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Vistas largas

Crescemos quando abrimos horizontes

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Crescemos quando abrimos horizontes

Verão com nuvens

O meu texto de hoje na Visão é uma digressão de Verão, escrita na costa ocidental da Noruega, em Stavanger.

 

Passo a citar o que publico na Visão:

 

Reflexões norueguesas

Victor Ângelo

 

Escrevo esta crónica de Verão junto à janela. Lá fora, a paisagem abre-se e fica dominada pelo fiorde de Stavanger, o mar e a cadeia de montanhas que define o horizonte. Olhando bem, tranquilidade, vastidão e curiosidade, no sentido de querer ir mais além e descobrir o que está para lá dos recortes das baías e das serras, são os pensamentos que me ocorrem. Ou seja, viajar, mas não nos gigantescos navios cruzeiros, conto três esta manhã no meio da cidade, que o centro de Stavanger foi construído nas margens da ponta do fiorde. Os navios são uma feira ruidosa, um novo tipo de turismo de massas a fingir que é luxo.

 

Situada na costa oeste do país, capital do petróleo norueguês, Stavanger é uma urbe em crescimento acelerado. Mantém, no entanto, a característica que melhor define as cidades da Noruega: vida sem sobressaltos e próxima da natureza. Mostra, igualmente, que é possível conciliar a riqueza do petróleo com a construção de um futuro harmonioso, viver-se uma vida confortável mas sem exibicionismos de novo-rico. A disciplina individual e coletiva é o segredo da coisa. Disciplina na vida cívica, na política, em casa, na maneira como se constrói o futuro. Aqui, aprende-se que a disciplina social é um fator essencial para a prosperidade de um povo.   

 

Stavanger é também um exemplo de diversidade étnica. Nos anos setenta foi o porto de abrigo para muitos refugiados vietnamitas, acolhidos que foram por estas terras. Estão integrados. A jovem militar que se ocupou do meu acesso seguro a meios informáticos, quando aqui cheguei há uns dias em missão, tinha um nome meio norueguês meio vitenamita. A sua fisionomia não enganava ninguém: representava bem a beleza do extremo-oriente.  A Noruega sempre foi um país generoso em termos de asilo político. Agora há gentes de diversas nacionalidades: refugiados vindos do Iraque, do Afeganistão, Curdos da Turquia, famílias da Somália e muitas mais. Quando se vai à polícia local tratar da documentação, o primeiro passo consiste em selecionar a língua, das várias disponíveis, em que se quer ser atendido. Na frente económica, encontramos imigrantes de várias partes da Europa. Desde a vizinha Suécia – trabalhar na Noruega é uma alternativa mais vantajosa – até à Polónia. A comunidade polaca é das mais numerosas. Também há portugueses, como não podia deixar de ser. Por coincidência, atrás de mim, no avião vindo de Frankfurt, sentava-se um casal do Porto, imigrantes na Noruega desde há alguns anos.  

 

O sítio onde trabalho é guardado por jovens militares a cumprir os seis meses de serviço obrigatório. Este é um dos poucos países europeus que conservou essa prática. Tem dinheiro para o fazer. O modelo não é, por isso, exportável. Mas, enquanto me perco a contemplar a paisagem, reconheço que a Europa precisa de refletir a sério sobre o seu sistema coletivo de defesa. Os desafios existem, como podemos ver do lado da Ucrânia e da Rússia, nas águas e nas margens Sul e Oriental do Mediterrâneo, na frequência crescente dos ataques cibernéticos. Reconheço, porém, que a defesa da Europa é hoje um conceito complexo, que vai muito para além da resposta militar. Passa por repensar a aliança com os EUA, que têm, de longe, o melhor sistema de defesa do mundo. Passa, igualmente, por uma redefinição do papel das forças armadas e do seu relacionamento com as polícias, os serviços de informações, os diplomatas e a opinião pública. O fiorde lembra-nos que estas coisas são bem mais vastas do que parecem. Mesmo na pausa do Verão, que este ano tem estado agitado.

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