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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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As ameaças que a Europa enfrenta

https://www.dn.pt/opiniao/a-uniao-europeia-no-caminho-do-colapso-13963761.html

Este é o link para a minha crónica de hoje, publicada no Diário de Notícias. O título é uma chamada de atenção para a necessidade de firmeza quando se trata de defender e fazer aplicar os valores em que assenta a União Europeia. O texto concentra-se numa análise de duas grandes ameaças internas para a estabilidade e a credibilidade da União - o húngaro Orbán e o polaco Kaczynski - e da enorme ameaça externa que Erdogan representa. 

Cito uma extracto do meu texto, como é habitual.

"A luta contra a corrupção e pelo bom funcionamento da justiça, sobretudo a sua independência, são dois aspetos fundamentais do projeto europeu."

 

Um triângulo divergente

https://www.dn.pt/opiniao/a-europa-a-china-e-os-eua-um-triangulo-turbulento-13942450.html

Este é o link para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. No que respeita à China, a Europa deve ter a sua própria política. Não pode ir a reboque dos Estados Unidos. A posição americana aposta no confronto. A europeia tem de se basear na reciprocidade de tratamento e no diálogo inteligente e estratégico com a China. 

Cito um extracto do meu texto. 

"Qualquer importador europeu que necessite de bens ou componentes made-in-China para manter as suas atividades produtivas poderá bem explicar a importância de um relacionamento comercial sem entraves desnecessários. Os mais informados sublinharão ainda a necessidade de se evitar um agravamento das tensões em Taiwan e no Mar do Sul da China. Isto também se aplica ao lado chinês, que não deve continuar a apostar numa escalada de ações ofensivas nessas zonas tão sensíveis."

 

Do futebol à construção europeia

O europeu de futebol terminou agora. O campeonato mistura desporto com nacionalismo. E mostra claramente que a Europa é um espaço geopolítico de nações. Acentua, aliás, esse sentimento de pertença nacional. Assim, qualquer avanço que se vá conseguindo na consolidação da União Europeia é uma vitória. Mas é igualmente claro que é um processo que exige muita habilidade política, para que se possam identificar claramente as razões que justificam a transferência de partes do nacionalismo e da soberania para uma construção política supranacional. O grande desafio é conseguir-se avançar com a união apesar das diferenças. Por isso, o discurso político europeu tem que se basear nas vantagens que resultarão da conjugação de esforços. E também deve saber explicar os riscos da fragmentação, tendo em conta os outros grandes poderes que existem em distintas partes do mundo.

A nossa fragilidade estratégica

https://www.dn.pt/opiniao/taiwan-aqui-tao-perto--13895355.html

Aqui fica o link para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. E também fica um parágrafo desse texto. É o parágrafo de abertura, que só por si, diz muito. 

"Taiwan faz parte do nosso quotidiano. Assim acontece porque a empresa que produz a quase totalidade dos chips ao nível mundial, usados em tudo o que é electrónica, telemóveis, autómatos e veículos automóveis, é a Taiwan Semiconductor Manufacturing Company (TSMC). Um colosso omnipresente, mas discreto, que vale na bolsa duas vezes o PIB de Portugal. E que convém lembrar, nesta semana em que se fala tanto da China."

Sol e sombra na política portuguesa

Uma nota positiva e outra negativa.

A positiva vai para o empenho que o primeiro-ministro António Costa mostrou na condução dos assuntos europeus, ao longo do semestre que ontem terminou. A presidência portuguesa do Conselho Europeu mostrou iniciativa, trabalho e resultados. Foi um período difícil, com picos de pandemia e um acentuar das tendências ultranacionalistas de alguns estados-membros. Mas António Costa, Augusto Santos Silva e o embaixador em Bruxelas junto da União Europeia, Nuno Brito, fizeram um bom trabalho.

A nota negativa é sobre o que se passa à volta do ministro Eduardo Cabrita. Costa sabe perfeitamente que essa personalidade é um desastre e que está a roubar credibilidade ao governo, em especial ao próprio primeiro-ministro. Cabrita devia ter assumido as responsabilidades do acidente na A6, ou seja, pedir que fosse feito um inquérito independente ao acontecido. Não o fez e ainda andou a meter os pés pelas mãos. A reacção do primeiro-ministro deveria ter sido aconselhar Cabrita a sair do governo pelo seu pé. O facto de não o ter feito, mostra um primeiro-ministro que pensa estar de pedra e cal no poder e que, por isso, não precisa de ter em conta o sentimento popular e as regras básicas de uma governação responsável. É uma atitude negativa.

A Europa que antevejo

Aposto com quem queira apostar que as regras orçamentais do Tratado de Maastricht – dívida pública abaixo dos 60% do PIB nacional e défice orçamental anual inferior a 3% − voltarão a estar em cima da mesa das discussões. E que a austeridade será um tema que os países apelidados de “frugais” irão de novo inscrever na agenda económica europeia. A chamada “bazuca” é uma oportunidade única para diminuir a distância entre os níveis de vida dos diferentes países europeus. Quem não a souber aproveitar terá perdido uma oportunidade que não voltará a surgir, a não ser que apareça uma crise tão profunda como a da pandemia.

