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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Não vejo um processo negocial no horizonte

Quem pensou que a minha crónica de ontem, no Diário de Notícias, estava errada e que as negociações estavam prontas para começar, percebeu depois que assim não será; Joe Biden e Vladimir Putin não têm nenhum ponto de partida comum que permita iniciar um processo negocial. Antes pelo contrário, continua convencido que Putin está inteiramente empenhado na destruição da Ucrânia. E que é preciso agir de modo a contrariar esse plano.  

Biden, Macron e Zelensky

A visita de Estado de Emmanuel Macron aos EUA está a correr muito bem. O presidente francês foi recebido de modo muito positivo por Joe Biden. Ficou claro que é admirado como um dos grandes líderes da União Europeia. Isso não será suficiente para permitir a Macron desempenhar um papel de liderança não seio da UE, mas poderá servir para reforçar a sua posição quando tiver a oportunidade de falar com Vladimir Putin. Este saberá, então, que Macron falará não apenas em seu nome, mas também com base nas posições dos americanos.

A grande questão é saber se conseguirá entrar em contacto com Putin nos tempos mais próximos. Tem tentado várias vezes, nas últimas semanas, mas sem sucesso. Putin não se tem mostrado disponível. Talvez mude de ideias agora. Mas não creio que existam as condições necessárias para uma negociação entre as partes. O líder russo quer sair vencedor da agressão. Não vejo os ucranianos aceitarem essa postura. E será muito difícil aos americanos e aos franceses forçarem Zelensky a aceitar uma negociação que possa parecer uma derrota. Os ucranianos têm mostrado uma tenacidade de ferro e não vão mudar de atitude. Só poderão participar num processo de negociações que reconheça a coragem e a determinação que têm demonstrado. Esta é uma guerra que só tem duas saídas possíveis: ou se ganha ou se perde.

 

O cansaço da guerra

Apesar do que se diz por aí, fruto da invenção de alguns comentadores pouco sérios, não foi entregue à Rússia nenhuma proposta de rendição nem à Ucrânia um ultimato. Ambas as partes sabem quais são as condições que levariam o outro lado para uma mesa de negociações. Não precisam de intermediários, neste momento, nem listas de condições.

Por outro lado, é claro que certos países ocidentais gostariam de ver a situação resolvida prontamente. Estão com dificuldades em apoiar materialmente a Ucrânia. E sabem que os custos inflacionistas irão continuar e têm sérias implicações políticas. A eles, convém lembrar-lhes os custos que uma vitória russa teria.

O inverno é o período mais difícil de passar, quando se trata de uma guerra nas regiões muito frias da Europa. Mas não há maneira de suprimir essa estação do ano. Há, isso sim, que minimizar os custos em termos do conforto e da saúde das pessoas. Mas não há guerras sem sacrifícios.

Guerra e paz

https://www.dn.pt/opiniao/falar-da-guerra-para-construir-a-paz-15315286.html

Este é o link para a reflexão que hoje publico da edição em papel do Diário de Notícias.

"Como disse Vladimir Putin, no fórum anual do Clube de Valdai, na semana passada em Moscovo, "temos provavelmente à nossa frente a década mais perigosa, imprevisível e ao mesmo tempo a mais importante desde o fim da Segunda Guerra Mundial". Sabe do que fala, por ser um dos principais arquitetos da crise atual."

Putin tem uma conta por pagar

A suspensão do acordo sobre a exportação de cereais provenientes da Ucrânia e as acusações repetidas contra o Reino Unido são, para mim, sinais de que Vladimir Putin quer negociar. Por isso, toma posições extremas. É uma táctica negocial.

O problema é que a Ucrânia e os países ocidentais não têm qualquer tipo de confiança nas palavras e intenções de Putin. É muito difícil tentar chegar a um acordo com alguém que não reúne um mínimo de credibilidade.

Neste momento, a aposta ocidental continua a ser a de fazer quebrar a capacidade combativa dos russos e, ao mesmo tempo, provocar divisões políticas internas. É uma aposta muito perigosa, pois coloca Putin contra a parede. Mas a verdade é que a culpa é dele. Jogou erradamente e isso tem custos enormes. Vai ser difícil não lhe pedir que pague a conta. Seria, além disso, injusto, sobretudo para com o povo ucraniano, que tem sofrido imenso ao longo destes últimos oito meses.

