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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Daqui até ao final do ano

A minha coluna de opinião desta semana, no DN em papel, que ontem foi posto à venda, olha para os próximos quatro meses que faltam para terminar o ano. A pandemia e as eleições presidenciais americanas serão as duas principais determinantes, com toda uma série de consequências, de grande complexidade e cheias de incertezas.

O texto contém várias mensagens, que não escaparão às mentes atentas. Mas, acima de tudo, sublinha a importância das lideranças, que podem empurrar os acontecimentos num sentido ou no outro. E lembra-nos que em política nada deve ser dado por adquirido. Perde quem mostra excesso de confiança e pouco apreço pela capacidade de luta do adversário.

O DN deve permitir o acesso livre ao meu texto amanhã.

 

Um verão diferente

Este é período do ano em que costumo fazer as malas para passar uma ou duas semanas com as filhas e as suas famílias. Desta vez, porém, uma parte da família não pode viajar, por constrangimentos ligados à pandemia e à obrigação de quarentena. Parece estranho, mas tudo é diferente este ano. A dois dias do fim do mês, poucos são os que estão a fazer planos para Agosto. Sobretudo na parte da Europa onde a minha filha mais velha circula e vive. A incerteza paralisa as pessoas. E a economia, obviamente. Sobretudo a das pequenas empresas, dos serviços e do turismo, ou seja, sectores que são fundamentais para o emprego e os rendimentos de muitas famílias.

Uma passagem rápida por uma vida

O Director Interino do Diário de Notícias, Leonídio Paulo Ferreira, deu-me um tratamento do tipo cinco estrelas na edição impressa de hoje do seu jornal. Foi uma foto de primeira página, a mostrar a minha tenda de campanha na fronteira com o Sudão, no decorrer de uma processo de resolução de um conflito armado que existia na região. Nessa altura, a minha posição na ONU colocava-me ao nível de Secretário-Geral Adjunto, mas a tenda não era nenhum palácio. Não tinha casa de banho mas tinha ar condicionado, um luxo no meio do mato mais hostil que se possa imaginar. E foram 4 páginas de vida, incluindo referências aos processos eleitorais, de paz, à negociações com um sucesso muito limitado, como foram as que durante 4 anos conduzi pessoalmente com Robert Mugabe, etc. Ficou, é claro, muita coisa por dizer. Muitos nomes de gente excepcional que fui encontrando e com quem trabalhei, como Julius Nyerere, Kofi Annan, Xanana Gusmão, Gus Speth, e outros, que não houve espaço para contar. Sem mencionar os encontros e desencontros com gente como Jean-Bedel Bokassa, Muammar Gaddafi, Idriss Déby, Teodoro Obiang Nguema e vários líderes rebeldes, incluindo na Filipinas e à volta do Sudão. Também não deu para falar dos exercícios militares com a NATO, que foram outra escola de vida.

São histórias que ficarão por contar. Mas a entrevista que hoje é publicada pelo Leonídio já dá um cheirinho do que é andar pelo mundo dos conflitos e da política internacional. Como diria o outro, os livros são importantes. A vida vivida é-o ainda mais.

Aqui deixo os meus sinceros agradecimentos ao Leonídio. E a todos os que tiveram a paciência de ler tantas páginas.   

 

A receita do Presidente

Bebi uma parte do meu café do meio-dia como receitado pelo Dr. Trump. Estava completamente distraído e deixei correr o café para uma chávena que tinha um fundo, e não era pouco, de detergente de lavar a loiça. Bebi a primeira golada e achei estranho. Fiquei de tal modo surpreendido, que voltei a provar. Só então me apercebi da minha distracção. Lembrei-me, de seguida, da recente recomendação do Presidente norte-americano sobre o tratamento do vírus e senti-me protegido.

Já agora, queria aqui recordar um outro colega do Dr. Trump. Aqui vai uma imagem que tirei, para mostrar o seu consultório. Na Serra Leoa. 

2007 075.jpg

Copyright Victor Ângelo

 

 

 

O meu blog

Hoje expliquei a um amigo que não ando por aqui para ganhar batalhas. A escrita é um compromisso que tenho comigo, por razões que não são para aqui chamadas. Mas é igualmente uma oportunidade para ir além do meu espaço pessoal e partilhar algumas ideias com que tem a bondade de me ler. Vistas largas, abertura de espírito e coragem opinativa são as linhas orientadoras. E, que na minha opinião, são matérias raras no mercado de opinião que são as redes sociais

Aos 70, a conta fica redonda

Ontem, a paisagem dos 70 anos de idade abriu-se à minha frente. À partida, o horizonte oferece os tons próprios desta estação da vida, com cores que são hoje mais vivas do que aquelas encontradas pelas gerações que nos precederam.

Recebi muitas mensagens, por todos os meios, de muitas pessoas amigas e conhecidas. A todos agradeço. Como agradeço muito especialmente ao casal de amigos que se deslocou propositadamente a Bruxelas, para poder passar umas horas comigo. E, claro, à família mais chegada.

