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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

O Alentejo sabe o valor das pessoas

Tinha uma velha carteira em couro que precisava de ser cosida, pois tinha rebentado pelas costuras. Há anos. Na Bélgica primeiro, depois em Lisboa, sempre sem conseguir encontrar alguém que pudesse fazer o trabalho. Já não se encontram artesãos do couro, por muito que se procure.

Com excepção da província, do Alentejo profundo. Aqui em Ferreira do Alentejo, pedi a alguém, que sabe quem sou, se haveria um sapateiro ou artesão similar que me pudesse ajudar. Havia, sim senhor. O homem já não vive do conserto dos sapatos – agora todos calçam chinês e deitam fora, quando se estraga –, tem outras ocupações, mas estava disposto a fazer o trabalho, ao fim de um dia de labuta na plantação de vinha que o faz viver.

E assim foi. A carteira ficou reparada a preceito. E o homem não quis ser remunerado. Achou que era uma honra fazer esse trabalho para um antigo alto quadro da ONU.

Fiquei a pensar que por aqui vive-se num mundo diferente, em que a honra conta e vale muito. Certamente mais do que a minha velha carteira e do que muitos políticos pensam valer.

Questões dos tempos que vivemos

Estamos cada vez mais fechados em nós próprios. Sair de casa passou a ser algo de absolutamente excepcional. Muitos de nós temos apenas como visão do mundo a parede do prédio da frente ou as imagens que quem manda nas televisões decide pôr nos ecrãs.

Isto seria aceitável noutras eras. Agora, é cada vez mais difícil, embora a maioria dos cidadãos tenha compreendido a necessidade do confinamento. Mas quanto tempo mais poderá durar essa aquiescência? E que efeitos no comportamento irão ocorrer? E, mais ainda, quem irá tirar dividendos políticos destes tempos tão diferentes?

O imobiliário no Algarve

Seria um exagero dizer que metade do imobiliário algarvio está no mercado, à procura de comprador. Mas constato, depois de uns dias a percorrer a região, que existem milhares de propriedades de todo o tipo à venda. As agências imobiliárias têm as suas carteiras a abarrotar. Visita-se um amigo em qualquer ponto do Algarve, ou fala-se com ele pelo telefone, que as visitas são cada vez mais raras – na realidade, estão a desaparecer da nossa vida social – e ele diz-nos que à volta da sua casa há várias à venda. E neste momento não aparecem compradores em circulação, fora um ou outro caso raro. No entanto, os preços não baixaram. Estão fortemente inflacionados, quando se compara os segmentos médios e altos da oferta aos similares em França ou em Espanha. A questão que se levanta é se a sobrevalorização irá continuar, à medida que avançamos para o inverno desta pandemia que nos tolhe.

 

Hoje, 25 de Abril

Feliz Dia da Liberdade para todos.

Por mim, aprendi que os povos têm como grandes aspirações, acima de tudo, a liberdade, a dignidade e a segurança.

A liberdade permite voos ao sabor da vida e das ambições de cada um.

A dignidade significa o respeito pelos direitos individuais, incluindo a aceitação das diferenças.

A segurança começa pela igualdade de oportunidades, pela protecção perante os riscos, sejam eles de natureza económica, sanitária ou o resultado da violência de outros, bem como pela prática da justiça.

 

O indicador que é o petróleo

O preço do barril de petróleo americano (WTI), para o mês de Maio, vale menos que nada. Caiu a pique, como um pedregulho no alto mar. Nunca tal coisa havia acontecido. Revela de maneira indiscutível a paragem quase completa da economia global. Mas o valor do barril para entrega em Junho anda na ordem dos 22 dólares americanos. Ou seja, os mercados financeiros continuam a apostar numa certa recuperação das actividades económicas, a partir de Junho. É verdade que 22 dólares não é grande coisa, tendo presente que cada barril tem um custo de produção, nos Estados Unidos, através da exploração do petróleo de xisto, de cerca de 40 dólares. Todavia, comparado com o preço de hoje, essas duas dezenas de dólares são uma fortuna.

O que os estrategas nos dizem, com estes números, é que a recuperação económica vai ser apenas parcial e demorada. O horizonte a curto e médio prazo não promete grandes voos. Muitos sectores económicos continuarão em crise. Os Estados mais ricos – nem convém falar dos outros – não conseguirão evitar o colapso de partes importantes da economia. E como estão a esconder essa incapacidade aos cidadãos, dando a entender que irão encontrar os meios necessários para financiar a recuperação, criando assim falsas esperanças, acabarão por entrar em desmoronamento político e social. O risco de caos cívico é imenso. Sobretudo que nós, nos nossos países mais desenvolvidos, nos habituámos a consumos que serão insustentáveis nos próximos anos.

Temos que mudar o nosso paradigma mental, a nossa escala de valores, o nosso entendimento sobre o fundamental e o acessório.

