Portugal é grande quando abre horizontes

08
Out 19

Fui aluno, na universidade, da Professora Manuela Silva. Mais tarde, terminada a licenciatura, em 1971, ela foi o primeiro patrão. Na altura, Manuela Silva havia sido nomeada directora do Gabinete de Estudos do INE. Era um serviço de elite, dentro do Instituto. Ao proceder à sua nomeação, o então Secretário de Estado do Planeamento, João Salgueiro, um homem honesto e moderno para a altura, queria proceder a uma revitalização do INE, que era dirigido por uma direcção-geral que havia sido ultrapassada pelo tempo e pelas novas exigências na área das estatísticas. E Manuela Silva levou com ela cinco novos quadros, todos recém-licenciados e com excelente percurso académico. Assim entrei eu. Ainda me lembro que no parecer que ela enviou para despacho do director-geral e que foi encaminhado para o governo, Manuela Silva dizia que um dos factores que levavam à minha selecção tinha que ver com o potencial de liderança que eu revelava. Interessante.

Já depois do 25 de Abril, trabalhei de novo com ela, embora brevemente, por razões que se prenderam com a agitação política que se vivia em 1976.

Depois, a vida levou-nos para destinos diferentes. Mas sempre mantive uma grande admiração por Manuela Silva, pelas suas capacidades intelectuais, pela coragem das suas opiniões, a dedicação que manteve toda a vida às questões sociais, à luta contra a desigualdade e pelo facto de ser uma líder no meio dos círculos católicos progressistas. Foi também uma mulher que fez da sua vida uma dádiva ao bem comum e às ideias em que acreditava.

Manuela Silva disse-nos adeus hoje. Nós devemos dizer-lhe que há vidas que marcam os outros. A sua foi certamente uma delas. Um exemplo.

 

publicado por victorangelo às 21:01

29
Set 19

Hoje, mais do que nunca, é fundamental mostrar boa-fé, quando se faz política. Os eleitores têm acesso a muitas e diversas fontes de informação. Alguns poderão ter imensas dificuldades perante tanta informação. Mas uma grande parte acaba por formar uma opinião ou ver o seu ponto de vista confirmado. E uma das características que procuram nos políticos de agora, depois de tantas decepções e enganos, é a da sinceridade.

A lisura de intenções dá votos. Por isso, se eu fosse conselheiro de algum político dir-lhe-ia que, acima de tudo, é necessário mostrar que se anda na política e em campanha pelo bem comum. Porque se acredita na causa pública, no projecto que se defende, numa maneira positiva e altruísta de governar o que é de todos.

A imagem e a narrativa devem reforçar o sentimento de franqueza e de verdade que procuramos transmitir. Está aí o segredo do apoio popular.

Creio dever lembrar isto, agora que estamos todos em campanha, uns activamente, outros por tabela e porque não conseguimos fechar os olhos à realidade que nos cerca.

 

 

 

 

publicado por victorangelo às 14:41

31
Jul 19

Volto ao assunto da corrupção do poder político. Para pedir que não se aceite a ideia que corruptos, são eles todos. Na verdade, houve quem reagisse assim ao meu escrito precedente, quem pensasse que isto de se andar na política é sempre por mero interesse pessoal. E, com base nisso, desculpasse ou minimizasse o que se tem conhecido nos tempos recentes.

Não creio que essa seja uma maneira certa de ver a coisa pública. Mais. Penso que se deve combater a ideia. A liderança política, no país que queremos ter, deve ser impoluta e tem que estar acima de qualquer suspeita. Por outro lado, as instituições devem ter mecanismos de controlo e auditoria capazes de funcionar e de impedir possíveis desvios. Quando tal não acontecer, o sistema de responsabilização e de penalização tem que ser ágil e capaz de cortar a direito.