Um dos meus “afilhados”, gente mais jovem que trabalhou em determinado momento da minha vida internacional comigo, mandou-me uma mensagem de Bujumbura, a capital do Burundi, o seu país de nacionalidade. Foi uma mensagem diferente, de um Africano jovem, com uma família ainda a crescer. A mensagem desejava-me, com todas as letras, “uma velhice feliz”. É o tradicional respeito pelos velhotes.

Fora isso, a luta continua, como diziam lá para os lados de Luanda.

A miséria opinativa

Uma boa parte das colunas de opinião que aparecem nos nossos jornais são chatas como a ferrugem. A expressão é velha, mas traduz bem o que penso. Imagino que a maioria das pessoas – os poucos que ainda compram papel – não terá paciência para as ler. Na generalidade dos casos, nem valerá a pena. Os autores repetem-se uns aos outros, copiam de jornais estrangeiros, e têm, acima de tudo, uma posição ideológica pré-determinada, onde tudo o que escrevem deve caber. À esquerda ou à direita. São os articulistas quadrados da mente, que o divino tenha piedade deles. Nós, é que não temos tempo e pachorra para lhes dar.

Um dos meus amigos escreve sobre política internacional e europeia. Cada texto parece escrito à metralhadora, com rajadas em todos os sentidos, que só há burros à sua volta. E ataca sempre o que está na moda, depois de ter lido um ou dois sítios estrangeiros. É um guerrilheiro das questões internacionais. Outro, escreve sobre política nacional. É um ver se te avias, um activista mental contra o governo, os liberais – embora não entenda bem o que significa ser-se liberal na Europa macroniana de hoje – e os fantasmas da direita. Sim, porque à direita só já temos fantasmas e outros espíritos invisíveis. Esta quadra de greves e requisições civis deu-lhe muito pano para mangas.

E assim sucessivamente.

O que também me deixa boquiaberto é o espaço que a comunicação social dá a esses intelectuais da pena grande. Fico a perceber melhor quando sei que essa gente sai barata e enche páginas a custo zero ou quase inútil. Com os jornais em falência, este é um recurso de gestores pretensamente espertos. O problema é que tais cronistas e opinadores não atraem leitores nem vendem papel. E papel que não se vende significa que não há receitas publicitárias que prestem. E a pescadinha enfia o rabo na boca, volta a ter mais opinião barata e menos vendas. É o carrossel da miséria.

Nestas coisas, lá bem no fundo, o essencial é que haja o culto dos egos. E isso não parece faltar.

 

 

 

Entrevista

Leonídio Paulo Ferreira é um dos jornalistas mais seniores do Diário de Notícias. E o Leonídio, com a experiência que tem, consegue fazer milagres. Sou prova disso. Publica hoje no DN uma entrevista que me fez. No final das nossas perguntas e respostas, fiquei a pensar que a coisa não tinha corrido bem. Que as minhas respostas, sobre temas que conheço de trás para a frente e com os quais continuo a conviver diariamente, poderiam ter saído com mais garras.

Ao ler o texto hoje publicado, fiquei mais tranquilo.

Só posso agradecer ao Leonídio, sem esquecer o fotógrafo, Pedro Rocha, que me apanhou ao natural, acompanhado pela estatueta gigante que defende a minha sala de estar – a minha neta baptizou esse guarda de madeira do Zimbabwe de Jorge, que isto de dar nome a um ser estranho ajuda a vencer os preconceitos e o medo.

Quanto ao resto, todos os dias há muito que dizer sobre o mundo em que vivemos. O problema é transformar a abundância de informação numa leitura que interprete o sentido das coisas e sugira soluções. A informação sem interpretação leva à confusão e ao simplismo.

Os opinadores portugueses

Ontem, alguém que gostou da minha apresentação sobre o papel da sociedade civil na resposta às questões da geopolítica, que era o cerne da palestra que fiz na Casa da Cidadania, perguntou-me por que razão não falo mais vezes em público em Portugal. Sabia que o faço frequentemente no estrangeiro e estava admirada por o mesmo não acontecer por aqui.

Respondi que não queria incomodar os fazedores de opinião que primam em Portugal. É que eu falo com base na experiência vivida ao longo de quatro décadas, em muitos teatros de crise e de decisão, e não com base na leitura de textos escritos por outros. Mais. Falo directo, quer seja politicamente correcto quer não.

Isso não passa bem. Em privado, contei a história de um ex-ministro que esteve, há uns anos, num painel em que participei e que se sentiu atacado pela minha franqueza. Ficou nervoso e incomodado. Depois da conferência, moveu portas e travessas, e todas as influências que tinha, para tentar atacar o meu bom nome. É verdade que o não conseguiu. Mas ensinou-me uma lição. Em Portugal, não se atiram pedras ao charco em que vivem os que têm influência política e espaço na comunicação social. É perigoso. Os nossos sapos opinativos são, na verdade, príncipes encantados. Temos que os respeitar, fazer vénia e beija-mão.

Assim, muito por opção, deixo-os andar e vou, de vez em quando, falando aos cidadãos do dia comum. Foi isso que aconteceu ontem e a sala apreciou.

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