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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Travar Vladimir Putin

Vladimir Putin resolveu agravar a situação: uma escalada muito clara e muito perigosa. Seria um erro não o levar a sério. Ou seja, é preciso encontrar maneira de o travar, para que não continue num percurso que leve a um desastre ainda maior. Nenhum país pode ficar indiferente quando existe uma ameaça bélica deste tipo. Ontem o Presidente Erdogan disse que era preciso, para se resolver a crise, que as tropas russas saíssem do território ucraniano ocupado. Outros já o haviam dito antes. Mas ter Erdogan a dizê-lo também é muito significativo. Os indianos já haviam dito algo semelhante. A pergunta é agora dirigida aos chineses: quando tencionam ser claros, evitar a ambiguidade em que têm saltitado? Este não é tempo para esse tipo de ambiguidades.

Connosco, a China joga em dois tabuleiros em simultâneo

Os Presidentes Xi Jinping e Vladimir Putin tiveram hoje um encontro bilateral, nas margens da cimeira da Organização de Cooperação de Shangai, que está a decorrer na bela cidade de Samarcanda no Usbequistão. As principais preocupações chinesas foram, por um lado, sublinhar que não existe nenhum bloco militar entre os dois países e, por outro, que o aprofundamento das relações entre os dois países não impede a China de procurar reforçar as suas ligações com os europeus ou os americanos. Assim o dizem os chineses, enquanto acusam os EUA de ter intenções hegemónicas e hostis e os europeus de procurarem impedir a expansão da cooperação entre a China e a Rússia. Mais ainda, os chineses mostraram ter algumas reservas no que respeita à agressão russa contra a Ucrânia, mas foram muito subtis na maneira como levantaram a questão.

No fundo, Xi vê Putin como o seu aliado principal, mas, ao mesmo tempo, procura jogar de modo ambivalente. Ele sabe que nesta fase ainda precisa dos mercados e das tecnologias ocidentais. E também saberá que não tem ainda a força suficiente para entrar num conflito aberto com os EUA.

Sobre a China e a Ucrânia

https://www.dn.pt/opiniao/ucrania-quais-os-deveres-da-china-14849737.html

Este é o link para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. Na essência, a mensagem é simples: quando se é membro permanente do Conselho de Segurança da ONU e se passa os dias a dizer que o que conta são as soluções multilaterais, tudo isso traz responsabilidades adicionais. Deveres. É o caso da China. 

Manter a pressão política

De Bruxelas a Beijing e Nova Deli, em tempo de atrocidades

Victor Ângelo

 

 

Na nossa parte do mundo, esta foi uma semana de viragem para pior. Estamos hoje numa situação bem mais delicada e perigosa. As atrocidades cometidas em Bucha, nos arredores de Kyiv, e noutras localidades, chocaram quem delas tomou conhecimento e prejudicaram gravemente a possibilidade de um diálogo entre os países ocidentais e o regime de Vladimir Putin. Agora, e sem se pronunciar a palavra que todos temem, poderemos estar numa confrontação decisiva entre os dois lados.

Um dos dois terá de ceder. Seria um engano não pensar assim. E, claro, o recuo não pode ser do nosso lado. Mas seria um erro ainda maior não agir de modo consequente. Isto quer dizer que as sanções precisam de entrar num novo patamar, que vise minar de modo determinante a capacidade económica e financeira do Kremlin. É fundamental ir mais além do carvão e deixar de importar todo o tipo de produtos petrolíferos. As estatísticas são claras: em 2021, a UE importou da Rússia 74 mil milhões de euros de petróleo e de produtos derivados do petróleo, enquanto as importações de gás natural somaram 16,3 mil milhões. Há quem na UE se oponha a esse tipo de sanções, dizendo que provocaria uma onda inflacionista e dificuldades insuportáveis para muitas das nossas empresas. Estudos credíveis mostram que tudo isso é gerível, tendo em conta o grau de sofisticação das nossas economias e os recursos que podem ser mobilizados. Mas, mais ainda, deve-se compreender que a obtenção da paz e a salvaguarda do futuro da Europa não podem ser obtidos sem alguns sacrifícios no curto prazo.

É igualmente essencial isolar ainda mais a Rússia. Foi essa a questão central das preocupações europeias, aquando da cimeira com a China, na passada sexta-feira. Durante a reunião, a mensagem pareceu cair em ouvidos moucos. Os dirigentes chineses insistiram na excelente cooperação que existe entre eles e Putin. Mas, nos dias seguintes, o discurso público em Beijing evoluiu. Passou a ser mais positivo em relação à Europa. Quem tem dinheiro, tem amigos, e os chineses sabem que a UE se transformou no seu maior parceiro comercial. Não podem perder o mercado europeu. O comércio entre ambos cresceu 27,5% em 2021, apesar das dificuldades ligadas à pandemia, ao aumento dos custos dos transportes marítimos, às interrupções nas cadeias de circulação de componentes e a um clima geopolítico desfavorável. Também não podem perder os investimentos vindos da Europa. Ursula von der Leyen e Charles Michel souberam fazer valer a carta dos investimentos. O acordo nessa matéria, aprovado em Bruxelas, em finais de 2020, tem estado congelado desde então, o que irrita a parte chinesa. Um maior afastamento da China em relação à Rússia poderá fazer avançar o descongelamento.

