Portugal é grande quando abre horizontes

04
Mar 14

Depois de uma longa viagem pela Austrália, mais umas visitas a Singapura, Hong Kong e Macau, estou de volta. Nesta nova etapa, o blog vai falar mais do exterior e menos de Portugal. Já existe muita gente a falar de Portugal. Mas as vistas continuam estreitas, como se não houvesse mundo para além das fronteiras. Ora, o valor que posso acrescentar é o de contar outras experiências, que nos ajudem a olhar para nós próprios com uma visão mais ampla daquilo que somos e do que poderíamos ambicionar. O conhecimento e a comparação são as raízes que dão vida à ambição.

publicado por victorangelo às 19:28

21
Jun 13

A Sapo teve a gentileza de colocar o meu texto de ontem (“Política para gente inteligente”) na primeira página do seu site, como um artigo relevante de opinião. Foi uma boa surpresa.

 

No seguimento, muitos visitaram, ao longo do dia, o “Vistas Largas”. O que me deu alento, devo confessar. É que isto de escrever um texto todos os dias tem o seu custo, que é agravado pelo facto de muitas vezes me interrogar sobre a utilidade de tal esforço.

 

Quem escreve, como eu, sem estar ligado a um partido político, a um lóbi, a uma loja, a um grupo de loucos enraivecidos, ou de oportunistas, tem poucas chances de ser lido e de ter qualquer tipo de influência. É-se um mero pistoleiro no deserto, aos tiros contra os cactos que povoam o horizonte. 

publicado por victorangelo às 20:48

15
Dez 12

Alguém me dizia ontem, pessoa bem introduzida no pequeno viveiro de boatos, conspirações, intrigas e trapaças que é a política nos becos de Lisboa, que ouvira sussurrar que...e continuou por aí fora. Claro que nada tinha fundamento, sabia eu, pois estava dentro do assunto. Mas a coisa era dita com tal convicção, as fontes seriam, se bem entendi, de tal modo impecáveis, que a minha refutação da atoarda é que poderia parecer sem fundamento. 

 

Achei curioso. 

 

E volto, hoje, a desaparecer daqui. A minha vida é outra. Que felicidade não ter que me ocupar da jardinagem do pântano nem das algas que o emaranham. Mas que dá para pensar, dá... 

publicado por victorangelo às 09:22

25
Nov 12

No seguimento do meu texto de ontem e dos comentários que suscitou, uma das questões que precisa de ser discutida parece ser a seguinte: quem são os principais países aliados do nosso país?

 

Portugal tem que contar com a cooperação e a convergência de interesses de países amigos, que partilhem os mesmos valores, os mesmos interesses e a mesma visão do futuro. Quais são esses países?

 

Nenhum povo, nesta era de interdependências, pode aspirar a viver isolado.

 

A questão subsidiária é como proteger os nossos interesses, numa comunidade de países similares e amigos? Cabe a nós, como é evidente, proteger o que nos parece ser do nosso interesse. E, ao mesmo tempo, entender o que deve ser partilhado e posto numa plataforma comum de ambições.

 

E, do outro lado da medalha, quem são os países que mais poderão ameaçar os nossos interesses e o nosso futuro?

 

Por que será que o debate público não abarca este tipo de questões? 

publicado por victorangelo às 20:37

23
Nov 12

Numa longa discussão, ao fim do dia, com dois filantropos americanos, homens visionários que estão empenhados na promoção de fontes alternativas de energia que façam mover os nossos carros, saindo por isso da total dependência que hoje existe em relação aos produtos petrolíferos, um deles definiu o automóvel moderno como um computador com rodas.

 

Achei que era uma descrição interessante. Mais. Com o avanço diário dos sistemas de software, amanhã teremos carros ainda mais “inteligentes”, talvez mesmo capazes de corrigir muitos dos erros humanos de condução. Só que isso talvez não interesse à indústria automóvel, que sem acidentes não se vendem novos carros...

 

Mas a questão fundamental tem que ver com a produção industrial de carros que funcionem com combustíveis alternativos, incluindo com gás liquefeito, que é uma fonte de energia mais económica, mais amiga do ambiente e abundante em várias partes do mundo.  Uma fonte de energia que não é apenas controlada por meia dúzia de estados instáveis...E que não implica a utilização generalizada de terras agrícolas, como acontece no caso dos biocarburantes, que roubam terras aráveis à cultura de alimentos...

