Portugal é grande quando abre horizontes

12
Abr 19

Existem razões políticas suficientes para justificar a realização de um segundo referendo sobre o Brexit. Se acontecesse, o resultado desta nova votação poderia aparecer como uma confirmação da maioria obtida em 2016, ou ir no sentido oposto. Seria, em qualquer dos casos, um referendo com base numa melhor compreensão do que está em jogo.

Poderá vir a acontecer.

Penso, no entanto, que os dirigentes europeus não devem ficar à espera por muito tempo que os britânicos decidam se realizam ou não uma nova consulta popular. Por isso, defendo que se deve dar um prazo definitivo aos políticos que estão no governo de Theresa May e no Parlamento de Westminster. Uma data final e nada mais.

A participação britânica nas eleições europeias de finais de Maio é uma aberração política. Estou hoje convencido que a Primeira Ministra e o Líder da Oposição, Jeremy Corbyn, se apercebem desse absurdo e dos custos políticos que daí decorrem. Assim, acredito que estão cientes que as discussões entre eles têm que chegar a uma conclusão em breve, não muito depois da Páscoa.

Esperemos que sim.

 

publicado por victorangelo às 20:23

10
Abr 19

Os líderes europeus decidirão, dentro de horas, que resposta dar ao pedido de Theresa May, que solicitou um breve adiamento da data de saída do seu país da União Europeia. O pedido formal da Primeira Ministra propõe 30 de Junho como o novo prazo para o Brexit.

Reconheço, como muitos outros, que esta é uma questão profundamente complexa. Aconselho, no entanto, que não se complique ainda mais o que já está desesperadamente enrolado.

Também, para evitar novas acusações de humilhação, os líderes deveriam aceitar a proposta britânica. É verdade que a Primeira Ministra está numa situação de grande fraqueza política. Não aceitar o seu pedido aumentará a sua fragilidade.

Uma extensão longa – que tem muitas hipóteses de ser a resposta que a noite irá dar –, e flexível, não me parece ser a mais acertada. Multiplica de modo significativo os riscos de instabilidade, do lado da UE. Só deveria ser aceite se do lado britânico houvesse abertura para um novo referendo.

publicado por victorangelo às 17:09

22
Mar 19

A reunião do Conselho Europeu de ontem e de hoje mostrou maturidade e equilíbrio. Uma boa notícia, para quem se interessa pela saúde política da Europa. O tema mais complexo da agenda tinha que ver com a resposta a dar a Theresa May.

Os 27 Chefes de Estado e de Governo discutiram exaustivamente as várias opções relativas à data final de saída do Reino Unido da União Europeia. A Primeira Ministra queria um prolongamento até finais de junho. Não tinha uma justificação concreta para esse pedido, a não ser que precisava de mais três meses para resolver o que não conseguira fazer aprovar nos últimos quatro meses. Como estratégia, sabia a nada.

Na tomada de decisão, o processo teve em conta três aspectos.

Primeiro, evitar a ratoeira do ultimato. Ou seja, não dar a oportunidade nem aos deputados britânicos nem à opinião pública do país de dizer que a decisão do Conselho Europeu era uma ingerência, uma intimação. Nesta fase muito crítica do processo, a questão é um problema interno do Reino Unido. Os líderes europeus devem definir os limites, mas, simultaneamente, deixar espaço de manobra aos britânicos.

Segundo, voltar a reconhecer que uma saída negociada é, de longe, a opção preferida. Um Brexit sem acordo será sempre um péssimo Brexit.

Terceiro, respeitar a integridade das eleições europeias. Isto que dizer que tudo terá que estar claro aquando do início do processo eleitoral que levará às eleições marcadas para finais de maio.

Assim, a bola voltou a estar no campo britânico. E as balizas do jogo ficaram definidas com mais rigor. É verdade que ainda não se sabe bem como vai terminar a partida. Mas o Conselho Europeu já olha para o futuro a 27, sem contar com a presença e a participação do Reino Unido. Ninguém acredita que possa surgir uma reviravolta de todo o tamanho, que leve à anulação do Brexit. Por isso, a preocupação é a de gerir a saída com todo o cuidado possível.

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 17:25

20
Mar 19

O discurso que Theresa May fez à nação esta noite foi absolutamente desastroso. A ideia central da sua mensagem pode resumir-se assim: a culpa é dos outros, dos deputados e dos procedimentos constitucionais.

Really?

Um erro absoluto.