Para além da vertente mercantil, a China quer uma UE forte, na esperança de assim conseguir desamarrar, política e militarmente, a Europa dos EUA. Isso explica que seja construtiva na maneira como se refere à UE e, ao mesmo tempo, siga e amplie a retórica da Rússia, no que respeita à NATO. Independentemente dessa narrativa, o importante é fazer ver a Beijing que uma proximidade excessiva em relação a Putin joga contra os interesses a prazo da China. E não se trata dos interesses económicos apenas, por muito importantes que sejam as matérias-primas extraídas do vasto território russo. A deterioração da imagem internacional do ditador russo não pode ser ignorada por um país que ambiciona ser olhado como um dos polos da nova ordem global e um farol de paz.

No meio de tudo isto, seria um descuido grave esquecermo-nos da Índia. Narendra Modi investe num relacionamento próximo com a Rússia, para evitar que esta caia apenas para o lado chinês. A rivalidade com a China e a inimizade contra o Paquistão são os dois eixos principais da política externa indiana. Não quer, por isso, dar uma qualquer oportunidade à China de beneficiar de uma relação comparativamente mais privilegiada com a Rússia. A UE não pode descurar, nesta matéria, o diálogo com a Índia, franco e em paralelo com o que deverá continuar a manter com a China.

O papel da China

É altura de coordenar a pressão americana, europeia e ucraniana no que respeita à China. A consulta que ontem teve lugar entre os presidentes americano e chinês não terá dado nenhum resultado visível. Mas mesmo assim, foi importante ter os dois líderes em ligação, durante quase duas horas. Quando os líderes das duas super-potências acham que vale a pena estar em contacto durante um par de horas, também nós devemos achar. E insistir para que os contactos continuem nos próximos dias. Incluindo com a parte europeia. Seria igualmente importante conseguir-se uma videoconferência entre Zelensky e Xi.

 

Mais um passo na direcção errada

Cada dia traz uma nova complexidade e um novo tipo de ameaças, no que respeita à guerra de agressão contra a Ucrânia e o seu povo. Hoje, a novidade prende-se com a radicalização da China, que parece estar cada vez mais próxima da posição russa. Existe agora a possibilidade de um apoio militar – indefinido, para já – à Rússia. E aqui há duas surpresas e uma preocupação. A primeira surpresa resulta do pedido de assistência feito pela Rússia. Não se estava à espera disso. Essa démarche mostra que a Rússia tem algumas dificuldades em sustentar uma campanha tão vasta como a da Ucrânia. E tão difícil de fazer avançar, devido à resistência ucraniana. A segunda surpresa é ver a China aberta à possibilidade de se comprometer ao lado da Rússia numa operação que os chineses sabem que viola a lei internacional. A habitual prudência chinesa parece ter sido esquecida. A preocupação tem de ver com a possibilidade de alastramento do conflito. Se a China aparecer claramente ao lado da Rússia, em termos militares, a guerra ganha uma outra dimensão. Se isso acontecer, os EUA e os europeus irão certamente aprovar um pacote de medidas punitivas contra a China. E esta responderá. Abrir-se-á, assim, uma espiral muito perigosa para a paz internacional.

 

 

A China e as suas ambiguidades

https://www.dn.pt/opiniao/por-onde-anda-a-pretensa-lideranca-chinesa-14668270.html

Este é o link para o meu texto de hoje no Diário de Notícias. Transcrevo, de seguida, a minha crónica. 

Por onde anda a pretensa liderança chinesa?

Victor Ângelo

Foi preciso deixar correr 12 dias de agressão contra a Ucrânia, para Xi Jinping descer à terra e discutir a sua leitura da crise com Emmanuel Macron e Olaf Scholz. Na véspera, o seu ministro dos Negócios Estrangeiros, Wang Yi, havia organizado uma longa conferência de imprensa, focada no mesmo assunto.

Ao analisar estas duas intervenções, fica-me a impressão que Beijing pretende, em simultâneo, agradar a gregos e troianos, ou seja, aos europeus da UE e ao regime de Vladimir Putin, e, por outro lado, agravar a retórica contra os EUA. Xi procurou encorajar o diálogo entre os europeus e o Kremlin, bem como criar uma linha de fratura entre a posição europeia e a americana. Assim se pode resumir a iniciativa chinesa.

