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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

A dimensão social

A Cimeira Social, que ontem e hoje decorreu no Porto, deve ser vista como uma iniciativa positiva. A dimensão social é certamente uma das características mais definidoras das sociedades europeias.

Mas convém ter presente algumas verdades. O nível de protecção social de cada Estado-membro depende fundamentalmente do grau de desenvolvimento da sua economia. E nessa matéria, existem sérias disparidades que não serão resolvidas nos próximos dez anos. O que a Alemanha pode oferecer aos seus residentes é muito distinto do que a Letónia é capaz, para não falar da Bulgária ou da Roménia.

 É verdade que existem mecanismos para ajudar a resolver essas disparidades. Mas também é um facto que o fosso entre os diferentes níveis de vida e de protecção não tem diminuído, apesar das ajudas e de outras transferências entre países.

 Progresso é essencialmente um desafio nacional. É preciso ter isso presente. Arrumar a casa começa por quem lá vive. É uma questão de responsabilidade. Na União Europeia, o esforço comunitário deve vir em complemento do esforço nacional. A liderança que importa e deve prestar contas aos cidadãos é, acima de tudo, a que está à frente do país, não apenas a que trabalha a partir das instituições europeias. Uma liderança com valor é a que consegue reduzir as diferenças.

Charles Michel precisa de ajuda

Charles Michel, o Presidente do Conselho Europeu, voltou a insistir, agora no Parlamento Europeu, que o incidente do sofá, uma esparrela preparada por Recep Erdogan, para humilhar Ursula von der Leyen e criar uma brecha entre os dois dirigentes europeus, fora acima de tudo um erro diplomático. Está enganado, não foi uma falha da diplomacia. Mostra, isso sim, não ter percebido nem a artimanha de Erdogan nem a importância política da secundarização de Von der Leyen. Está, por outro lado, a prolongar uma crise de liderança muito séria que se vive agora em Bruxelas e que foi inicialmente planeada pelo presidente turco.

Não é apenas o facto de Erdogan ter pouca consideração pelas mulheres enquanto líderes políticos ou mesmo, pelas questões da igualdade. Isso também conta. Mas não nos podemos esquecer que ele tem o poder que tem e chegou onde chegou porque é matreiro. Sabe como agir para criar tensões no seio dos seus adversários. Dividir para reinar. Sabe também aproveitar rivalidades latentes que possam existir do outro lado da mesa e como contribuir para o seu agravamento.

Charles Michel precisa que um conselheiro lhe diga que é fundamental corrigir o erro. E a correção desse erro começa pelo reconhecimento das causas e razões que levaram à situação delicada em que foi colocado.

Deve também ser ajudado a compreender que quando se trata com gente como Erdogan – ditadores com sucesso na vida, manipuladores de alto gabarito – todo o cuidado é pouco.

 

 

Como evitar as ratoeiras

Sergey Lavrov humilhou publicamente Josep Borrell, o Alto Representante da União Europeia para a Política Externa, quando este foi a Moscovo para abrir vias para um melhor relacionamento entre a Rússia e a Europa. Agora foi a vez de Recep Erdogan, o ditador da Turquia, de humilhar e envergonhar os dois dirigentes máximos da UE, Charles Michel e Ursula von der Leyen. Estavam em Ancara com uma agenda positiva e de abertura à Turquia. Erdogan humilhou a Presidente da Comissão Europeia, ao não lhe dar o tratamento político e protocolar a que tem direito, e criou um enorme problema de imagem para Charles Michel, que mostrou ser ingénuo, incapaz de tratar um ditador com o rigor que é exigido.

As visitas a Moscovo e agora a Ancara foram dois fiascos. Da ida à Turquia não se falou de outra coisa, na imprensa europeia, que da ratoeira armada por Erdogan. O resto, a substância das negociações, deixou de ter importância, ninguém é capaz de sequer dizer o que estava na agenda.

Os caudilhos que estão no poder em Moscovo e em Ancara são para levar a sério. Não se pode ir de ânimo leve e com ilusões, quando se trata de negociar com eles. Uma das características dos ditadores é a sua capacidade de manipular as situações e de esmagar, mesmo que simbolicamente, os adversários. Por saberem fazer isso bem, conseguem manter-se no poder anos a fio.

 

 

 

 

 

A Europa e as vacinas russas e chinesas

Os líderes da União Europeia reuniram-se hoje por videoconferência. A principal conclusão que tiro da reunião é que eles compreendem que a campanha de vacinação não está a avançar ao ritmo que deveria. Uma das razões é certamente a falta de vacinas. As farmacêuticas ainda não têm capacidade para produzir vacinas em quantidades que correspondam à procura. Mas há outras questões. E não são apenas relativas ao atraso nas encomendas feitas por Bruxelas. Estão relacionadas com a fraca aceitação da vacina produzida por AstraZeneca – os governos criaram confusão nas cabeças dos europeus sobre a eficácia desta vacina –, bem como com questões políticas. Os europeus deveriam encomendar as versões russas e chinesas. É uma decisão de saúde pública. Não o querem fazer, não querem dar o braço a torcer, o que é um erro. A política não deve ser mais importante do que a vida das pessoas. A Hungria está a aplicar a vacina chinesa, à revelia da política europeia em relação ao assunto. Desta vez, tenho de dar razão a Viktor Orbán.  