Notas para um debate na televisão

Os tópicos do dia, tratando-se da agenda internacional, claro:

CHINA

O 20º Congresso do Partido Comunista Chinês: que conclusões tirar?

O incidente durante a sessão final do Congresso com o Antigo Presidente Hu Jintao

O poder absoluto de Xi Jinping poderá levar a uma crise interna e ou/externa? Quais são os grandes desafios?

Por que razão não desempenha a China, que está sempre a falar de soberania e da importância do multilateralismo e da ONU, um papel mais activo na resolução do conflito ucraniano?

UCRÂNIA-RÚSSIA

Qual é o objectivo actual da Rússia no que respeita à agressão contra a Ucrânia?

E a questão dos drones iranianos: qual deve ser a resposta da UE?

Que levou Lloyd Austin e Sergei Shoigu a falar por videoconferência na sexta-feira, depois de 5 meses de silêncio? E hoje com os ministros da Defesa turco, francês e britânico?

Qual será a política do novo governo italiano em relação à Rússia e à Ucrânia?

 

 

A paz na Ucrânia?

Andam por aí umas propostas para que se alcance rapidamente a paz na Ucrânia, incluindo uns novos referendos, sob supervisão internacional, nas regiões que a Rússia diz ter anexado e o reconhecimento da ocupação da Crimeia. Trazem água no bico. Mas são sobretudo propostas inviáveis, que admitem como um facto a violação da lei internacional. A Ucrânia só as poderia aceitar se estivesse em vias de perder a guerra, em desespero de causa. E essas propostas também não têm em conta que Vladimir Putin está agora num patamar mais perigoso e mais acossado contra a parede, o que o torna capaz de loucuras impensáveis, mas possíveis.

Os ucranianos ao ataque: e depois?

A contra-ofensiva das tropas ucranianas contra os invasores russos, na região norte, perto da cidade de Kharkhiv, é bastante significativa. Mostra a capacidade militar e a coragem dos ucranianos, a fraqueza operacional e a falta de motivação das tropas russas, e a superioridade do armamento entretanto recebido dos EUA e de outros países ocidentais. Estes avanços ucranianos têm uma importância política importante, ao darem um novo alento às populações agredidas por decisão de Vladimir Putin. Mas, atenção! Não significam que a guerra tenha entrado numa fase de debandada e de derrota russas. Estamos muito longe do fim da ocupação. A violência desta agressão absolutamente injustificada irá continuar. E por isso, é fundamental encontrar uma resposta que a faça parar, negociar e recuar. Os russos têm de entender que essa é a única solução e que só assim farão parte da grande família europeia.

Apoiar a Ucrânia

A visita conjunta dos dirigentes da Alemanha, França, Itália e Roménia a Kyiv foi bastante positiva, quer do ponto de vista do apoio político quer material. A reunião do Grupo de Contacto, realizada ontem na sede da NATO, também deve ser vista como positiva. Essa reunião destinava-se a coordenar a ajuda material à Ucrânia. Essa ajuda tem de chegar ao país sem demoras.

Entretanto, Moscovo começou a cortar o fornecimento de gás à Europa. Prevejo que ainda corte mais, muito em breve.

100 dias de agressão

https://www.dn.pt/opiniao/ucrania-olhar-para-alem-dos-cem-dias-da-agressao-14910364.html

Link para o texto que hoje publico no Diário de Notícias. 

"Como já várias vezes referi, as sanções têm fundamentalmente três objetivos. Expressar uma condenação política. Reduzir a capacidade financeira que sustenta a máquina de guerra. E desconectar a Federação Russa das economias mais desenvolvidas, para realçar que há uma conexão entre o respeito pela lei internacional e a participação nos mercados globais.

As sanções deverão fazer parte de uma futura negociação de normalização das relações. Mas só poderão ser levantadas quando o Kremlin deixar de ser visto pela Europa e pelos seus aliados como um regime imprevisível e ameaçador."

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