Acima de tudo, o objetivo de Xi é o de projetar uma imagem de compostura e serenidade, na defesa do sistema multilateral e da paz. Quer aparecer como o grande apologista dos princípios internacionais, enquanto os americanos deveriam ser vistos como os instigadores de conflitos, incluindo o que agora se sofre na Ucrânia. A China estaria sobretudo preocupada com a promoção da cooperação Internacional – a palavra cooperação foi mencionada no discurso de Wang mais de 80 vezes –, o desenvolvimento e a prevenção de crises humanitárias em larga escala.

Tudo isto é um exercício de estilo nos domínios da propaganda e da ambiguidade. A China precisa manter uma relação muito estreita com a Rússia. São dois grandes vizinhos, com várias complementaridades, para além da imensa continuidade geográfica. Beijing importa matérias-primas extraídas na Rússia – sobretudo petróleo, cerca de 60% do total das importações vindas da Rússia – e oferece uma válvula de escape à economia do vizinho. Mais importante de tudo, vê nos EUA um inimigo comum. A geografia aproxima os dois países e a geopolítica une-os. Trata-se, porém, de uma união frágil: baseia-se fundamentalmente nas vontades de Xi e Putin. Não tem expressão popular sólida, pois cada povo possui um quadro cultural muito próprio, sem raízes nem referências partilhadas.

E a China também sabe fazer contas: num ano, as trocas comerciais com a UE ultrapassam os 800 mil milhões de dólares, enquanto com a Rússia andam bem mais abaixo, na casa dos 105 mil milhões. Este valor é mais ou menos igual ao do comércio anual entre a China e os Países Baixos. Política e economicamente, Xi Jinping depende de um mercado europeu aberto e amistoso. Para o dirigente chinês, o comércio internacional é essencial para manter o ritmo de crescimento do nível de vida dos seus cidadãos. Isso tem de ver com a sua continuidade no poder. É o argumento fundamental para justificar a sua legitimidade e autoridade absoluta.   

O facto é que a liderança chinesa não apoia o assalto militar que Putin ordenou contra a Ucrânia. Pelo que acima escrevo, e por três outras razões. Primeiro, porque desrespeita dois dos princípios fundamentais da política externa chinesa, o da inviolabilidade das fronteiras nacionais e o da não-ingerência nos assuntos internos de outros Estados. Segundo, porque desestabiliza e põe em risco de crise profunda as economias europeias. Terceiro, porque reforça o papel dos EUA na NATO e a sua influência na Europa.

Contudo, Xi Jinping não acha prudente criticar, nem mesmo falar agora com Putin. Prefere passar por Macron e Scholz e aconselhá-los a um diálogo com o Kremlin, fingindo que não vê que essa via está, neste momento, bloqueada. Putin não ouve os europeus.

Perante a resistência ucraniana contra os invasores, Putin está decidido a repetir o que outros ditadores fizeram ao longo da história: expandir o uso da força armada, incluindo o bombardeamento de civis – um crime de guerra –, e o cerco das cidades, ao velho estilo medieval. Xi Jinping sabe quais são os custos desse tipo de loucura criminosa. Foi o que o levou a contactar os líderes europeus. Deveria, isso sim, mostrar que as suas palavras sobre o valor do multilateralismo e das negociações diplomáticas fazem sentido e mexer-se com clareza no Conselho de Segurança das Nações Unidas e junto do seu parceiro Putin. Só assim poderá ser levado a sério.  

 

 

A China e o imperialismo de Putin

Desde 2013, Xi Jinping e Vladimir Putin encontraram-se cerca de 40 vezes. O presidente chinês poderia agora aproveitar essa familiaridade com o seu colega russo para lhe telefonar e o aconselhar a parar a ofensiva. Seria no interesse de ambos. Da China, porque precisa de paz para poder continuar a crescer a um ritmo elevado. Também necessita de se tornar um actor credível em matéria de mediação de conflitos. Da Rússia, porque se está a enterrar na Ucrânia, a cometer crimes de guerra, a deixar morrer jovens soldados que foram apanhados pelo serviço militar obrigatório e que nada têm contra a Ucrânia. Também, porque há um risco cada vez maior de catástrofe económica para o povo russo, que nada tem de ver com as fantasias imperialistas do seu ditador.  

Ucrânia: as notas do dia

Quatro pontos sobre a invasão e a agressão à Ucrânia, neste fim de dia, que é o Dia Internacional da Mulher:

  1. A protecção da população civil, os crimes de guerra e os corredores humanitários.
  2. O embargo à compra de petróleo e gás russos, a posição americana e a europeia e as possíveis respostas do Kremlin.
  3. A posição da China perante o conflito, as conversações de hoje entre Xi Jinping, Emmanuel Macron e Olaf Scholz.
  4. Os MIGs polacos, os americanos e a possível reacção russa.

Cada dia traz-nos uma agenda bem carregada.

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