Longe e perto, confusões

https://www.dn.pt/opiniao/suu-kyi-e-a-nossa-ursula-13316077.html

Este é o link para o meu texto desta semana (de hoje) no Diário de Notícias.

Faço uma digressão por Myanmar para chegar à União Europeia e mostrar a minha preocupação com a confusão que instalou, um pouco por toda a parte, pelo facto das campanhas de vacinação estarem a progredir a passo de caracol. Ou de camaleão, já que se trata de política. 

A prioridade absoluta

Dois, um, oito, ou seja, 218. Este é número de óbitos por Covid, nas últimas 24 horas, em Portugal. A este número assustador, temos infelizmente de acrescentar, no mesmo período, mais 10 455 casos positivos de infecção pelo novo coronavírus. Estes valores são simplesmente alarmantes, tendo em conta a dimensão populacional do nosso país. Deveriam servir de toque de clarim, que chamasse a atenção de todos para a gravidade do momento que estamos a viver. Isto já não é uma questão sobre se se pode vender, ou não, cafés ao postigo dos bares e restaurantes. É uma catástrofe nacional que exige liderança, uma liderança que mobilize cada cidadão, cada responsável, seja a que nível de autoridade for, para que haja consciência que o comportamento de cada um conta enormemente.

Hoje, ao começo do dia, tinha uma videoconferência internacional. Eu era o único português nos ecrãs. Antes de se entrar no assunto da conferência, a primeira pergunta vinda de outros mundos foi para expressar preocupação pelas notícias que estão a chegar, relativas ao Portugal da pandemia. Perguntaram-me se estava resguardado.

E um participante disse-me que em Bruxelas muitos não entendem a razão que levou o Primeiro Ministro português a insistir, nesta passada sexta-feira, numa reunião presencial, em Lisboa, no Centro Cultural de Belém, com a Presidente e vários Comissários europeus. O PM sabia, já nessa altura, que o risco de contágio era elevadíssimo. Que o ministro das Finanças e outros estavam positivos, ou seja, que o vírus andava a circular nas esferas da governação, aqui em Lisboa. Mesmo assim, insistiu no convite, quis que fizessem a viagem de Bruxelas até Belém. No seguimento, três Comissários ficaram de quarentena, mais um punhado de funcionários europeus. Imaginam os comentários que isto provocou.

Neste momento, só há uma urgência absoluta, aqui em Portugal: achatar a curva. O resto deve ficar para depois.

 

O acordo e a distância

Dizem-nos que há acordo entre a União Europeia e o Reino Unido. Mas não nos explicam quais são os principais pontos desse acordo. É verdade que se trata de um documento de 2 mil páginas, mais coisa menos coisa. Vai ser preciso ter muita paciência para perceber as principais implicações do acordo de que se fala hoje.

Entretanto, o Primeiro-Ministro britânico apareceu na comunicação social a proclamar que se tratava de uma grande vitória para o seu país. Está bem. Assim se faz política demagógica. Cede-se nos minutos finais do jogo, na véspera da noite de Natal. De seguida, grita-se vitória. E abre-se o espumante. Para ele, será certamente uma vitória política, com todo o efeito mágico que saberá colocar na apresentação da coisa. Mas gente muita responsável no seu país não parece comungar da mesma opinião.

Com este tipo de políticos, a melhor solução é manter uma boa distância. E não entrar em familiaridades. Ignorá-los tanto quanto possível é remédio santo. E convém dar-lhes a entender que esse é o tratamento que lhes reservamos. O que não impede de lhes desejar um bom Natal.

Brexit na meta final

Neste momento, com o período de transição pós-Brexit a terminar, a pressão para que as partes cheguem a um acordo é enorme. Seria um erro dizer que o Reino Unido está mais interessado na conclusão desse acordo de livre-comércio do que a União Europeia. É verdade que Londres já percebeu que a ligação ao espaço económico europeu é fundamental. E que está a tentar encontrar um ponto de equilíbrio entre a retórica sobre o Brexit – as mentiras que Boris Johnson propalou antes e depois do referendo – e a maneira como irá vender à sua população as concessões que terá de fazer. Boris Johnson sabe que a alternativa é clara: sem acordo será tudo muito mais complicado. Mas os europeus também querem chegar a um ponto de encontro. Não estão, no entanto, dispostos a fazer grandes concessões. É uma questão de princípio – ou se está dentro ou fora.

É difícil fazer um prognóstico, se sim ou não, se haverá ou não um acordo. De qualquer modo, o que vier a acontecer – o sim ou o não – vai ser objecto de muita interpretação política.

Uma aposta muito séria

Haverá ou não acordo um comercial de longo alcance entre a União Europeia e o Reino Unido, que regule as relações entre as partes a partir de 1 de janeiro de 2021?

 Neste momento, a um mês do término do acordo Brexit de transição, é impossível responder a esta questão. Mas tendo em conta o que está em jogo, em termos de interesses económicos e de relações de boa vizinhança, a minha aposta é que se chegará, em cima da meta, a um acordo.

 Veremos se tenho razão. A ausência de preparativos de emergência, por parte de Bruxelas, de acções que permitissem uma resposta a uma ruptura das relações, convencem-me que estou a fazer uma boa aposta. Haverá acordo.  

Uma nova ambição para a União Europeia

https://www.dn.pt/edicao-do-dia/14-nov-2020/uma-europa-mais-arrojada-13030013.html

Este é o link para o meu texto desta semana no Diário de Notícias, edição em papel de 14 de Novembro de 2020.

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