Não sei quem a aconselhou a falar assim. Mas, a verdade é bem evidente: a Primeira-Ministra já não está à altura do desafio que é o Brexit. O seu prazo de validade terminou. Chegou ao fim.

publicado por victorangelo às 22:33

13
Mar 19

Ontem à noite surpreendi alguns, quando, depois do novo chumbo em Westminster do projecto de acordo de Brexit, falei da possibilidade de uma terceira volta. Ou seja, do regresso ao Parlamento do projecto, depois de mais um ou dois retoques cosméticos, para uma votação final, uma possível aprovação, nesse momento.

A verdade é que estamos a percorrer paisagens políticas inéditas, nunca dantes exploradas. Assim, pode-se imaginar tudo, todo o tipo de opções políticas, pensar no inimaginável. Não por diversão ou para dizer algo diferente do que outros dizem. Sim, porque é no interesse de todos encontrar uma solução a um processo particularmente complexo. Um processo em que o habitual deixou de fazer sentido.

publicado por victorangelo às 14:56

12
Mar 19

Hoje à noite, perante o resultado que se viu no parlamento britânico, queria lembrar o velho ditado que não há duas sem três. Ou seja, tendo presente a tenacidade de Theresa May e o facto que, de um lado e do outro, em Bruxelas e em Londres, se pensa que é fundamental que haja uma saída ordenada, é muito possível que o que foi chumbado hoje pela segunda vez volte ao Parlamento de Westminster. E que, depois de um novo retoque, acabe por ser aprovado.

publicado por victorangelo às 21:15

11
Mar 19

Na Alemanha, 67% dos eleitores querem que Angela Merkel vá até ao fim da presente legislatura. É uma percentagem apreciável, sobretudo se se tiver em conta que a Chanceler está no poder desde 2005 e que deixou, no final do ano passado, de ocupar a liderança do seu partido, a CDU. Mas a situação da coligação que dirige é frágil, sobretudo com o outro lado, o partido Social-democrata, a perder apoio eleitoral. Se esse declínio se confirmar nas eleições regionais que terão lugar no próximo semestre, nos “landers” do leste, é muito possível que os sociais-democratas saiam da coligação e que o governo de Merkel seja forçado a fazer as malas.

Quando Merkel sair, deverá entrar a actual líder do seu partido, Annegret Kramp-Karrenbauer (AKK). Esta senhora tem uma boa base de apoio dentro da CDU. Além disso, poderá conquistar votos à direita, incluindo junto dos eleitores que agora se aproximam da extrema-direita, do partido Alternativa Para a Alemanha (AfD). São votos que Merkel perdeu, sobretudo depois da crise migratória de 2015, mas que Kramp-Karrenbauer deverá saber recuperar.

AKK é uma líder mais directa, mais pão, pão, queijo, queijo. Mostrou-o agora, ao responder à mensagem que o Presidente francês enviara aos europeus na semana passada. Sem demoras, e sem rodeios, AKK veio dizer-nos que não está de acordo com Emmanuel Macron. E, nalgumas matérias, entrou mesmo em choque. Assim aconteceu com a questão de um assento permanente para a Europa no Conselho de Segurança das Nações Unidas. AKK quer que o lugar que corresponde à França passe a ser utilizado colectivamente, em nome da UE. Sabe que esta proposta nunca será aceite em Paris, nem pouco mais ou menos, mas não hesitou em fazê-la. É uma maneira de marcar posição. E servirá como travão. Cada vez que a França propuser algo que desagrade à Alemanha, Berlim voltará a pôr esta ideia em cima da mesa. E outras semelhantes, como por exemplo, acabar com a sede do Parlamento Europeu em Estrasburgo, uma proposta com lógica, mas que deixa os franceses com uma dor aguda do lado do coração patriótico.

As declarações de um lado e do outro mostram que há uma divergência importante entre os dois principais países motores da construção europeia. E, sabendo o que sei, vai ser a posição de Berlim que vai pesar de facto em Bruxelas.

 

publicado por victorangelo às 21:04

07
Mar 19

Cerca de 55% dos franceses considera que a mensagem do Presidente Emmanuel Macron sobre o futuro da União Europeia se justifica e importa. Este apoio é significativo, sobretudo na fase actual em que se encontra a França, quando a fragmentação e a hostilidade são os principais traços da paisagem política.