 

Na verdade, as tecnologias necessárias para a utilização de outras fontes de energia já são conhecidas. Não entram, no entanto, nos mercados de modo definitivo, por causa do poder dos lóbis do petróleo. 

 

 

publicado por victorangelo às 21:34

26
Out 12

Continua-se a discutir se o governo deve ser demitido ou não, como o faz Mário Soares no Público de hoje, se há alternativas para o Orçamento Geral do Estado de 2013, mas ninguém toca na questão fundamental: por que razão não há economia suficiente em Portugal? Por que nao se investe mais em Portugal? 

 

A verdade é que temos estado em défice económico há décadas. É isso que me preocupa. Não produzimos o suficiente para manter o nosso nível de ambições e poder ser um Estado moderno dentro da UE. Há aqui uma dimensão profundamente estrutural que tem que ser encarada de frente. 

 

Reconheço que há sectores que funcionam bem. Basta passar umas horas, como costumo fazer, na estrada que vai de Vilar Formoso para a fronteira francesa, para ver centenas de camiões portugueses a caminho do resto da Europa, com mercadorias nossas, produzidas em Portugal. Mas não chega. É preciso investir mais, produzir mais, estar presente nos sectores de ponta, atento à procura interna e externa, empreender e criar. E aproveitar melhor os recursos que temos. A título de exemplo, no que respeita ao desperdício dos nossos recursos, percorrer hoje a A23, a caminho da fronteira, é ver terras abandonadas, quando esse não era o caso há alguns anos atrás. É apenas um exemplo. 

publicado por victorangelo às 20:57

24
Set 12

Conheci hoje o ministro da Defesa da Letónia, Dr. Artis Pabriks. Tem uma excelente apresentação, o cabelo bem cortado, aspecto limpo, um ar sorridente e fala um inglês impecável. Dá a impressão de ter vistas largas. A verdade é que diz coisas que fazem sentido. Sem arrogância nem sobranceria gratuita. 

 

Tentei não o comparar com outro ministro da defesa que conheço, mas era impossível não o fazer. Atis ganhou por muitos pontos de vantagem. 

publicado por victorangelo às 19:01

15
Set 12

Assim começa o meu texto desta semana na revista Visão:

 

"Estive recentemente em Juromenha, na fronteira do Alentejo com a Estremadura espanhola. No limite do concelho do Alandroal, na margem direita do Guadiana, Juromenha foi praça-forte na história de Portugal. Hoje, o castelo está em ruínas e aberto aos vândalos. Mas continua a oferecer horizontes amplos. Do nosso lado, temos campos secos, entregues ao desleixo. É um Alentejo meio abandonado, parado no tempo, com uma economia rudimentar, propriedades que nalguns casos são meros recreios de gente rica da capital. Do lado de Espanha, o contraste não pode ser maior. Quando a vista atravessa o rio, regalamos os olhos com uma agricultura moderna, terras ricas, bem tratadas, que constituem a planície de Olivença. E que nos lembram que a Espanha se transformou, nos últimos anos, na horta e no pomar da Europa, com a qual mantém uma balança comercial positiva. As exportações espanholas representam 50% do PIB nacional e o seu crescimento acelerado revela o dinamismo de certos sectores da economia vizinha."

 

Infelizmente, por razoes que me escapam, o texto on-line ainda não está disponível. 

 

Mas pareceu-me importante partilhar este parágrafo aqui. Olhar para a esquerda e para a direita do Guadiana faz pensar.

publicado por victorangelo às 20:12

28
Mai 12

Enquanto a Visão não disponibiliza o texto no site on line, aqui vai o meu texto, tal como o escrevi para a revista que está nas bancas desde quinta-feira. Boa leitura.

 

 

 

Com calma e ideias claras

Victor Ângelo

 

 

 

A serenidade é um bem precioso. Na política, como na vida, sobretudo perante uma situação grave. O que se tem dito e escrito, recentemente, sobre a Grécia e o euro mostra que se trata, igualmente, de um dom raro. Gente com responsabilidades de primeiro plano tem vindo a público com ideias que aumentam a confusão e criam a impressão que estamos à beira de um maremoto incontrolável. A crise grega seria uma espécie de apocalipse anunciado, com o desfecho previsto para os dias após 17 de Junho, a data das novas eleições.