Há uma questão de valores em Portugal, de oportunismo, de abuso de poder e aproveitamento pessoal do que é de todos. Há, igualmente, um combate político possível, que tenha os valores da dedicação à causa pública, da probidade e do exemplo como estandartes. Quero acreditar nisso.

publicado por victorangelo às 22:14

29
Jul 19

Na governação de um país, abuso de poder e corrupção são dois males muito frequentes. O combate político deve dar uma atenção muito especial a essas duas questões, que minam a democracia e a moral cívica de uma nação. Fechar os olhos é um erro colossal. Dizer que roubam mas fazem, é burrice de quem não vê as consequências de um regime que apodrece.

publicado por victorangelo às 23:39

14
Jul 19

Acho bem que se procure debater as questões do racismo e da xenofobia. O debate de ideias faz parte das sociedades democráticas. Uns entrarão nele com muita paixão, outros de um modo mais frio, mas todos têm direito a dar a sua opinião, desde que essa não incite ao ódio e à violência física. E que evite a difamação pessoal.

E já agora, aproveitando a onda, por que não se discute a questão do civismo, da educação cidadã? Quando olha à minha volta, parece-me importante que tal aconteça. É um dos maiores défices da sociedade portuguesa. Muitos dos outros problemas, incluindo o relacionado com as diferentes manifestações de racismo, começam por criar raízes num terreno parco e falho de civismo.

Vamos debater o nosso problema de civismo?

publicado por victorangelo às 21:46

09
Jul 19

No meu blog em inglês, escrevo hoje, de modo breve, sobre os movimentos de cidadania. Procuro resumir a análise a três pontos: a importância desses movimentos em termos de câmbio social; o uso das plataformas sociais e da comunicação social convencional; e as razões que explicam os sucessos que certos movimentos obtiveram.

O blog está disponível aqui:

https://victorangeloviews.blogspot.com/2019/07/the-critical-importance-of-civic.html

publicado por victorangelo às 23:00

01
Jun 19

O respeito e o amor pelos animais tornam-nos mais humanos, mais sensíveis ao valor da vida, dos outros e da natureza.

publicado por victorangelo às 10:55

19
Mai 19

No meu país ideal não há lugar para as faltas de civismo e a desobediência às regras. Como também não há espaço para que um dirigente político de primeira linha possa dizer alto e bom som que a norma no seu partido é a de não ultrapassar a velocidade de 139 km/hora.

publicado por victorangelo às 19:50

13
Mai 19

Hoje baixei a bolinha perante Joe Berardo. Foi assim. Preparava-me para lhe enviar uma mensagem, a pedir que me respeitasse, pois eu sou mais graduado na hierarquia da Ordem do Infante D. Henrique. Ele é “apenas” Comendador e eu, Grande Oficial, uma categoria acima. Felizmente alguém me lembrou que Joe fora feito Comendador por Ramalho Eanes, em 1985, verdade. Mas que fora elevado à dignidade de Grã-Cruz por Jorge Sampaio, em 2004. Por coincidência, no mesmo ano que Sampaio me condecorou como Grande Oficial. Ora, se o homem é Grã-Cruz, o nível mais alto da Ordem, eu só posso fazer uma reverência. Joe ganha sempre.

publicado por victorangelo às 20:00

20
Abr 19

Sábado de Páscoa. Uma parte da cidade de Bruxelas foi para a beira-mar. Organizaram-se, mesmo, comboios especiais, para responder à demanda e para evitar os engarrafamentos nas autoestradas. Outra parte, está a apanhar Sol nos parques da cidade. Que isto de ter 26 graus ao começo da tarde não pode ser desperdiçado.

Curiosamente, muitos dos jovens acham que é uma excelente ocasião para ter férias. O come;o da Primavera. Porém, não têm uma ideia clara – alguns não têm ideia alguma – do que significa Páscoa. Para além dos ovos de chocolate, para os mais pequenos, que os procuram nos jardins.

Assim se trata uma cultura milenária. Com Sol, praia e chocolate.

publicado por victorangelo às 19:46

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