizendo que provocaria uma onda inflacionista e dificuldades insuportáveis para muitas das nossas empresas. Estudos credíveis mostram que tudo isso é gerível, tendo em conta o grau de sofisticação das nossas economias e os recursos que podem ser mobilizados. Mas, mais ainda, deve-se compreender que a obtenção da paz e a salvaguarda do futuro da Europa não podem ser obtidos sem alguns sacrifícios no curto prazo.

É igualmente essencial isolar ainda mais a Rússia. Foi essa a questão central das preocupações europeias, aquando da cimeira com a China, na passada sexta-feira. Durante a reunião, a mensagem pareceu cair em ouvidos moucos. Os dirigentes chineses insistiram na excelente cooperação que existe entre eles e Putin. Mas, nos dias seguintes, o discurso público em Beijing evoluiu. Passou a ser mais positivo em relação à Europa. Quem tem dinheiro, tem amigos, e os chineses sabem que a UE se transformou no seu maior parceiro comercial. Não podem perder o mercado europeu. O comércio entre ambos cresceu 27,5% em 2021, apesar das dificuldades ligadas à pandemia, ao aumento dos custos dos transportes marítimos, às interrupções nas cadeias de circulação de componentes e a um clima geopolítico desfavorável. Também não podem perder os investimentos vindos da Europa. Ursula von der Leyen e Charles Michel souberam fazer valer a carta dos investimentos. O acordo nessa matéria, aprovado em Bruxelas, em finais de 2020, tem estado congelado desde então, o que irrita a parte chinesa. Um maior afastamento da China em relação à Rússia poderá fazer avançar o descongelamento.

Para além da vertente mercantil, a China quer uma UE forte, na esperança de assim conseguir desamarrar, política e militarmente, a Europa dos EUA. Isso explica que seja construtiva na maneira como se refere à UE e, ao mesmo tempo, siga e amplie a retórica da Rússia, no que respeita à NATO. Independentemente dessa narrativa, o importante é fazer ver a Beijing que uma proximidade excessiva em relação a Putin joga contra os interesses a prazo da China. E não se trata dos interesses económicos apenas, por muito importantes que sejam as matérias-primas extraídas do vasto território russo. A deterioração da imagem internacional do ditador russo não pode ser ignorada por um país que ambiciona ser olhado como um dos polos da nova ordem global e um farol de paz.

No meio de tudo isto, seria um descuido grave esquecermo-nos da Índia. Narendra Modi investe num relacionamento próximo com a Rússia, para evitar que esta caia apenas para o lado chinês. A rivalidade com a China e a inimizade contra o Paquistão são os dois eixos principais da política externa indiana. Não quer, por isso, dar uma qualquer oportunidade à China de beneficiar de uma relação comparativamente mais privilegiada com a Rússia. A UE não pode descurar, nesta matéria, o diálogo com a Índia, franco e em paralelo com o que deverá continuar a manter com a China.

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