 

Nestas circunstâncias, é preciso acalmar o jogo, combater as opiniões irresponsáveis, os cenários abissais. Repetir, a toda a hora, a predição de desastre abre as portas ao desastre. O desassossego social dá espaço aos demagogos e aos extremistas. Lá como cá, um pouco por toda a parte. Haverá certamente grandes diferenças ideológicas entre os dirigentes da extrema-esquerda europeia e os movimentos que Marine Le Pen personifica. Mas, em ambos os casos, as soluções que propõem seriam o caminho mais curto para o fim da Europa enquanto projecto comum, para o regresso aos conflitos nacionalistas e o descalabro económico.

 

O papel de um líder responsável é o de criar confiança. É isso que se espera de François Hollande. E de outros, incluindo de Angela Merkel, apesar de tudo, por ser impossível sair do impasse actual se a liderança alemã não estiver integrada no pelotão da frente. Seria, por outro lado, um erro de monta pensar que se pode continuar a adiar os problemas. A confiança ganha-se quando se atacam as questões de frente, de modo claro e com objectivos bem definidos. A começar pela questão da construção europeia: a fénix precisa de renascer e dar esperança aos cidadãos, assim como as instituições da comunidade precisam de reconquistar o poder perdido. Em seguida, há que reconhecer que as ameaças que contam são a estagnação económica e o desemprego, o peso das dívidas públicas e a fragilidade que caracteriza uma parte significativa dos bancos europeus. Essas são as prioridades. Essas, sim, põem em risco o nosso futuro.

 

Quanto à Grécia, os próximos anos vão ser muito difíceis. Não se alimentem ilusões, por favor. De imediato, independentemente das causas da crise, as opções são claras. Convém lembrá-las, sem deixar espaço para ambiguidades. Por um lado, trata-se de continuar a execução do programa de reformas estruturais aprovado há pouco mais de dois meses. Esta opção reflecte a expressão pragmática e possível da solidariedade europeia. A ambição é a de permitir, a médio prazo, um regresso à estabilidade e ao crescimento. O cumprimento das metas acordadas visa evitar que a Grécia se transforme num poço sem fundo. Cabe aos gregos mostrar, acima de tudo, que querem pôr a casa em ordem. A escolha contrária é a de dar a maioria parlamentar aos partidos que se opõem ao acordo. Nesse caso, o apoio financeiro terá que ser suspenso. Não vejo margem para um consenso político, no resto da Europa, para uma renegociação. Como consequência, a Grécia deixará de poder satisfazer os seus compromissos internacionais. Os recursos que lhe restarem deverão ser utilizados para assegurar as funções mais elementares do estado. Aqui, a preocupação é a de garantir que, mesmo pobre, não nos encontremos perante um estado falhado. Um país pobre não precisa de sair do euro, ao contrário do que por aí se repete. Nem deverá. Se saísse, seria por decisão própria. Complicaria, desta vez, profundamente, o futuro da UE.

 

 

 

publicado por victorangelo às 15:57

23
Mai 12

Visitei o Centro de Acção Laica (CAL, secção francófona). Está instalado na ULB (Universidade Livre de Bruxelas), num edifício de três pisos, numas instalações modernas, bem desenhadas e amplas.

 

As actividades do CAL abarcam a capital e toda a Valónia. É financiado pelo estado federal belga, ao mesmo título que as confissões religiosas reconhecidas o são, e tem como função defender a liberdade de pensamento e as posições filosóficas da população não crente do país. Com uma vasta actividade editorial, um empenho muito grande na educação laica nas escolas públicas e uma participação muito activa no diálogo entre religiões e outras filosofias de vida, emprega mais de 160 pessoas, na sua sede nacional. Destacou-se, nos últimos anos, em virtude da sua campanha pelo reconhecimento do direito à eutanásia. Está, além disso, comprometido em fazer compreender aos líderes religiosos muçulmanos que ser ateu é uma opção respeitável. O conceito de ateu é algo de incompreensível para a quase totalidade dos crentes islâmicos. 

 

publicado por victorangelo às 21:23

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