Uma das razões por detrás deste nível de aprovação assenta na visão idealista do papel da França na Europa. Muitos, nacionalistas e não só, querem que a França seja o motor do projecto europeu, o país que deve puxar a UE para a frente. A iniciativa do Presidente alimenta esse tipo de ambição. Uma ambição que outros apelidariam de ilusão, também é verdade.

De qualquer modo, vontade, capacidade, empenho ou quimera, o problema é o de encontrar aliados noutras nações europeias. Esse é o grande desafio que o plano de Emmanuel Macron tem pela frente. É uma dificuldade de monta. Sem a resolver – e eu não vejo, neste momento, saída para essa questão –, as ideias europeias de Macron não terão um impacto verdadeiramente transformador. Poderão mesmo ficar num canto da história dos próximos anos.

Em política, nada se faz sozinho. E, no caso da construção europeia, isso é ainda mais verdade.   

 

 

publicado por victorangelo às 20:35

06
Mar 19

Certos intelectuais continuam a tentar explicar as mudanças políticas que se vivem nalguns países europeus com uma longa referência à “crise dos sistemas financeiros”. Mas, não se percebe bem que crise é essa.

Sim, assistimos, nalguns países, incluindo no nosso, a graves problemas relacionados com a dívida pública e o impacto que tiveram sobre a situação económica, a doméstica e a da vizinhança. Sim, vimos vários bancos em dificuldades, aqui, na Grécia, em Itália, Chipre, etc, mesmo no Reino Unido. Sabemos, todavia, que na base desses problemas estavam más decisões de gestão, créditos atribuídos por razões políticas e amizades corruptas, para além dos desafios resultantes de um crescimento económico negativo ou anémico. Sim, fomos testemunhas da expansão e da globalização dos mercados financeiros, de uma penetração muito significativa de capitais estrangeiros nas economias europeias, de uma concorrência de um novo tipo, de proporções nunca vistas.

Tudo isso provocou e continua a causar instabilidade e, nalguns casos, grandes rupturas nos sistemas financeiros. E temos mais tempestades à vista: o Brexit sem acordo, a confrontação comercial entre os Estados Unidos e outras grandes economias, a dívida pública italiana, ou ainda, o possível colapso de um par de grandes bancos bem como a revolução que a Inteligência Artificial irá ocasionar. Com a internacionalização dos mercados de capitais e a rapidez dos fluxos financeiros, uma gripe num sítio pode facilmente transformar-se numa pneumonia mais além, nas economias frágeis e dependentes do exterior.

É evidente que estes fenómenos criam insegurança e grandes receios. Muitos cidadãos têm medo e sentem-se impotentes . E quando olham para o poder político, para o funcionamento das instituições, não ficam tranquilos. Em muitos casos, os mais fracos não vêem na liderança política quem se interesse verdadeiramente pelas suas preocupações. Antes pelo contrário. Os políticos parecem andar num outro planeta. E quando se aproximam, soam a falso, dir-se-ia que lhes falta a sinceridade. O empenho.

É aí que encontramos as chamadas crises políticas. Os movimentos de radicalização. O baralhar das cartas e o aparecimento de outros ases, nem sempre da melhor cepa. E assim, o edifício político, que as nossas democracias europeias foram construindo, passa a enfrentar grandes tremores e parece estar prestes a desabar. Por isso se fala tanto de crise política.

Na verdade, é a questão da representatividade que está em jogo. O debate deve começar por essa questão. Quem nos representa e como?

 

publicado por victorangelo às 16:31

05
Mar 19

A mensagem – sim, penso que mensagem é a palavra que melhor descreve aquilo que outros chamaram de tribuna ou declaração – que o Presidente Emmanuel Macron agora enviou aos europeus é para ler com atenção. O que escreveu, desta vez lê-se bem, vai directo ao assunto e apresenta propostas concretas.

Porém, não gosto do título. Renascença? Parece-me um pouco exagerado. A União Europeia não está moribunda, não tem estado parada. Poderá justificar-se falar de um novo empenho, de um plano para a nova década, de uma união que se consolida. Mas, não me parece ser necessário renascer. Nem das cinzas, nem do pessimismo.

Há, isso sim, que ser claro quanto aos desafios que estão à nossa frente, mostrar as cartas e propor as respostas, falar da cidadania europeia. Tudo pela positiva.

Sublinhar o pessimismo, dar crédito aos derrotistas, dramatizar, falar de crise quando há ideias e projectos, são maneiras erradas de encarar o futuro. Não aconselho.

 

publicado por victorangelo às 21:06

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