Os indícios que começam a aparecer mostram que, em matéria económica, entraremos, depois da pandemia, numa fase nacionalista.  

Cooperar com África

Hoje falo para uma audiência lusófona sobre África, a cooperação e o futuro. É um tema delicado, quando o orador não é um africano. Mesmo no meu caso, que passei 29 anos da minha carreira nesse continente ou a tratar de assuntos com ele directamente relacionados. É ainda mais delicado por causa da guerra de ideias que existe entre os chamados afro-pessimistas e os optimistas. Mesmo falando de dados concretos, é fácil cair-se nos enredos que essa discussão encerra.

É, no entanto, uma polémica que deve considerar que cada país tem os seus problemas e as suas potencialidades. Comparar o Gana com o vizinho Burkina Faso, ou o Ruanda com o país irmão que é o Burundi, seria comparar o dia e a noite.

Procurarei abordar seis temas. O que deve ser a cooperação nesta década. A diversidade do continente africano e os desafios que cada região enfrenta. As mudanças estruturais necessárias, o impacto da pandemia da Covid-19 e a questão das lideranças. A União Europeia e a China: dois grande actores externos. A integração regional. África no sistema multilateral, incluindo numa futura reforma do Conselho de Segurança da ONU.

Na realidade, os temas são sobretudo interrogações. Nos dias de hoje, há muitas. O debate mostrará se temos ideias claras. E, certamente, irá continuar.

 

O egoísmo nacional

Primeiro, foram os britânicos. Agora, são os espanhóis, o governo socialista de Pedro Sánchez, que nos fecham as fronteiras, sem qualquer tipo de diálogo, sem aviso prévio. De ontem para hoje, passou a ser necessário provar que se completou o processo de vacinação ou mostrar um teste negativo, para poder atravessar as fronteiras terrestres. O documento deve estar escrito em espanhol, ou inglês, francês ou alemão. Em português não serve. A não-apresentação dessa prova acarretará uma multa de 3 000 euros, se a falta for considerada ligeira e sem más-intenções. Caso contrário, vai por aí acima, podendo chegar aos 600 mil. Sim, 600 mil euros de multa.

Tudo isto foi decidido durante o fim-de-semana em Madrid. Lisboa foi ignorada e a Comissão Europeia, que está a preparar um passaporte digital para todo o espaço Schengen – deverá entrar em vigor a 1 de julho – também não foi tida em conta.

Na realidade, quer os britânicos quer os espanhóis estão a tentar impedir os seus cidadãos de ir de férias ao estrangeiro. É uma espécie de salve-se quem puder.

Tudo isto são más notícias para Portugal e para a União Europeia.  

A confusão que se vive no Mali

Temos novamente uma situação política anómala no Mali, com a detenção pelos militares do Presidente e do Primeiro-Ministro. Ambos haviam decidido, durante o fim-de-semana, proceder a uma remodelação do governo que entrara em funções após o golpe de Estado de Agosto. Ambos os golpes, o de então e de agora, foram organizados pelo mesmo grupo de oficiais.

Esta situação acaba por ter um impacto sobre a presença de várias missões – ONU e UE – no país. Deixa várias questões no ar. Quem não consegue entender-se, ao nível da direcção política nacional, não está preparado para tirar proveito da ajuda internacional. E quem decide, em Bruxelas, Paris, Nova Iorque ou noutras capitais, tem que se interrogar se vale a pena ajudar quem anda perdido numa grande confusão política.

Um regime criminoso chefiado por Lukashenko

O regime de Alexander Lukashenko é um governo dirigido por um criminoso e administrado pela clique que ainda não saiu da mentalidade soviética. Ontem, Lukashenko deu mais um passo na direcção do abismo, ao organizar uma operação de pirataria aérea contra um voo civil, que viajava entre duas capitais da União Europeia. Foi um passo de gigante, um acto de terrorismo de Estado, inadmissível.

A resposta dos líderes da UE tem de ser tão forte e clara quanto possível. Uma reacção fraca e confusa seria um tiro nos pés, para os europeus, e um incentivo para praticar mais crimes, por parte de Lukashenko. E já começou, este serão, com a proibição de voos para a Europa da companhia oficial da Bielorrússia, e com a interdição, para as companhias aéreas da UE de sobrevoar o espaço desse país.

Mas é preciso mais e sem demoras. Devem ser adoptadas medidas políticas, diplomáticas e económicas. E a companhia aérea visada deve introduzir uma queixa formal, num tribunal europeu – em Vilnius, por exemplo – contra Lukashenko e o chefe das operações de controlo aéreo da Bielorrússia. É fundamental que eles saibam que são considerados suspeitos de crimes contra a segurança de um avião civil e de desvio – hijacking – de uma aeronave.

O criminoso que manda na Bielorrússia desafiou os líderes europeus. Estes têm de saber responder ao desafio.

 

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