Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

A China e o mundo de amanhã

O Secretário-Geral da ONU, António Guterres, lançou ontem um apelo de ajuda aos países em vias de desenvolvimento. Fez o que se esperava que fizesse e fê-lo bem. O problema é que os países mais desenvolvidos – os doadores tradicionais das Nações Unidas – estão todos presos de pés e mãos numa crise inimaginável. O apelo de Guterres não será ouvido. A própria comunicação social não teve espaço para lhe dar a ênfase que merecia. Cada um pensa apenas em si, no que se está a passar à sua volta, no interior das fronteiras nacionais. A agenda da cooperação internacional será uma das áreas profundamente afectadas pela crise. Já estava na mó de baixo. Agora, poderá desaparecer da lista de prioridades dos países mais desenvolvidos.

Um país que irá tirar partido da situação será muito provavelmente a China. Deverá aumentar a sua cooperação bilateral com vários países em desenvolvimento, sobretudo em África e nalgumas partes da Ásia. Mais ainda, mobilizará as empresas multinacionais chinesas para que contribuam em paralelo com o governo de Beijing. Será uma ofensiva conjunta do sector estatal e do empresarial. E com muita visibilidade e sentido prático. Mencionarão o plano de Guterres mas a sua ajuda será dispensada directamente. Só passará pela ONU o que possa servir para fortalecer a posição chinesa dentro do sistema das Nações Unidas. Uma posição que já está bastante forte, aliás. A China controla hoje várias agências e departamentos da ONU.

Curiosamente, por muito estranho que possa parecer, será a China um dos ganhadores com a crise actual, que começou, aliás, numa das suas províncias. O cenário geopolítico de amanhã tem todas as condições para ser bem diferente do que conhecemos até agora.

A bandeira e o bandeirante

Um partido – ou um dirigente político – precisa de ter um slogan curto, que lhe dê identidade, que mostre um objectivo central, que seja fácil de entender e de repetir. Assim se ganham eleições. Donald Trump, com o seu “Make America Great Again”, é um exemplo vivo do que pretendo dizer. Boris Johnson, com “Get Brexit Done”, três palavras apenas, é outro exemplo. Como o havia sido o Presidente Obama, com “Yes, We Can!”. Angela Merkel usou uma frase semelhante à de Obama: "Wir schaffen das", ou seja, “Podemos tratar disto”, quando se referia à crise migratória de 2015. Xi Jinping lançou e repete a frase sobre a Nova Rota da Seda: “One Belt, One Road”. Vladimir Putin quer que o identifiquem com o renascimento de uma Rússia forte e respeitada internacionalmente.

Estes são apenas uns exemplos. Mas que nos deveriam fazer pensar, incluindo na “loiça política” cá de casa. Qual é a frase que define o PS? Ou o PSD, que agora está em congresso? E mais…

A política é, antes de tudo, uma bandeira. Tem que estar bem definida. E deve ter um porta-estandarte credível. Essa é a combinação vencedora.

 

A China aos 70

Mesmo quando se trata da vida de um país, sobretudo de um tão antigo como a China, 70 anos são muitos anos. Sobretudo se o tempo for visto na perspectiva dos cidadãos, das suas liberdades, aspirações e bem-estar. Pode haver, nesse período, muito sofrimento como também poderá ter existido muita mudança positiva.

No caso da China, que hoje comemora os 70 anos da tomada do poder por Mao Zedong e pelo Partido Comunista, tem havido de tudo. Agora, no essencial, há progresso e oportunidades. A vasta maioria dos cidadãos aprecia a situação actual. Mas também existe opressão e uma prática esmagadoramente autoritária do poder do Estado.

A grande questão é a de saber se o regime vai conseguir manter a população debaixo de uma disciplina de ferro. Pelo que conheço, creio que assim acontecerá, por vários anos. A aposta continuará a incidir no controlo político autocrático acompanhado por um aumento sustentado do poder de compra das famílias. Nos próximos anos, esta parece ser uma aposta ganhadora. Exige, porém, uma expansão da presença internacional da China, com mais investimentos e interesses em várias partes do mundo. Essa expansão não vai ser tão fácil no futuro como o tem sido nos últimos dez anos.

Entretanto, as cerimónias de hoje, em Beijing, procuraram combinar poderio militar com orgulho nacional. Força e patriotismo, foi a receita da festa do aniversário. É uma fórmula que impressiona o povo mas que faz soar sinais de preocupação além-fronteiras. Assim é a China de hoje, após 70 anos de vida no percurso actual da sua História.

 

 

 

 

 

 

A China e nós

A China começa a fazer medo. O projecto do Presidente Xi Jinping, inspirado na ideia de uma nova Rota da Seda – Uma Faixa, Uma Rota – tem uma dimensão avassaladora. Quem se oponha a ele, por boas ou más razões, vê nesse projecto uma economia gigante a tentar controlar outras economias bem mais pequenas e menos desenvolvidas. Vê laços de dependência a serem tecidos com fios muito grossos, que não serão necessariamente de seda.

As relações da China com o resto do mundo precisam de ser tratadas com muito cuidado, por quem manda em Beijing. É fundamental que os líderes transmitam uma mensagem forte e inequívoca de respeito pelos interesses mútuos.

Este é um tema que vai estar na mesa dos analistas de estratégia internacional. A atenção despertou agora. A procissão ainda vai apenas no adro.

Voltarei ao assunto.

Natal e Davos

Antes de fechar as portas por motivos de Natal, tentei hoje entender o que irá ser discutido no Fórum Económico de Davos, a partir de 17 de janeiro.

Como é sabido, Davos atrai, cada ano, uma boa parte da elite política, financeira, económica e académica mundial. Nesta próxima edição, vai ter como estrela o presidente da China, Xi Jinping. O que é significativo: a liderança chinesa quer posicionar-se na linha da frente no que respeita aos grandes debates económicos e sociais sobre o futuro.

O que que me faz voltar à questão da agenda.

E a verdade é que não entendo bem onde se quer chegar com o programa proposto. Os temas são abstractos, pouco claros, cheios de palavras grandiosas, enfim, uma maneira de falar que ninguém entende. Ora, isto para quem se diz preocupado com a distância que continua a aumentar entre as elites e os cidadãos…

A conversa da agenda mostra bem esse fosso. E não irá certamente contribuir para o lançamento de pontes entre ambos os lados.

Pena, porque a questão das elites é uma das grandes interrogações que precisa de ser debatida com urgência. Como Donald Trump e outros do género nos lembram diariamente.

Enfim, vamos, para já, fechar para as festas. Um bom Natal a todos.

Mais sobre mim

foto do autor

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

<meta name=

My title page contents

Links

https://victorfreebird.blogspot.com

google35f5d0d6dcc935c4.html

  • Verify a site
  • vistas largas
  • Vistas Largas

www.duniamundo.com

  • Consultoria Victor Angelo

https://victorangeloviews.blogspot.com

@vangelofreebird

Arquivo

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D