No meu entender, é preciso começar a falar destas coisas, do futuro que nos espera e ter a imaginação política necessária para mobilizar as energias de cada cidadão. Receio que isso não venha a acontecer. Nalguns países mais avançados e coesos, do ponto de vista da cidadania, do tipo Dinamarca, a resposta poderá ser mais fácil. Noutros, tenho a impressão que vamos avançar para sociedades ainda mais desiguais e marcadamente instáveis. Muitos dos nossos dirigentes políticos crêem ser suficientemente espertos para conseguir vender banha da cobra numa altura em que é preciso falar com realismo e promover o empenho de todos. Temos que dizer-lhes que essa via foi chão que já deu uvas. Agora, o mundo é outro.

Também existe uma política limpa

As notícias dos últimos dias, sobre corrupção em larga escala e todas as suas ramificações, têm levado alguns dos meus amigos e conhecidos a dizer que os políticos são todos uma boa porcaria. Uns mãos sujas, de tanto as meterem no saco dos dinheiros públicos.

Perante isso, e aceitando que haja muito motivo para muita indignação, queria aqui pedir que não se generalizasse. Ainda há gente que anda na política por acreditar em ideais e por dedicação às causas públicas. Ainda há quem lute pelo bem comum.

O que é fundamental é que haja separação de poderes na vida política, instituições fortes e eficazes, e muita transparência. A corrupção começa a aparecer quando essas coisas falham e quando o poder é apropriado por caciques, por sociedades secretas e por oportunistas, os fulanos e as fulanas que vivem à sombra dos chefes eternos

Responder a quem tem a amabilidade de comentar

Queria confirmar que leio todos os comentários que me fazem. Não tenho respondido por questões de perícia. O Sapo mudou o sistema de resposta e ainda não consegui encaixar com ele. Mas os comentários são apreciados. E devo dizer que não tenho sido alvo de ataques parvos ou mal-educados. São muitos os que se queixam da violência verbal nas redes sociais. Ela existe, é um facto. Aqui, não tem aparecido. Também é verdade que promovo “vistas largas”. Acredito que a diversidade de opiniões e a tolerância pelas ideias dos outros são dois pilares importantes da prática democrática. Lutar por eles, segui-los, tudo isso faz parte do combate por uma sociedade mais evoluída e pela exclusão de todos os pequenos ditadores que por aí andam.

Obrigado.

O Menino Jesus envelheceu

Por esse mundo fora, o Pai Natal roubou o protagonismo ao Menino Jesus. É Pai Natal para aqui, Pai Natal para acolá, do Oriente ao Ocidente, do Norte ao Sul. O centro comercial substituiu a cabana da vaquinha e do burrito, o centro comercial é o novo Presépio. São os tempos modernos, a era do marketing, do consumo e da ostentação, os novos símbolos da vida de agora.

O Menino Jesus transformou-se, com o tempo, num velho de barbas brancas, estranhamente vestido de vermelho, com um grande saco de mercadorias feitas na China às costas.

Haja festa, pois então. E um feliz Natal.

 

Professora Manuela Silva

Fui aluno, na universidade, da Professora Manuela Silva. Mais tarde, terminada a licenciatura, em 1971, ela foi o primeiro patrão. Na altura, Manuela Silva havia sido nomeada directora do Gabinete de Estudos do INE. Era um serviço de elite, dentro do Instituto. Ao proceder à sua nomeação, o então Secretário de Estado do Planeamento, João Salgueiro, um homem honesto e moderno para a altura, queria proceder a uma revitalização do INE, que era dirigido por uma direcção-geral que havia sido ultrapassada pelo tempo e pelas novas exigências na área das estatísticas. E Manuela Silva levou com ela cinco novos quadros, todos recém-licenciados e com excelente percurso académico. Assim entrei eu. Ainda me lembro que no parecer que ela enviou para despacho do director-geral e que foi encaminhado para o governo, Manuela Silva dizia que um dos factores que levavam à minha selecção tinha que ver com o potencial de liderança que eu revelava. Interessante.

Já depois do 25 de Abril, trabalhei de novo com ela, embora brevemente, por razões que se prenderam com a agitação política que se vivia em 1976.

Depois, a vida levou-nos para destinos diferentes. Mas sempre mantive uma grande admiração por Manuela Silva, pelas suas capacidades intelectuais, pela coragem das suas opiniões, a dedicação que manteve toda a vida às questões sociais, à luta contra a desigualdade e pelo facto de ser uma líder no meio dos círculos católicos progressistas. Foi também uma mulher que fez da sua vida uma dádiva ao bem comum e às ideias em que acreditava.

Manuela Silva disse-nos adeus hoje. Nós devemos dizer-lhe que há vidas que marcam os outros. A sua foi certamente uma delas. Um exemplo.

 

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